quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO!


Amanhã será o primeiro dia do ano de 2010. Em que ano será a nossa grande odisséia? Não aquela de 2001, do filme. Falo da grande jornada que deveremos empreender para aproveitarmos do melhor modo possível esse curto instante de viver aqui, neste planeta, ao lado de tanta gente, de tantos sonhos.

Cada vez mais egoístas, cada vez mais limitados em promover limitadas atitudes de afeição e carinho aos nossos cada vez mais limitados parentes próximos, estamos deixando o mundo lá fora. O mundo que entra dentro de nossas casas e de nossas vidas é outro.

Dificilmente falamos de poesia. Raramente contamos que amamos e somos amados. É mais compreensível discursar sobre novas tecnologias, a velocidade da nossa conexão na internet, a possibilidade de comprarmos isso e aquilo. Depois que a gente acreditou no discurso democrático que garante que todo homem comum pode ser um vencedor, a nossa primeira derrota foi desconsiderar o outro comum, como se não o fossemos.

Não nos vemos, não nos falamos, não nos ouvimos. Estamos sempre prometendo um encontro futuro, uma organização futura, uma mudança de hábito, uma mudança de vida.

Mas nem essa promessa tem muito valor pois estamos prometendo sem olhar nos olhos do outro. Prometemos para um ser no vazio. E no vazio nossa promessa se perde. Assim como nós, frutos da vaidade divina que, depois de criar todas as coisas, quis se superar gerando algo que fosse sua imagem e semelhança.

Sinceramente, não me pareço em nada com o divino.

Para mudar o tom, recebi de um amigo, Armando Bello, este poema de Drummond. Que este compartilhamento seja bem recebido por todos.

Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!(6)


Sozinho


A tarde é lápide de azul
numa distante eternidade
que minha letra não alcança.

Um gato transita pelo muro
tocaiando infinitos.

Espreguiço minhas escamas
para apagar a luz do aquário.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL! (4)

Hoje - vejam só - é que li um comentário da "minha seguidora", Silvana Nunes(ele foi enviado em outubro).Aí ela me passou o seguinte endereço: http://www.silnunesprof.blogspot.com/ Pois não é que vale a pena "passar" por ele, dar uma espiadinha e ficar um tempão lendo histórias...Muito legal, Silvana. Muito!

FELIZ NATAL!(3)


sábado, 19 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!(2)


Conheci Sá Luiza num tempo em que (re)conheci Araçuaí, a cantoria dos Trovadores, as tramas das pedras, as tranças de um amor. Foi um tempo em que eu imaginava ser o meu tempo. Em que eu planejava construir um pequeno castelo e do alto da torre ver a vida indo horizonte a fora.

O castelo ficou na base. As pedras rolaram rio abaixo. A voz trovadora cantarola num sussurro ao som do tumtum resignado de um coração que descobriu que basta envelhecer para se compreender as razões dos muitos que nos sobraram poucos.

Do amor desatado, do Araçuaí lá longe, trouxe um tanto de palavras de Sá Luiza. Sá Luiza que também, faz tanto, entrou pela outra porta da vida. Sá Luiza, a quem chamo de “fada de Deus”.

Sá Luiza

.1

Nasci no Córgo Novo, no Córgo da Trevessa, distrito de Itinga.
Meu pai era vaqueiro, minha mãe era fiano e nós roçano,
capinano e plantano e colhendo e comendo.
Sem sabê o qui tava fazeno, mas nós tava viveno.

Dez que Isabel teve.
Eu sô a sete das nove. A primeira, Maria.
Virginía, Domingas, Augusta, Laurinda, Rufina e eu,
Antônia, Cirila. José foi o caçula.
Um só homem. Nasceu por descuido.
José morreu matado sem tê um inimigo.
Um camarada matô ele pra ganhá um conto de réis.
Minha mãe passô muito sentimento.

.2

Nós, nenhuma foi a escola.
A madrinha de Cirila, que era da Itinga,
tomô ela, falô qui era pra passeá, aducô Cirila.
Cirila só qui aprendeu assiná o nome.
Meu pai num quis pô nenhuma na escola
porque menina muié num podia sabê lê não qui escrevia pra rapaz.
E por aí ficou nós tudo, burra.
Rufina tinha vontade de sabê lê mas não deu pra ela.
Nossa escola é a enxada, é foice e o machado, é fazê cerca, plantá, colhê.

Eu nunca se esforcei porque eu vi qui não dava pra mim.
As outra num ganhô, pra quê qui eu vô mexê?!

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Minha natureza é a natureza seca.
Se pode, pode; se num pode, eu tenho paciência.
Deixa pra quando pudé.
É assim qui é a minha natureza.
E num agravo também.
.4

Eu num tenho influênça pra namoro.
Eu tenho influênça é pra dança.
Meu pai fez um tamborzão, de côro de cotia.
Botava aquilo baixinho e nós dançava até café cozinhá.

Ô minino, a vida mió do mundo é dança.

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Meu pai falava pra nós num dançá mais homi.
Eu confessei pra mim sabê do padre.
Fui perguntá qui mal fazia dançá mais homi.
Ele falô assim, dançá mais homi num é pecado, não.
Pecado é si ocê dançá por intérece.
Si fô por diversão num é pecado, não.
E eu nunca dancei por intérece.

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Tudo já acabô, já morreu,
Minhas irmã já morreu tudo,
só ficô esse osso aqui.

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Vai casano e sumino.
E a saudade qui a gente fica quando sai.
Uma morre prum canto, outra morre pru otro.
Nem vê o senhor pode vê. E tudo morreu.
As muié com os marido e tudo.
Agora, Rufina morreu moça. Aqui.

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Depois d’eu aqui é qui eu casei.
Mas eu casei pra ajudá um véio.
Eu nunca tive coração de a gente pedi uma coisa
e eu podeno fazê, num fazê.
Eu olhei assim, cá no meu coração,
esse véio num dá mais nada, Deus me perdoe.
Ele queria casá só pra tê uma muié pra levá comida pra ele.
Só pra isso qui ele queria.
Eu pensei, isso eu posso fazê. Eu já tô véia e ele muito véio.
Eu fui como empregada e companheira.

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Ele me pediu em casamento e falô comigo qui falasse com minha mãe.
E eu falei?! Falei, não.
Era só pra ajudá ele a trabalhá, só pra servi de cozinheira e empregada!
Quando foi o dia, ele veio pra pô os papel na igreja.
Ele chegô e encontrô minha mãe abaxada no terrero com a penerona de algodão.
O quê qui a senhora acha? A senhora leva bem de eu casá com a Luiza?
Ela num qué casá!
Terminô a palavra dele com minha mãe.

Cê num falô com sua mãe qui cê ia casá comigo?!
Falei, não!
E agora?!
Nós arruma.
E arrumô.

Coitado! A ignorança faz sofrê…

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL ! (1)


FELIZ NATAL!

MENU


Banquete de picanha e pizza caseira.
Mãe ainda assa empadinhas com o mesmo molho de hoje.
Não entendo de culinária mas meu estômago é de festa e crença natalina.
Mãe ainda cozinha o mesmo molho mas não faz a mesma massa.
Não é mais da massa.
É dos “vicentinhos” e das hipocrisias da Igreja.
Continuo acreditando em Natal.
Também aprendi que sou alma pequena.
Minha insignificância vale a pena.


sábado, 12 de dezembro de 2009

O TAL DO ÓCIO

Sem mais a fazer, eis uma sugestão de manchete para jornal de Belo Horizonte:
ARRUDA AFOGA O DEM
ou para um escritor de tramas políticas e policiais:
O CASO DOS MAUS LENÇÓIS MARANHANSES
ou para um colecionador de ditos populares:
QUEM NÃO DEVE, NÃO TEMER
ou para um produtor de filmes:
A HORA E A VEZ DO ASTUTO OLIGARCA

sábado, 21 de novembro de 2009

QUALQUER COINCIDÊNCIA É MERA SEMELHANÇA. OU O CONTRÁRIO TAMBÉM VALE

Trecho do valedictory despatch, uma espécie de “carta de despedida” do embaixador inglês no Brasil , no período de 1958 a 1963, sir G.A.Wallinger, publicado na revista Piauí, edição número 38, de novembro de 2009:

“Um aspecto a salientar é que todo governo no Brasil ainda é intensamente “personalista”. Os três presidentes a que me refiro são chamados, simplesmente, de Juscelino, Jânio e Jango. O tamanho do poder em mãos de um presidente brasileiro é relativamente maior do que o poder do presidente dos Estados Unidos, visto que, desde os tempos de Getúlio Vargas, o Congresso nunca conseguiu se contrapor a ele...Embora o presidente dependa do Congresso para a provação de leis, a influência do Poder legislativo na condução da política está viciada pela natureza primitiva da organização dos partidos políticos. Os partidos, apesar das implicações ideológicas de suas denominações, são essencialmente clubes políticos, criados para prover máquinas eleitorais a seus membros; estes, por sua vez, são homens que optaram pela atraente, lucrativa e “suja” carreira política; são frequentemente desprovidos de qualquer compromisso social ou ideológico, ou do sentido de servir à nação. Como consequência, a lealdade partidária é subordinada ao interesse próprio”.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

OS COVARDES

Recentemente, li em um artigo de Sebastião Nunes a reprodução da afirmativa de que a internet é um espaço de covardes. Covardes aqui entendidos como aqueles que não se identificam (ou não são identificados) e, a partir desse anonimato, andam e desandam pelo mundo virtual a causar estragos – alguns permanentes – no pretenso mundo real de muita gente. Contudo, verdade nenhuma – enquanto for verdade – se mantém escondida. Ao ser revelada, mesmo não atingindo mortalmente o covarde cibernético, costuma dar uma aliviada na vítima da “rede”.

