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quarta-feira, 30 de junho de 2010

29 DE JUNHO, FOI O DIA DE SÃO PEDRO

Na correria, esqueci de homenagear São Pedro, o porteiro do Céu, cuja festa se realiza no dia 29. Desculpe-me, Pedro!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

MICHAEL JACKSON 3

FOTO:thewintergirl.files.wordpress.com/2009/07/mic...

Nesse jogo profano/sagrado ao qual Michael se submeteu, mas que também ditou as regras, seus fãs, como se numa hipnose da sociedade do espetáculo, assumiram uma cumplicidade com a metamorfose do ídolo, embalados pelas canções e pelo frenesi anatômico de um ser em estado de êxtase nos palcos e clipes. “Sua atuação total dos anos 1980 e 90”, analisa Ab'Sáber, “seu espetáculo total, incluindo aí o próprio corpo, a ponto de virar uma coisa de si próprio, sinalizou mesmo a época de mudança do modo de orientar a subjetividade frente ao crescente poder do mercado e o falimentar valor da política: do humanismo do sujeito sonhador ao fetichismo e exibicionismo do psiquismo atuador, que busca se identificar com o poder crescente e total da coisa na cultura, a ação visível da própria forma mercadoria sobre os homens”(...) “Desde "Thriller" Jackson tornou-se o efeito especial por excelência, a imagem técnica da própria indústria atuando sem parar, encarnada”.

Ao rotulá-lo de “eterno”, “imortal”, “o rei do pop” , a mídia ressacraliza a criatura que consumiu seu criador através de uma transformação mais contundente que a dissimulação de se travestir. Transformação que alterou a lógica de tudo. Sagrado por si mesmo, pelos fãs e pelos meios de comunicação, Jackson arcou com os riscos de profanar-se, numa espécie de pacto, para não ser o que era e acreditar-se ser o que não poderia. Como Jesus que sacrificou o corpo pela salvação dos homens, Michael disponibilizou o seu para a espetacularização de si mesmo. “O bonito jovem negro tornou-se andrógino, mas também branco, não apenas Diana Ross, mas também Liz Taylor, mas também, à medida que envelhecia, tornou-se imune ao tempo, perpetuamente jovem, ou criança, mas também coisa, brinquedo, o próprio corpo da mercadoria, boneco do sonho pop americano, ou Barbie, que virou Chuck, ou ídolo pop que virou múmia, ou Michael Jackson que virou zumbi...” analisa Ab´Saber. E, evidentemente, se viu obrigado a pagar um preço por isso.

O artista se ausentou dos palcos por vários anos. Nesse ínterim, seja por suas atitudes, seja pela necessidade de notícias dos suportes de entretenimento e do show business, ou pelos “possíveis” interesses escusos de terceiros, Jackson foi criticado pela sua mudança de cor (“Em 1989, Gilberto Gil sinalizava a conexão interior de transformismo, poder e morte, que todos intuímos no ídolo: "Bob Marley morreu/ Porque além de negro era judeu/ Michael Jackson ainda resiste/ Porque além de branco ficou triste", lembra Ab´Saber), pelas cirurgias plásticas, pelo cabelo, pelo comportamento familiar, pelas relações com o pai, pelas dívidas e, principalmente, pelos seus relacionamentos com crianças. Segundo Agamben, “ a profanação implica, por sua vez, uma neutralização daquilo que profana. Depois de ter sido profanado, o que estava disponível e separado perde a sua aura e acaba restituído ao uso. Ambas as operações são políticas, mas a primeira tem a ver com o exercício do poder, o que é assegurado remetendo-o a um modelo sagrado; a segunda desativa os dispositivos do poder e devolve ao uso comum os espaços que ele havia confiscado”.

“Dispositivo” é uma palavra recorrente no pensamento de Foucault. O filósofo francês, em uma entrevista, sem a intenção de construir uma definição, diz que “ o que trato de indicar com este nome é, em primeiro lugar, um conjunto decididamente heterogêneo que inclui discursos,instituições,instalações arquitetônicas, decisões regulamentadas, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas, o dito e também o não dito”. Para ele , dispositivo “é uma espécie de formação que teve por função maior responder a uma emergência em um determinado momento. O dispositivo tem pois uma função estratégica dominante...O dispositivo está sempre inscrito em um jogo de poder”.

Dispositivo, na síntese de Agambem é, “em si mesmo a rede que se estabelece entre os elementos que compõem o conjunto heterogêneo que tem uma função concreta e está inscrito em uma relação de poder como algo geral porque inclui em si a episteme que é, para Foucault, aquilo que em determinada sociedade permite distinguir o que é aceito como um enunciado científico do que não é científico”.

Dispositivo de si, e à disposição de outros dispositivos, Michael Jackson “este novo Frankenstein