Porém, ao que parece, existem outros covardes identificados – uma vez que assinam seus escritos através de blogs – e agora também pelo “passarinho”. Estes se parecem muito com os “enlouquecidos” das religiões que batem com a mão, com a bíblia, com o terço e uma infindável lista de objetos , no peito, na cabeça, nas costas, no próximo e gritam amém, aleluia. “Enlouquecidos” que ao chegar em casa, se transformam em déspotas, em donos da verdade, em feitores. “Enlouquecidos” que se dizem salvos, que se arvoram cristãos, ou católicos, ou espíritas, ou crentes ou... mas que são preconceituosos, gananciosos, egoístas e folgados(principalmente aqueles que dão o que tem para receber de volta, no mínimo o dobro). Todo mundo muito fake.

Pois é, tem gente que se apresenta numa pureza, num romantismo, num saudosismo, em exemplo de virtude. Nada mais que um simulacro, uma representação. Isto porque, no seu cotidiano, são incapazes de perceber os que estão em seu redor, o quanto esses gostariam de mais afeto por parte deles. O quanto esses reclamam não poder falar de si mesmos, de seus sonhos, de suas angústias para eles que costumam ser seus namorados (as), pais, mães, irmãos(ãs).

Tem gente que depois de lermos o que está publicado em seus “domínios” na web nos parece as melhores pessoas do planeta. O irmão ideal, o pai ideal, a mãe ideal, o poeta ideal, o médico ideal, o político ideal, o religioso ideal, o agnóstico ideal, o ideal ideal...

Não são e tentam ser o que não são e nessa hipocrisia não conseguem perceber que antes de despejar retórica e virtude pela internet deveriam rever as conexões afetivas nas suas redes domésticas de relacionamento.

Quer dizer, irmão tem que ser irmão com o seu irmão e não com o seu eventual leitor. E assim por diante: pai ser pai do seu filho real, mãe ser mãe do seu filho real...

Então, antes de escrever para que eu leia, por exemplo, leia o que seus entes mais próximos estão publicando para você. Antes de dizer para mim que você é bom pai, boa mãe, bom isso, bom aquilo, experimente isso dentro de casa, no trabalho, na vida. Mãe deve ser amiga dos filhos, principalmente das filhas; pai deve ser amigo dos filhos, principalmente dos filhos. As comunicações virtuais estão desumanizando as relações afetivas do contato, do cheiro, das sensações de proteção, de segurança, de estímulo, de compreensão e, claro, de cumplicidade. Tem gente querendo que os filhos sejam hiperqualquercoisa e são incapazes de lhes perguntar se eles estão apaixonados por alguém ou por alguma coisa. Tem gente escondendo suas ineficiências e sendo indiferentes com aqueles que habitam o mesmo teto. Tem gente que faz de conta que vive, mas já morreu faz muito tempo.

E eu ? Bem, eu estou aprendendo a não ser covarde.

sábado, 7 de novembro de 2009

ÚLTIMA CENA

Foto:http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/foto/0,,21691003-EX,00.jpg

“O sepultamento do cineasta Anselmo Duarte acontecerá amanhã, às 11h30, no Cemitério da Saudade, na cidade de Salto, município localizado a 100 quilômetros da capital paulista. Ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 1962 com o filme "O Pagador de Promessas", Anselmo Duarte morreu em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) na madrugada de hoje no Hospital das Clínicas de São Paulo, onde estava internado desde o último dia 27.

Além de ter sido um dos maiores galãs do cinema nacional, Anselmo Duarte dirigiu "O Pagador de Promessas", o único filme brasileiro que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França, um dos mais importantes do mundo, e do qual foi membro do júri em 1971. Baseado em peça de Dias Gomes, o longa também foi finalista do Oscar no mesmo ano. O filme tem um elenco de astros e estrelas do cinema nacional que despontavam nos anos 60, como Leonardo Villar, Glória Menezes, Norma Bengell, Dionísio Azevedo, Othon Bastos, Geraldo del Rei, Antonio Pitanga e outros.


O cineasta nasceu em Salto no dia 21 de abril de 1920 e tinha três filhos: Anselmo Júnior, Lídia e Ricardo. Ele começou sua carreira no cinema como ator ao se mudar para o Rio de Janeiro, nos anos 40. Atuou em várias produções da Atlântida, como "Carnaval no Fogo", uma comédia musical sobre um plano de assalto ao Copacabana Palace, em que contracenava com Oscarito e Grande Otelo, além de assinar o argumento do filme.


Ele fez também "Aviso aos Navegantes", sobre uma companhia teatral excursionando em navio luxuoso, quando atuou com a mesma dupla no filme com o mesmo diretor: Watson Macedo, com quem Anselmo Duarte aprendeu a dirigir e escreveu roteiros e argumentos. O cineasta fez carreira também na Vera Cruz paulista, contracenando com Tônia Carreiro em "Tico-Tico no Fubá". Anselmo Duarte fez ainda uma comédia de sucesso em 1957 com Dercy Gonçalves, "Absolutamente Certo" e atuou em "Apassionata e Veneno", entre outras obras.


Depois da consagração internacional de "O Pagador de Promessas", Anselmo Duarte fez ainda um outro filme, "Vereda de Salvação" (1964), baseado em peça de Jorge de Andrade, com o qual foi indicado ao Urso de Ouro do Festival de Berlim, mas que não obteve reconhecimento tão grande quanto sua obra-prima vencedora em Cannes".(Transcrito de http://br.noticias.yahoo.com/s/07112009/25/manchetes-cineasta-anselmo-duarte-sera-enterrado.html)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

DIA DOS MORTOS

FOTO:http://obrarestauracao.files.wordpress.com/2009/02/4-cavalos-do-apocalipse.jpg
Do jornalista André Petry, em texto da matéria de capa “O fim do mundo em 2012”, publicado na revista Veja, edição de 4 de novembro de 2009:

(O apocalipse) “ explica duas questões que atormentam a humanidade desde sempre: o significado da vida e a inevitabilidade da morte. Somos a única espécie com consciência da própria morte e, no entanto, não sabemos o significado da vida. Afinal, por que estamos aqui? A pergunta, em si, revela nossa busca por sentido, devido à nossa dificuldade de conviver com a possibilidade de que, talvez, não estejamos aqui por alguma razão especial”.

ROTEIRO COMPETENTE

FOTO:www.portalimprensa.uol.com.br

Brilhante o texto “Woody Allen no Rio”, de Roberto Pompeu de Toledo, publicado na revista Veja, edição de 4 de novembro de 2009(não há erro na transcrição da data).

sábado, 31 de outubro de 2009

MEU BRUXO

TRICKS OR TREATS


Rose Marie Muraro na introdução histórica ao livro Malleus Maleficarum, escrito em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger, cita outra escritora, Marilyn French que, no seu livro Beyond Power, estima em cem mil o número de mulheres queimadas vivas pela Inquisição. “As bruxas” , na ótica da infalibilidade divina a partir da interpretação do magistério terrestre composto pelo papa e seus bispos.

31 de outubro é o Dia das Bruxas. Diz a história que tal celebração ocorreu pela primeira vez há dois mil anos. Afirmar que Jesus foi também um bruxo é heresia. Portanto, não digo. Faça-o você, desde que não haja um religioso ao seu lado.

Os celtas é que inventaram a celebração. Eles ocuparam um território que compreendia desde a Turquia central até as ilhas britânicas, me informa o Houaiss. Celtas são os hoje irlandeses, escoceses e ingleses. A festa, antroponomizada de Samhain, era em razão do fim do verão, do início do Ano Novo e da fartura agrícola. Popularmente, foi chamada de “o dia das almas”, uma vez que eles acreditavam que na noite de 31 de outubro o mundo espiritual se encontrava com o material. A sacanagem fica por conta deles acreditarem que as almas eram de membros superiores da igreja católica e que eram inofensivas.

Bruxarias a parte, a folia venceu os séculos e os irlandeses a trouxeram para os Estados Unidos no século 19, agora registrada como Halloween. Não é que o negócio pegou e tornou-se festa tradicional infantil no latifúndio do brother Obama. Lá a meninada se fantasia e pede doce de casa em casa.

Aqui no Brasil de Lula, as crianças pedem comida e esperança de porta em porta. Salvo as do Chico que, na falta de arroz e futuro, descobriram que comer luz é muito mais romântico que qualquer cardápio macrobiótico ou natureba.

Lá na terra do Tio Sam, onde só o Noam Chomsky descobriu o que ele quer, a molecada gasta U$ 2,5 milhões em máscaras, figurino e presentes. Até o presente momento não se tem informação sobre a possível queima de uma feiticeira.

Bruxos e bruxas, na minha infância, só a que tentou matar a Branca de Neve, ou a que fez dormir a Gata Borralheira, a Maga Patológica, a Madame Min, o Merlin Mais tarde, foi a vez da Elizabeth Montgomery ,sua filha Tabata, e a mãe-avó Endora.

Não sei se a menina , na minha frente, atarefada com uma pesquisa escolar sobre o tema, sabe quem foi a Elizabeth. Bruxas perderam o encanto e o mistério. Caíram no descrédito fílmico e telenovelístico. Menino e adulto atualmente têm medo é do próximo.

Com a tal da globalização, não é que as escolas brasileiras importaram a baboseira para suas grades curriculares. Coisa de pedagogo e educador mais preocupados com a publicação no diário oficial de suas férias-prêmio ou quinquênio.

Generalização ou não, a verdade está na minha frente – e dos meus óculos pouco eficazes e carentes de lentes mais agressivas.

A menina não sabe nada de celtas, de almas e de inquisições. Suas bruxas e bruxos de agora sãoGandalf, Saruman, duas criaturas da fantasia imperiosa de J.R.R.Tolkien. Estes, verdadeiros bons da boca. Bruxos da primeira hora. Para completar o álbum moderno de bruxaria, a menina cola na folha de papel almaço uma fotografia do Harry Potter. Lá se foi o tempo da Cuca e da Circe.

Circe, a feiticeira, personagem da Odisséia do poeta Homero, não se deu bem ao esperar Ulisses e seus marinheiros. A danada ia transformá-los em animais e depois servi-los num banquete. Ela já havia transformado em porcos metade da tripulação quando Hermes resolveu ajudar o guerreiro grego, enganando a coitada. Hermes me lembra um camarada apaixonado pela mesma pessoa que eu. Para evitar digressões, vou me referir a ele de acordo com a versão romana: Mercúrio.

Meu bruxo tem palavras repletas de feitiço. “O primeiro amor passou/o segundo amor passou/o terceiro amor passou/Mas o coração continua”. Nasceu em Itabira, num 31 de outubro de 1902. Passou pelo colégio jesuíta de Nova Fribugo, no Rio. Ganhou vários concursos literários. Dos religiosos, a expulsão e a exigência de retratar-se pelas obras publicadas no jornal da cidade. “Insubordinação mental”, arbitraram os magistrados à luz inicial do século 20.

“Vai, Carlos! ser um gauche na vida”, disse-lhe um anjo torto escondido nas sombras. “É guaché, moço”, corrige a menina.

Traduzido em 13 idiomas, o bruxo do meu tempo enfeitiçou a Suécia mas não impressionou a professora da ingênua candidata a adulto, neste momento absorta no bordar do título da pesquisa.

Murilo Melo Filho afirma que “sem nenhum amor pela vida rural, aluno do grupo escolar da cidade, o jovem Drummond já era, então, magricela e alto, amante das boas e desorganizadas leituras: Antero, Rimbaud, Pascal, Bergson, Anatole, Ibsen e Wilde”.

Contudo, quem é o Andrade para enfrentar abóboras, teias, cisos, morcegos e caldeirões ?
Menor que o porco de Circe, “o homem magro, de andar titubeante e quase cadenciado”, na leitura de Melo Filho, não tem poderes suficientes para sensibilizar a mestra da criança que fala halloween e não sabe as poções da magia poética de um mago de cento e sete anos.

Cento e sete anos! O que são cento e sete anos para uma escola onde a sensibilidade ainda não saiu da pré-história e, portanto, não entende o vate: “Diante deste relógio/ no nevoeiro londrino/recorda-te, ao ver a hora/ que és meu tempo e meu destino”.

Travessuras ou gostosuras, as quero do meu bruxo poeta.







sexta-feira, 30 de outubro de 2009

QUE ASSIM SEJA!

FOTO:http://api.ning.com/files/

"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo"

(MICHEL FOUCAULT).

NÓS


CIRQUE


Debaixo da tenda
Tudo é hitech: tempo/espaço/homem.
Tudo são ondas de ir;
ondas de risos,
ondas de gritos,
ondas de aplausos,
ondas de espanto.

Ondas pré-prontas,
Pré-cozidas em casa.

E uma enxurrada de flashes:
a gente pisca digital.
Registro de nós
no espetáculo do outro.

sábado, 24 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

E A MEDALHA DE OURO VAI PARA....

O cronista Afonso Romano de Sant’Anna escreve, sob o título “Leitura da Olimpíada e a Olimpíada da Leitura: “(...) Essa idéia flex(com dupla função) é simples. Primeiro, nas escolas, proceder à Leitura da Olimpíada. Ou seja, usar todas as disciplinas, seja geografia,economia, história,política,química, física etc., para se estudar o fenômeno das Olimpíadas da Grécia no Rio de Janeiro. Aí se estudará de tudo, do racismo e terrorismo à questão do dopping(o negrito é meu). A leitura profunda do universo das Olimpíadas se converterá numa grande enciclopédia de conhecimentos. É o grande jogo do conhecimento”.

E pensar que a idéia era a de confraternização entre os povos, a competição e a paz, o entrelaçamento de raças e continentes. Bom, mais isso, ao que parece, é coisa antiga, dos gregos mesmo. Assim, quiçá, em futuro próximo, teremos provas olímpicas de “o mais branco”, “ o mais preto”, o “mais chapado”, “o mais careta”, “ o melhor atirador de granada”, “ o mais forte homem-bomba” e por aí vai.

Com certeza “ é o grande jogo do conhecimento”, meu querido,sempre lido e respeitado poeta,escritor e cronista .

Basta ler uma nota publicada no jornal “O tempo” – 18/10/2009, página 17 – com o título ‘SOMÁLIA – FUZIL COMO PRÊMIO”: “Um adolescente de 7 anos, vencedor de um recital do Alcorão e de uma competição de conhecimentos gerais no sul da Somália, ganhou um fuzil AK-47, duas granadas de mão, um computador e uma mina antitanque como prêmios”.

TEMPO,TEMPO,TEMPO


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OS ESTRANGEIROS MAIS ITABIRANOS

Itabira comemora 161 anos de emancipação política. Uma coisa interessante é que quem mais ama a cidade costuma ser "um estrangeiro", como os da terra costumam chamar todos os que conhecem a cidade e por ela se apaixonam e para lá mudam e FAZEM O MAIOR SUCESSO!É o caso do jornalista Fernando Silva, de Ouro Preto, de Itabira...bem, do mundo! Eis o que ele pensa de Itabira: “Cada dia que passa, sentimos mais orgulho de ser itabirano. Ser itabirano é subir e descer ladeiras. Ser itabirano é reverenciar o passado e acreditar no futuro, com muita esperança e determinação. Ser itabirano é reverenciar Drummond intensamente em cada rua, praça, penedo, igreja e casarão colonial. Ser itabirano é embebedar-se de cultura, arte e tradição. Ser itabirano é caminhar pela madrugada de Itabira e ver o brilho das estrelas, a limpidez do céu e sentir o suave beijo do sereno na face. Ser itabirano é ter um encontro com Deus na solidão da igrejinha do Rosário. Ser itabirano é observar a força da luz, o reflexo nas montanhas. Ser itabirano é ser alegre, misterioso, romântico, espirituoso e guerreiro. Ser itabirano é realizar a proeza suprema de rimar “acá” com coração. Ser itabirano é ser itabirano, a plenitude da razão humana”.

ANOTAÇÕES DE OUTUBRO

FOTO:http://mants.files.wordpress.com/2006/10/cigarra.jpg

Cantam as cigarras neste outubro muito quente e com chuvas imperativas. Ainda que não cante como uma sentença do existir, assisto a minha existência indo. E entre as chuvas e as cigarras, compreendo, cada vez mais, o simples das coisas. Simplicidade que o meu inesquecível Hugo Werneck quis mostrar quando me disse que , toda a vez que eu ouvisse uma cigarra cantar, iria me lembrar dele.

Agora, vão se os anos e eu percebo que a vida tem uma função simples: nos dar condição de fazer o que viemos fazer e, mesmo que doa, com felicidade. Cantando, se me permitem metaforizar a cigarra e sua maravilhosa atuação(ainda que trágica). Dizem que ela canta e morre.

Evidente que não tenho a pretensão de “cantar e morrer” agora. Mas quero simplificar meu repertório, adaptá-lo às minhas condições vocais, ao meu timbre, ao meu tom. Ou seja, quero escolher músicas bem tranquilas, com letras que rimem amor e dor, com melodias para violoncelo, clarineta, piano e...suspiros.

Juro que se alguém me disser que as cigarras suspiram entre um cantar e outro, vou afirmar que são as maiores cantoras do planeta. Pois que o mais gostoso do cantar, principalmente para nós mesmos, é o suspiro que vem logo a seguir, por exemplo, das estrofes “ a espera de viver ao lado seu / por toda a minha vida”.

As cigarras, possivelmente, cantam esperando viver ao lado de alguém por toda a vida. Mas deve ser um alguém tão especial, tão gigantesco que uma vida só não basta para a frágil cigarra. Então, a cigarra não morre, depois de cantar; vai para o espaço onde ela e seu grande alguém cabem para sempre.

É O NEGÓCIO!

Sucesso total o loteamento Jardim Universitário, em Itabira, ao lado da UNIFEI. Com o mote “É O NEGÓCIO”, o empreendimento da Construtora Base, em apenas 10 dias, praticamente vendeu quase a totalidade dos lotes. Mais de 250. A comunicação e o marketing por conta de Peron Colombo e sua equipe. É o negócio!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

FELICE COMPLEANNO!


Hoje é o aniversário de Umberto Cerri, um dos maiores fotógrafos de automóvel do Brasil. Tenho a grata oportunidade de conviver- e trabalhar - com ele e com seu filho, Alessandro(que aniversariou no dia 24/09). Já bebemos bons vinhos, tomamos cervejinhas estupidamente geladas, discutimos sobre futebol, cinema, conjuntura política,filhos,velhice,futuros. Planejamos um restaurante em Búzios, uma viagem pelo interior da Itália.

Me recordo de um trabalho que fizemos juntos, em São Paulo, Ele fotografando, eu gravando imagens para um vídeo. A última cena e última foto seriam em frente a um hotel de luxo, próximo ao aeroporto de Guarulhos.

No trajeto, chuva. Ao chegarmos, com alguns pingos querendo estragar a escova e o molhar os ternos e vestidos dos figurantes. Afobado, sem querer adiar para o dia seguinte a gravação, suprimi uns planos de tomada de cena e resolvi gravar apenas as que estavam prevista para debaixo da cobertura do saguão de recepção. Enquanto isso, Cerri, sentado dentro do carro da produção, olhava para sua câmera, para o céu e para mim. E eu ia fazer feio na frente dele?! Nem pensar.

Gravei os takes, alguns sem repetição. E Umberto, tranqüilo, aguardava dentro do carro. Uma só vez, me disse: Se não der, gravo amanhã. Tenho tempo. Vou ficar na casa da minha filha, mesmo!.

Uns quarenta minutos depois, terminado o meu trabalho – eu feliz , pois a chuva ofereceu uma trégua – Cerri desceu do carro e disse para o produtor: coloque o carro ali, vou fotografar agora.

E então, o sol saiu detrás das nuvens e espalhou sua luz de final de tarde sobre o cenário e sobre a vida do mundo. E a primeira coisa que Umberto me mostrou, foi o reflexo de nós dois, no vidro escuro da portaria do hotel. E se foi a clicar!

Foi então que eu aprendi o que é a paciência e como é bom o tempo, quando a gente é cúmplice dele. Ou vice-versa. E que a vida é rápida, como a de nós dois naquele espelho.

Feliz aniversário, Umberto Cerri!

BOM DE SERVIÇO

Foto:http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2008/08/web-img_5284.jpg

O jornalista Antônio Achilis(na foto, ao lado do ministro da Cultura) não é mais presidente da Rede Minas de Televisão. Faz parte do mundo e das tramas enredadas da política, do poder e outras circunstâncias.

Competente, honesto e franco, além de uma pessoa que todos deveriam ter como amigo, Achilis conseguiu realizar diversas ações dentro da emissora – algumas consideradas “impossíveis” por um grande número de incrédulos que povoavam – e povoam - o prédio da avenida Nossa Senhora do Carmo. Inclusive a conquista do prêmio de “Melhor Veículo do Ano” (em 2007 e 2008) concedido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial.

Acredito que dentro da inteligência do governo Aécio Neves, e da percepção administrativa e empreendedora de Antônio Augusto Anastásia, Achilis vai ocupar lugar de destaque: por absolutos talento, competência e humanidade.

PERCEPÇÕES

Foto:http://oglobo.globo.com/fotos/2008/02/15/15_MHG_cult_cleyde.jpg

A atriz Cleyde Yáconis, "do alto de seus 85 anos" , disse para a jornalista Mônica Bergamo ( que publicou no Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo – 27/09/2009):


“EU ERA EUFORICAMENTE FELIZ. HOJE, EU SOU SERENAMENTE FELIZ. MUDA A COR, MUDA O TOM DA FELICIDADE”.

POETAS

Foto:http://www.ufmg.br/boletim/bol1502/Otavio%20Ramos.JPG

O poeta, filósofo,jornalista, ensaísta, editor e articulista Sebastião Nunes, em texto publicado no jornal O Tempo – 27/09/2009 – Caderno Magazine, escreve, sob o título “ No dia do aniversário de tua morte”, sobre o poeta Otávio Ramos, que morreu em 23/09/2005. E cita, num determinado instante da escrita, um dos títulos “mais brilhantes” do poeta: PISE DEVAGAR,VOCÊ ESTÁ PISANDO NOS MEUS SONHOS”. De acordo com Nunes, esse título “ reproduz o verso final do belíssimo poema de Yeats, tread softly, because you tread on my dreams.

domingo, 27 de setembro de 2009

REDES

FOTO:bradescobancodoplaneta.ni...


Eu pesco não é por ganância de peixes;
escamas não compreendem carinhos.
Bom é brincar de espetar as águas
que elas parecem, tem horas, gelatina.
Outras, são só derramamentos.

Eu me despejo em benevolências
por essas coisas.

sábado, 26 de setembro de 2009

QUESTÃO DE JUSTIÇA

EM SI TRATANDO DE JUSTIÇA E CUMPRIMENTO DA LEI, O QUE ESTÁ PRESO É APENAS A LÍNGUA QUE, AINDA ASSIM,CONTINUA "SOLTA".

QUANDO ENTRAR SETEMBRO...


Diz a melodia que “Quando entrar Setembro e a boa nova andar nos campos(...) Sol de primavera/Abre as janelas do meu peito/A lição sabemos de cor/Só nos resta aprender(...)”.
Setembro se vai. Boas novas e...más novas continuam a andar,navegar,voar por aí. Para meus pais eu talvez tenha sido uma boa nova, em um Setembro distante, num tempo em que ainda o autor da letra acima nem pensava em ser autor. 53 anos depois não sei se sou a mesma good news ou old good news.

Aprendi o sozinho das coisas, o simples das grandezas, o desnecessário da palavra sem a presença do ouvinte/leitor/revisor, a ilusão de eternidade que o conhecimento nos vicia a crer real, a razão pela qual os filhos “se vão”, os netos “chegam” e, como diz uma outra melodia( ah, eu aprendi a importância da música, dos livros e dos filmes) viva ya !(Em espanhol tem um outro ponto de exclamação, antes , mas eu não sei como escreve-lo neste teclado).


Así, ahora estoy vivendo. Uno dia después de otro. Y me voy en la carretera en busca de nuevos sueños. Son elles las mejores buenas nuevas de nuestras caminadas.

domingo, 30 de agosto de 2009

ELEMENTAR, MEU CARO WATSON

EM BRASÍLIA, TODOS OS BIGODES SÃO PARDOS !

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DE VOLTA


Patrick Charaudeau, em O discurso das mídias – Ed. Contexto, 2007, pág. 137 – diz que o ser humano se debate entre dois imaginários, o da aldeia e o do planeta. Segundo o francês, “ a aldeia, símbolo da força de campanário, conservadora, que lança as raízes da identidade bem fundo na terra mãe, a terra dos ancestrais, da família, dos vizinhos, dos amigos, das relações íntimas; a aldeia que delimita o horizonte de vida, o campo de ação do homem, àquilo que lhe é mais próximo, em que ele pode tocar ou reconhecer imediatamente como familiar. O imaginário do planeta, símbolo do desejo de expansão, de expansão para outros horizonte, e que, inversamente à força de campanário, não deixa que as raízes cheguem a se firmar e faz com que o homem, como a rosa dos ventos, deixe-se se levar através do espaço; o planeta que abre o horizonte de vida, o campo de ação do homem àquilo que é diferente, distante, exótico, que ele pode perseguir numa busca sem fim, vivendo permanentemente por procuração os mundos e os heróis que inventa para si”.

Luciana Katahira acaba de chegar de uma viagem de 36 dias pela Bolívia e Peru. Entusiasmada, emocionada, falante, ela é o exemplo daqueles que vivem o imaginário do planeta. Ama a vida, ama o mundo e sabe, como ninguém que – tomando emprestado uma frase de uma música dos Titãs – “é caminhando que se faz o caminho”.

Katahira é uma viajante. É uma das mulheres “mais homem” que conheço. Capaz de empreitadas radicais e, digamos, algumas vezes exóticas.

Mas ela tem a sua aldeia; um coração de felicidade extrema envolvido nas delicadas raízes de seus sonhos.

COITADO DO CHICO

http://portalamazonia.locaweb.com.br/sites/amazoniaagora/img/upload/chico_cesar.jpg

A revista Veja – edição 2127, de 26 de agosto de 2009 – traz reportagem especial sobre a Coréia do Norte. Num determinado momento, a jornalista Thaís Oyama pergunta: “ E onde está Kim Jong-Il, o filho? ( Kim Jong Il é o atual “querido líder” e representante, na Terra, de seu pai, Kim Il-sung, “ o presidente eterno”) E prossegue Oyama: “ Não demora para o visitante entender que o tirano norte-coreano, de cabelos espetados como os do cantor Chico César, é, entre os Kims, o menor”.

Style it´s style e, guardada as devidas proporções, os penteados se assemelham. Contudo, a repórter, nesse tal mundo homogeneizado, resolver continuar promovendo a aproximação entre a Paraíba e a Coréia do Norte. Da maneira, digamos, menos aconselhável, uma vez que pejorativiza o nosso querido Chico. Ela escreve assim, mais adiante: “ O Chico César coreano não é exatamente um gênio da política e administração – sua opção preferencial é pelo investimento em armas nucleares”.

Tomara que o nosso César não se empolgue com tamanha insensibilidade jornalística.

domingo, 23 de agosto de 2009

SABEDORIAS

Mensagem do meu filho caçula para os seus amigos de web: " A paciência é a arte da esperança".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SOBRE LIVROS E LEITURAS

Para quem gosta de ler, gosta de presentear, receber ou indicar livros, este belo escrito de Daniel Pennac:

Quando um ser querido nos dá um livro para ler, é a ele quem primeiro buscamos nas linhas:seus gostos, as razões que o levaram a nos colocar esse livro entre as mãos, os fraternos sinais. Depois é o texto que nos carrega e esquecemos aquele que nos mergulhou nele:toda força de uma obra está, justamente, no varrer mais essa contingência! Entretanto, com o passar dos anos, acontece que a evocação do texto traz a lembrança do outro; certos títulos se transformam então, em rostos.

sábado, 15 de agosto de 2009

RETA FINAL


A assessoria de Luciana Katahira informa que a jornalista está em Cuzco, Peru. Por questões administrativas e legais, ao que parece, Katahira não poderá gravar imagens da cidade. Cuzco é a penúltima cidade a ser visitada pela apresentadora do programa Cidade da Gente. A viagem, que começou em 17 de julho vai terminar no dia 24 de agosto. Ainda de acordo com as informações, Luciana vem trazendo na bagagem lindas imagens, valiosos depoimentos e, claro, como é de praxe nas aventuras dela, muitas histórias engraçadas.

TALENTO E SIMPLICIDADE


Meu amigo e excelente profissional na área de vídeo, Leo Fontes, apresentando um clipe que sua produtora, a Planeta Vídeo, produziu para Yasmin Faria cantando One Step Before the Door.
Cliquei no endereço http://www.youtube.com/watch?v=iUrWXaezFjY .
Realização bem sucedida, com simplicidade e emoção. Experimente assistir.

BOA IDÉIA PARA SE CONCRETIZAR(não para beber)

Minhas relações com Itabira, assim como com Conceição do Pará, Alfenas, Fama, Itaú de Minas, Piumhi, Passos, São Sebastião do Paraíso,Araçuaí, Minas Novas, Itamarandiba, São Roque de Minas, Pouso Alegre são afetivas e cheias de amigos e emoções. Agora, lá de Itabira, Armando Bello, filho de Carangola ancorado entre os morros itabiranos, colunista de boa cepa, está sugerindo que seja criado na cidade uma espécie de semana drummondiana. Algo semelhante ao que acontece em Paraty, com seu encontro internacional de literatura. A idéia é brilhante e ótima para o período mais frio na região. Acredito que pode ser concretizada sem prejudicar outro bom evento da que é o festival de inverno itabirano.

AONDE O POVO ESTÁ

Manifestação na BR 381, no trevo para Itabira-MG. A experiência e a ponderação juntas com a juventude e a vontade de trabalhar participaram, ao lado da comunidade, de uma mobilização em favor das obras de duplicação da rodovia. João Izael, prefeito de Itabira, Ronaldo Magalhães, deputado estadual e Neidson de Freitas, vereador e presidente da Câmara itabirana. Exemplos de cidadãos e homens públicos que não se escondem nos gabinetes.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

DEIXA QUE O BOECHAT RESOLVE

FOTO:http://www.aprendebrasil.com.br/projetos/rallysertoes/imagens/brasilia/congresso_nacional_brasilia.jpg

Ao que parece o espaço midiático vem assumindo, velozmente, papéis que, até então, deveriam ser desempenhados pelas instituições, pelos legisladores, pelos executores e, óbvio, supervisionadas por nós, cidadãos que, ao final das contas, somos os responsáveis finais pelas decisões, atitudes, mandos, desmandos e, com perdão da vulgaridade, pela zona generalizada que vai desde o emprego para o namorado da neta até o desvio de milhões ou a morte de centenas ou dedos sujos saindo e entram por orifícios e ratoeiras vários.

Eliseo Verón em seu livro Fragmentos de um tecido, no capítulo “As mídias na recepção: os desafios da complexidade”, aponta para o fato de que “ a passagem das sociedades midiáticas para as midiatizadas expressa, na realidade, a adaptação das instituições das democracias industriais às mídias, tornando-se estas últimas as intermediárias incontornáveis”.

Evidentemente que, ainda, essa gestão social se encontra sob o controle das estruturas políticas organizadas, ou seja, o Estado e os partidos. Pensando a idéia de Pizzorno sobre esse sistema como mediador e politizador dos objetivos sociais, os últimos anos de governabilidade no Brasil têm demonstrado que as nossas instituições, como pondera Verón, a respeito das instituições políticas das democracias industriais, “parecem ter cada vez mais dificuldades de exercer essa função de mediação entre os coletivos que definem as identidades sociais e seu ambiente”. Na sua percepção,” as mídias, intermediários obrigatórios da gestão política das representações sociais no período da midiatização, hoje têm uma tendência a se tornar autônomas, de “curto-circuitar” as instituições políticas”.

A consequência dessa auto-governabilidade, dessa autonomia, caso aconteça de vez, sobre a máquina política indicaria, para Verón, “ que entramos em um período novo que nos leva para além da midiatização, tal como a conhecemos até agora”. Ao contrário de redundar no clichê de “quarto poder” – o que nivelaria as mídias aos outros três – na hipótese de um novo período de midiatização, alerta Eliseo, as mídias seriam o lugar(o único) em que, no plano da sociedade global, far-se-ia o “trabalho” sobre as representações sociais: as instituições políticas seriam cada vez mais desapossadas dessa função”.

Os posicionamentos dos âncoras dos telejornais, a contundência – ou superficialidade - das reportagens, os canais de locução e interlocução com a sociedade e as “saias justas” dos infindáveis talk shows sinalizam para isso.

sábado, 1 de agosto de 2009

DIREITO E JUSTIÇA

O pensador e filósofo alemão,Walter Benjamin, em “O novo advogado” diz que o Direito, ao contrário de ser aplicado, mas se apenas estudado, é a porta da justiça. Contudo, alguns “estudantes” deveriam fazê-lo por detrás das grades. Até porque a porta da justiça deveria abrir para os dois lados.

NO PERDER LA TERNURA

Vento vem, vento vem e a verdade é que ninguém pode tutelar ou submeter ninguém! A crônica de Nelson Motta pode ajudar a confirmar.

SANGUE,SUOR E BRAVATAS
Crônica de Nelson Motta publicada no site. www.sintoniafina.com.br


O comandante Raúl Castro já avisou ao povo que a coisa está feia e que a crise mundial exige sacrifícios de todos. Não é novidade: é o que os cubanos já vêm fazendo nos últimos 50 anos. Os sábios do Partido, os grandes planejadores, os faróis do socialismo, concluíram que a única solução será arrendar 40% das terras férteis do Estado, que estão ociosas, e mandar o povo plantar o que comer. Pátria o muerte !

Depois de 50 anos de reforma agrária, fazendas coletivas, cooperativas rurais, agricultura comunitária, todas as formas de coletivização agrícola socialista foram postas em pratica - e resultaram em incontestável fracasso. Do contrário não haveria tanta terra ociosa, tanta gente desempregada e tanta escassez de alimentos na ilha, depois de 50 anos de “povo no poder”.

Os companheiros cubanos vão descobrir que uma agricultura produtiva não se faz com vontade política e patriotismo, mas com máquinas modernas e tecnologia, e é movida pelo empreendedorismo e pela busca de remuneração para seus trabalhadores e investidores. Mas o perfeito idiota latino-americano é fiel ao modelo fidelista. Socialismo o muerte!

O comentarista de economia da TV estatal cubana, Ariel Terrero, na pratica um porta-voz do governo, falou claro:

"O arrendamento de terras estatais a 80 mil pessoas, que afinal é colocar a propriedade estatal nas mãos dos produtores, poderia ser aplicado a outros setores, como os serviços alimentícios, o comércio varejista e outras áreas onde é realmente impossível, diante da diversidade e dos objetivos dos negócios, que o Estado administre diretamente. São necessárias fórmulas mais dinâmicas, mais inteligentes, de entender a propriedade, de administrar um serviço ou uma cafeteria."

Levaram 50 anos de sangue, suor, lágrimas e bravatas, sobre multidões de mortos, para chegar ao óbvio. Logo vão descobrir que, como no Brasil, é o agronegócio bem-sucedido que multiplica e barateia os alimentos, cria empregos e gera divisas para o país importar os equipamentos de que precisa para se modernizar e crescer.

Se continuarem assim, os cubanos vão acabar caindo numa democracia.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A LEI HAVAIANAS

O SENADOR JOSÉ SARNEY AGORA VAI RECORRER À LEI HAVAIANAS: É SÓ BATER UMA NA OUTRA QUE A TRISTEZA VAI EMBORA.

A LEI DE MARCOS PALMEIRA

EM TEMPOS DE CRISE, OU QUALQUER OUTRO PROBLEMA, LEMBRE-SE DA LEI DE MARCOS PALMEIRA:
TIRE AS SANDÁLIAS E FAÇA DE CONTA QUE NÃO É COM VOCÊ.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

AMOR DE CINEMA

FOTO: http://www.ailtonfotos.blogger.com.br/martinica.jpg

Outro casal belíssimo no cinema – e depois na vida real – é Humprhey Bogart e Lauren Bacall. E o relacionamento dos dois começa exatamente no filme “Uma aventura na Martinica”. Ela estava com 19 anos.

LIÇÃO DE AMOR

Um poema lindo, de um poeta simples e tão poderoso, e apaixonado por sua mulher. João Paulo Paes.

Aqui estou,
Dora, no teu colo,
nu
como no princípio
de tudo.

Me pega
me embala
me protege.

Fostes sempre minha mãe
e minha filha
depois de teres sido
(desde o princípio
de tudo) a mulher.

terça-feira, 28 de julho de 2009

PELAS ESTRADAS DA AVENTURA


A jornalista Luciana Katahira chega, hoje, a Potosí, Bolívia. Ela já passou por Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, Uyuri (com direito a deserto e seus “confortos”).

MELHORAR É POSSÍVEL?

Lastimável, mas nada surpreendente, o que vem acontecendo no Congresso Nacional. Holofotes em Sarney, respingos do ventilador em pelo menos uma centena de “representantes do povo”. Lula tenta salvar o senador Sarney pelo favor que esse lhe fez ao fazer arquivar a CPI do Banestado. Será possível mudar essa situação?

A colunista Dora Kramer, em texto publicado no jornal O Tempo(26/07/2009), com o título “Melhorar é possível” , afirma que “ político identifica a direção do vento,mede a força das marés e, quando se trata de ganhar votos, não contraria a natureza”. A idéia de Kramer é a de que “ imposto num patamar mais escrupuloso de demandas, a consequência natural é que a escolha recaia sobre políticos que se enquadrem à nova filosofia”. Quer dizer, pode-se melhorar o cenário, com a eleição de “representantes” éticos, escrupulosos, honestos.

A questão mais delicada, contudo, está no fato de que será preciso que esses “representantes” encontrem financiadores semelhantes e mais, eleitores idem. Enquanto os candidatos estiverem obrigados a pagar botijões de gás, sacos de cimento, passagens para o interior, frangos para quermesses e novilhos para churrascos, além de troféus para múltiplas competições e por aí vai, dificilmente melhora. Dificilmente.

Perdoem-me os puristas e ingênuos, mas nós é que somos os ladrões de nós mesmos.

PAR PERFEITO

FOTO:http://www.doctormacro1.info/Images/Bergman,%2520Ingrid/Annex/Annex%2520%2520Bergman,%2520Ingrid%2520(Gaslight)_01.jpg&imgrefurl=http://www.doctormacro1.info/Movie%2520Star%2520Pages/Bergman,%2520IngridAnnex.htm&usg=__Bw4S_ColICW3wPhqPw9K1uqBqjU=&h=1998&w=1597&sz=851&hl=ptBR&start=18&tbnid=OVUko5VpmSAQvM:&tbnh=150&tbnw=120&prev=/images%3Fq%3DGaslight26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR

Alguns atores e atrizes do cinema são inesquecíveis. Diretores, roteiristas, técnicos também. Ingrid Bergman e Charles Boyer são desse time. E com um refinamento: bons e belos atores. Bergman, na minha opinião, é a atriz mais linda do cinema. Boyer, um dos mais elegantes galãs, com suas nuances francesas.

Sob a direção de George Cukor, os dois estão em Gaslight, traduzido para “À média luz”. Ingrid queria muito filmar com Boyer e o resultado da interpretação dos dois é espetacular. Tanto que a sueca conquistou o seu primeiro Oscar pelo papel de Paula e Boyer foi indicado para o prêmio de melhor ator pelo personagem Gregory. Por falar em interpretação, a interpretação de Joseph Cotten para o policial Brian Cameron é digna do talento dessa ator.

Difícil de ver o filme? Bom, se você correr, ainda pode encontrar nas bancas o livro-dvd número 17 da coleção Folha Clássicos do Cinema . Ou solicitar pela internet no site da Folha.

ITABIRA DAS ARTES

Bem, agora é preciso testar a capacidade de mobilização da classe artística itabirana para o aproveitamento de um exemplar espaço de trabalho; o teatro de arena Norberto Martins, instalado no Parque Natural Municipal do Intelecto. O parque demonstra como pode ser proveitosa as relações entre poder executivo, legislativo, iniciativa privada e comunidade. Esta é a notícia extraída do site www.viacomercial.com.br.


Prefeitura de Itabira inaugura Parque Natural

A Prefeitura de Itabira(MG) inaugurou, domingo (26/07), a primeira etapa das obras do Parque Natural Municipal do Intelecto.

O parque está sendo construído numa parceria entre Prefeitura e Vale – a mineradora cumpre a condicionante número 34 da Licença de Operação Corretiva (LOC). O projeto completo está orçado em R$ 7.178.911,86.

Nesta primeira etapa, que será inaugurada domingo, já estão concluídos o teatro de arena, a praça de alimentação, o mirante do Museu de Território Caminhos Drummondianos e parte das trilhas – a que dá acesso ao teatro, ao mirante e ao Memorial Carlos Drummond de Andrade. Nesta primeira etapa, o acesso ao parque se dará, apenas, através do portal do Campestre. Os outros portais serão instalados na segunda etapa da obra, que já está em execução.

O teatro de arena – que levará o nome do cantor, compositor e violinista Norberto Martins – tem capacidade para aproximadamente 2 mil pessoas assentadas. A arquibancada é composta de 280 bancos de madeira tratada. A concha acústica – conjunto composto pelo palco do teatro e camarins, banheiros, sala de estar e depósito –, construída em alvenaria, tem como rebatedor principal uma concha recoberta por lona tensionada. A praça de alimentação tem quase 400m2, cobertura em lona e 12 banheiros.

No Pico do Amor está instalado o mirante, construído com deck de madeira de eucalipto, com estrutura tensionada com cabos de aço. De lá é possível ter uma visão total da cidade, em ângulo de 360º.

A construção deste parque representa uma das mais importantes obras de conservação ambiental no perímetro urbano. O parque foi incluído no projeto Mosaico, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que pretende elevar os 0,7% do território da cidade destinado à Área de Proteção Integral para, no mínimo, 10%, ou seja: 13 mil hectares protegidos permanentemente. Para isso, em locais previamente definidos, serão implantadas unidades de conservação ambiental. A primeira a sair do papel é a do Intelecto.

O projeto completo prevê a construção do Centro Experimental de Educação Ambiental (Ceea), onde funcionarão a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), o Instituto Estadual de Florestas (IEF), secretarias das Bacias Hidrográficas e sete salas temáticas. Além do Ceea, o parque deverá possuir orquidário, playground, viveiro de mudas, borboletário, heliporto, passarela e trilhas, academia e área de camping. O parque também irá incorporar o Hospital Carlos Chagas e o Memorial Carlos Drummond de Andrade. O acesso se dará através de cinco portais que serão instalados nos bairros São Pedro, Campestre, Penha, Santo Antônio e Centro.

MEMORIA DEL SAQUEO

FOTO:http://jovenesdespiertos.files.wordpress.com/2008/08/64937_memoriasaqueo.jpg&imgrefurl=http://jovenesdespiertos.wordpress.com/2008/08/20/memoria-del saqueo/&usg=__u6jGKlJl_4t2OgYFJSM2w8THNhs=&h=945&w=671&sz=191&hl=pt
BR&start=2&tbnid=JKHJDkwA38t_ZM:&tbnh=148&tbnw=105&prev=/images%3Fq%3DMemoria%2Bdel%2Bsaqueo%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR


Foi através de uma solicitação feita por uma pessoa - muito atenta aos acontecimentos, muito bem informada – para uma grande amiga minha, que tomei conhecimento da existência do documentário MEMORIA DEL SAQUEO , do argentino Fernando E. Solanas. Em duas partes, o documentário está disponível no Youtube. A obra é um impressionante exemplo de como as relações entre políticos e a iniciativa privada pode causar danos vergonhosos para uma nação, no caso a Argentina. Por outro lado, é um exemplo de povo, de paixão pelo país. Os argentinos, pense o que quiser, tem sangue nas veias. E, se necessário, o oferece em defesa da democracia,da liberdade e da dignidade humana.

sábado, 18 de julho de 2009

PELOS CAMINHOS DE LUCIANA


A jornalista, roteirista e diretora, Luciana Katahira, partiu, ontem, para mais uma, com certeza, espetacular viagem. Essa nova aventura faz parte das séries especiais do programa “Cidade da gente” que Luciana produz para a TV Horizonte, canal 19 UHF.


Desta vez, a rota sai de Belo Horizonte, vai para Campo Grande e Corumbá, no Mato Grosso. A seguir, a atravessa a fronteira em direção a Santa Cruz de la Sierra, no conhecido “trem da morte”. Daí, ela segue pelas terras da Bolívia e Peru.

Katahira visita Cochabamba, Uyri, Copacabana, La Paz, Ilha do Sol, Arequipa, Cuzco, Machu Picchu, Nazca, Lima. É uma viagem solitária, onde a jornalista cumpre, além das funções habituais, as tarefas de cinegrafista e operador de áudio.

Pelo que foi mostrado na série especial “Argentina”, esta nova “trilha” promete emocionantes capítulos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

PELAS ROTAS ANDINAS

A jornalista Luciana Katahira parte, agora, para a Bolívia e o Peru. A vigaem começa dia 17 de julho e termina 24 de agosto. Pelo que foi mostrado de sua viagem até a Patagônia, essa nova aventura promete. Boa sorte e sucesso.

PARA INICIAR UMA VIAGEM

VIAGEM

Estável como rota no espaço,
propulsão e pára-quedas,
meu coração flutua
para pousar na sua Lua.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

EIS QUE É CHEGADA A HORA...


Lipovetsky afirma que vivemos um tempo hipermoderno, de hiperconsumo. Nessa vida superlativa, penso eu, acreditamos ser hiper-homens. Se hiper, que é mais que o super, a cada momento parece-nos mais inevitável a eternidade do que a morte. Ou que a morte é só para aqueles que não são hiper, ou que deixaram de seguir as normas, ou que as normas foram maiores que eles. Ou então, para lembrar Guimarães Rosa, a morte só acontece para aqueles que não são capazes de enfrentar o risco de viver. Os hiper-homens não morrem?

Morremos, hiper ou não. Questão de tempo que não é questão humana mas, outra vez o velho Rosa, “ o tempo é a vida da morte” , diz Riobaldo .

Penso que esta frase encontra uma outra semelhante contida no filme japonês “A partida” , Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro de 2009” . O roteiro é de Kundo Koyama e a direção de Yôjirô Takita, que, curiosamente, começou a carreira com os chamados 'pink films', ou seja, pornôs leves.


Se o filme tem falhas, e as tem (muito ocidentalizado, vai do drama ao dramalhão, traz muitos convencionalismos e um final previsível já na metade da exibição), também tem qualidades como as interpretações de Masahiro Motoki, no papel de Daigo e do veterano Tsutomu Yamazaki, no papel de mestre de Daigo. Contudo, o que mais incomoda é nos vermos diante da delicada tarefa de dar fim aos corpos de nossos mortos. E, neste instante, descobrirmos um ser vivo que não conhecíamos enquanto estava entre nós.

É evidente que a cultura oriental ( em especial a japonesa) tem uma relação ritualística com seus mortos diferente de nós, ocidentais. Mas mortos são mortos. E Daigo aprende com seu mestre a arte de preparar os corpos dos mortos para “ a partida”. Este é o aviso do filme, mesmo que os críticos não gostem dele( mas críticos são hiper!): vamos todos, um dia, realizar nossa partida. Inclusive os críticos de cinema.

Assim, “ o tempo é a vida da morte” e até que a nossa chegue, vamos seguindo na nossa performance canibal de matar e comer outros seres vivos, desde esperma de baiacu até o nosso semelhante( em sentido literal, ok?). Pois somos hiper( mas não somos críticos de cinema).

Vale muito assisti-lo.

Atenção, espertos!

FOTO: http://www.s9.com/images/portraits/7587_Deleuze-Gilles.jpg

“É destino da astúcia parecer ingênua demais a ingênuos sábios demais”.
(GILLES DELEUZE em “A imagem-tempo” – Ed. Brasiliense)

sábado, 6 de junho de 2009

GENTE


Estréia hoje, na TV Horizonte, canal 19 UHF, às 20:30, o programa Cidade da Gente – Série Especial Argentina. A jornalista Luciana Katahira ( que também é a roteirista e diretora do programa) viajou, sozinha, quase 6.000 quilômetros até a patagônia argentina: o “ fim do mundo”, como é carinhosamente conhecida a cidade de Ushuaia, destino final da viagem.

Até chegar lá, Katahira esteve em Buenos Aires, Bariloche, El Calafate e Puerto Madryn( ou Puerto Madryn, El Calafate). Assumindo também a responsabilidade de fazer as imagens, gravar a si mesma para as aberturas, passagens e encerramentos, além das entrevistas, ela comprova sua habilidade, talento e competência para o fazer jornalístico. Sem estrelismo, sem ser maior do que o evento a que se propôs realizar, a jornalista nos oferece um sensível e delicioso passeio pelas terras argentinas. Terra de gente culta, amável, apaixonada por sua história, por seus patrimônios.

Mais do que isso, o especial Argentina é um atestado da disposição e do amor que Luciana tem pelo programa Cidade da Gente(sem nos esquecermos de que ela também é responsável pelo programa Este bicho é o bicho, outro sucesso na grade da emissora e nos sites da internet ). O Cidade da Gente, por falta de patrocínio, vive em agonia na grade da tv, com reprises e mais reprises. O “bicho”, heroicamente, ainda resiste. Na minha humilde reflexão, o Cidade cai como uma luva para a Fiat, por exemplo.

Para concretizar esse projeto de viajar até “ o fim do mundo”, Katahira arcou com todos os custos, fez o plano de viagem, financiou passagens, comprou câmera, microfone, pediu emprestado o tripé de câmera fotográfica do pai, comprou fitas, e foi. Passou aperto por não conseguir sacar dinheiro, conseguiu resolver o problema em contatos telefônicos com seu banco no Brasil(que consumiram o resto do dinheiro que tinha). Chorou, pensando que a lente de sua câmera tinha trincado(depois descobriu que a câmera ligada estava enquadrando a janela do trem em que viajava e que era o vidro da janela que estava trincado). Comeu pouco da muita comida que lhe foi servida (principalmente el chorizo). Uma curiosidade: em castelhano, churrasco(a) quer dizer mulher de aparência muito atrativa.

Pegou uma espécie de “sarna do gelo” e ficou se coçando por muito tempo. Aprendeu em cinco minutos, num curso intensivo, “como esquiar sem cair muito”. Acreditou que tinha tudo dominado e pôs a câmera para gravar: aí, caiu!

Conheço Katahira há 10, quase 11 anos. Ela, no início de sua carreira na Tv Horizonte, foi lançada “aos leões” no primeiro dia de trabalho: fazer reportagem de rua, ao vivo, na praça 7, em Belo Horizonte. Por várias vezes, ajudou o cinegrafista a instalar o microondas, e escapou de uma chuva de ovos podres no Alto Vera Cruz. Foi literalmente chutada por um diretor da tv, durante uma transmissão ao vivo do vestibular da UFMG. Com o repórter no ar, o tal diretor quis entrar e a Katahira estava segurando a porta. Ela fez sinal para que ele esperasse e o diretor não quis nem saber e resolveu entrar. E chutou a porta e a ela. Saiu para inúmeras externas sem um tostão e ficou sem comer por mais de 12 horas. Quase morreu afogada num acidente de carro durante uma viagem de trabalho. Tempos depois, após uma cirurgia em consequência do acidente, percebendo que um dos polegares não se movia, descobriu que não haviam refeito o ligamento do mesmo. E foi obrigada a fazer outra cirurgia na mão.

Fez o Voz da Comunidade, depois passou a roteirizar/produzir/apresentar o Este bicho é o bicho(no seu primeiro programa, sobre a girafa, escreveu alguma coisa como “ no mundo da moda dos bichos, ela seria a top model ” ). A seguir, conquistou o posto de apresentadora/produtora do Cidade da Gente, além de produzir os programas Festas de Minas e Gente.

Atriz(não disputou o prêmio de Atriz Revelação pelo seu papel na peça Cães de Palha, do Oficinão do Galpão porque não era sindicalizada),conquistou dois de Melhor Atriz nos curtas Caixa Postal e O tempo ( em Pernambuco e Espírito Santo).

Mais: Katahira também é roteirista/produtora/diretora (dos especiais) do programa TVX; produz e dirige o programa Sempre um Papo para a Tv Câmara; é redatora da revista Vitrine Itambé e revisora da revista Amipão.

Ainda assim, pelo seu jeito simples de ser, pela sua educação e respeito ao próximo, pelo seu espírito de solidariedade( atributos tão afastados entre os profissionais das mídias) Katahira enfrente o desrespeito de alguns, a incredulidade de outros e a indiferença de muitos.

A razão de toda essa escritura? A felicidade de conhecer pessoas como Luciana Katahira. Maior do que muito de nós, inclusive eu.

domingo, 24 de maio de 2009

ONDE ESTÁ A FOTO DO MENINO?



FOTO: http://www.ouropreto.com.br/noticias/imagens_noticias/thumbnails/tizumba

Tem show na praça e de graça, hoje, 24/05. Com direito a anúncio no caderno Cultura do jornal Estado de Minas. Mas o anúncio não traz a foto do Tizumba e o Tambor Mineiro. E olha que pela diagramação, espaço até que tem. Com todo o respeito ao Jota Quest e a Takai, quem vai por fogo mesmo na praça da Estação, nesta tarde possívelmente fria de domingo, vai ser o Maurício e a tamborzada. Mas que ficou esquisito não ter a foto dele no anúncio, ficou!

O ENCANTADOR DE LEITORES

FOTO:www.idelberavelar.com/archives/literatura/

O caderno Magazine do jornal O Tempo , de hoje, 24 de maio de 2009, traz matéria de capa assinada pelo jornalista Júlio Assis, sobre o lançamento do livro “Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras”, de Ubiratan Machado, editado pela Ateliê Editorial. Notícia auspiciosa para quem gosta de livros, livrarias e livreiros.

Contudo, na continuação da reportagem, leio na página 3, sobre o falecimento(no dia 7 de abril) de Amadeu Rossi - que eu arrisco a chamar de “encantador de leitores” tamanho o seu amor pelos livros. Morreu um amante dos livros que abriu sua livraria, em 1948, na rua Tamoios, entre Guarani e Olegário Maciel.

Tive a oportunidade de ouvir dele momentos espetaculares de sua vida e de sua paixão pelos livros. Paixão essa que, com certeza, está agora na responsabilidade de seus filhos, Lourenço e Amadeu. Tive a honra de receber dele, como presente para o meu filho mais velho, um exemplar sobre a vida de Bethoven e para mim, um exemplar de um dos volumes de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust. Foi através de Seu Amadeu que eu pude ler A Cartuxa de Parma ou obter um exemplar de uma edição de 1950 e ...de A Fome, de Knut Hamsun, por exemplo. Felizmente, minha humilde biblioteca guarda a grandeza de livros adquiridos na Livraria Amadeu.

Seu Amadeu é uma dessas pessoas que confirmam Fernando Pessoa: não é uma alma pequena.

sábado, 23 de maio de 2009

EM JUNHO.AGUARDE!

FOTO:Luciana Katahira/Arquivo de viagem ARTE:LK COMUNICAÇÃO

Confirmada para junho(provavelmente dia 6) a estréia do programa CIDADE DA GENTE - Série especial Argentina, na TV Horizonte, canal 19. São cinco programas: Etapa Buenos Aires, Etapa Bariloche,Etapa El Calafate, Etapa Puerto Madryn e Etapa Ushuaia. A " passagem para o fim do mundo" é uma aventura emocionante que a jornalista e diretora, Luciana Katahira, fez até a patagônia argentina. Enfrentando os desafios e os mistérios de uma viagem solitária, o resultado do trabalho de Katahira é uma generosidade dos lugares visitados, e dela, para com todos nós.

ESTA É PARA O DR. SPOCK

FOTO: neonlimelight.com

Recebo um spam com o seguinte título: MAKE YOUR VOLCANO ERUPT MORE LAVA . Coisa que só o Doutor Spock pode explicar.

POESIA DE SÁBADO


ESCRITOS ANTIGOS PARA ASSUNTOS SEMPRE NOVOS

Negrito
Nos meus arquivos encontro esta crônica, escrita depois de uma conversa com meu filho caçula, em 2002. Sete anos depois, ainda que ele também esteja aprendendo incertezas, tudo me parece tão apropriado.
TELESCÓPIOS

Meu filho mais novo, o caçulinha, completa dez anos hoje. Ainda me lembro quando ele deu as caras por aqui depois de uma cesariana. Veio sujinho de sangue, embrulhado em panos limpos nos braços de uma enfermeira com ares e modos de mãe do mundo.

Hoje ele recebeu mais presentes e telefonemas do que imaginava. Mais tarde, só nós dois em convívio, assistismos um filme em vídeo, almoçamos um mexido de arroz, lingüiça, ovo e feijão. Até a sua hora de ir para a escola. De calça curta, que o sol tá brabo.

O calor em Belo Horizonte anda insuportável. Por mais que a meteorologia dê explicações, os seus equipamentos são tão precisos como a opinião de parentes sobre o sexo do nosso filho. Quer dizer: cinquenta por cento de chance de acerto e igual proporção de erro. E os que acertam juram de mãos postas que nunca erraram um palpite. Já os derrotados alegam que foram enganados por certas condições e características apresentadas pela futura mãe: tamanho e circunferência da barriga; apetite; irritabilidade; quantidade de pontapés e coisa e tal. A meteorologia bate o escanteio e corre para cabecear.

Nestes tempos de tanta modernidade, dos inúmeros avanços científicos, parece um contra-senso aceitar uma ciência cujas bases são o palpite e a previsão. Se os técnicos conhecessem o João da Areia ficariam espantados. Sem aparelho nenhum, o homem acerta mesmo! Se bem que nos últimos anos ele anda meio ressabiado com a vida e a natureza.

Por outro lado, acabo de ler uma notícia de que o telescópio Hubble, engenho humano que orbita a quinhentos e sessenta quilômetros da Terra, está prestes a nos explicar a origem do Universo. De acordo com a estimativa da NASA ( não vou cair na tentação do sinônimo cético), lá para 2010, o invento de doze mil e quinhentos quilos vai dizer como tudo começou há quinze bilhões de anos. Nele está um equipamento que, se instalado em Washington é capaz de localizar dois pirilampos, a dois metros de distância um do outro, em algum jardim de Tóquio.

Imagino os físicos, matemáticos, biólogos, astrofísicos e toda a seleção científica mundial se deparando com um par de mãos a segurar uma caixa de fósforos e uma bomba(daquelas que na minha infância eram chamadas de “garrafinha”). Já pensou se o começo de tudo foi um traque no céu?

Gostaria de saber ao Luiz Ernesto sua opinião a respeito. Até que isto ocorra, vou ao terreiro e olho para o alto: chove ou não chove?

O aniversariante aparece e se manifesta intrigado com o meu cientificismo de depois do almoço. Quer saber como a gente descobre se vai chover ou não apenas olhando para cima. Nestas horas não me recordo de nenhum psicólogo ou pedagogo disponível para discutir questão tão relevante com um menino de dez anos.

Achismo é a ciência da moda. Todo mundo acha alguma coisa. Até mesmo quando temos certeza, dizemos eu acho. É o maior nariz de cera do diálogo esquivo da Humanidade.

Dez anos e meu filho me pergunta aquilo que, eu acho, nunca perguntei ao meu pai. Talvez porque naquela época – alguns dez anos atrás – a palavra ou o silêncio dele sempre foram verdades indiscutíveis. Não tínhamos idéia de como seriam as coisas nem através de um binóculo !

O mundo ficou grande. Meu filho é uma destas grandezas. Atento ao que está à sua volta, não demora muito e será capaz de me trazer inacreditáveis certezas. Em 2010 haverá de comemorar seus dezoito anos lendo a história do princípio de tudo. Quem sabe, até rindo das histórias que eu lhe contei.

Mas será meu filho, como são os outros quatro irmãos que ele tem, dos quais duas ainda não conhece. Por enquanto escondo dele as aventuras do meu telescópio particular. Será um ser humano questionando a vida vivendo-a.

Ao meu lado, sentado à escada da varanda de sua casa, quer saber de mim se vai chover. Respondo que não. Ele se vai em busca de novos conhecimentos.

Agora que a chuva cai, meu palpite na enxurrada, gostaria de estar ao seu lado para explicar as incertezas do homem. Melhor não. Prefiro que o meu olhar de pai apaixonado seja dois pirilampos a vigiá-lo. Tomara que o telescópio dele esteja em reparo.

POVO QUE TEM HISTÓRIA, CONTA!


A Câmara Municipal de Itabira promove, neste 27 de maio próximo, a exibição e o lançamento do vídeo ONTEM, UM PRESENTE PARA O AMANHÃ. Avô passeia com sua neta pela cidade e conta partes da história política,social,econômica e cultural do município e mostra como são importantes a Câmara de Vereadores e a participação de todos para o desenvolvimento de uma cidade. Bela peça!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FAZENDO SUCESSO NO JAPÃO

Estamos de volta da nossa viagem ao Japão, o que já se tornou pra nós algo inesquecível. Foram 21 dias muito intensos, um livro pra contar, às vezes, parecia que estávamos mesmo em outro planeta. É incrível a riqueza e diversidade daquele lugar, sua cultura, o jeito de ser das pessoas, de maneira geral contidas, mas muito gentis, corretas e absolutamente refinadas.

Tivemos lotação esgotada em todas as nossas apresentações, em duas delas tivemos que fazer sessão dupla, e ao melhor estilo japonês, com som, luzes e tudo mais, perfeitos! Ficamos muito impressionados e surpresos com o público que temos por lá, pra vc ter uma idéia, fomos comprar discos na Tower Records de Tóquio, a maior do mundo, com 7 andares, e no setor de MPB haviam apenas dois stands individuais, um do Caetano, e outro nosso, com dizeres de bem-vindos ao Japão.

Tudo isso graças ao excelente trabalho do nosso produtor, Yoshihiro Narita. Ele é sensível e impecável, cuidadoso com cada detalhe, e realmente tem sido um grande parceiro e responsável pela disseminação do nosso e de vários outros trabalhos de música brasileira no seu país.

Foi muito bom sentir de perto, a receptividade e o amor dos japoneses pela boa música brasileira, e o quanto ela está presente entre eles. No blog do site dele (Yoshi), tem algumas fotos das nossas apresentações. www.nrt.jp

Bem, agora já estamos por aqui na nossa boa e velha rotina: obra, aulas, projetos...

Um forte abraço pra vc, dos amigos,Renato e Patricia .

sábado, 9 de maio de 2009

PELA INTERNET

TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca.. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

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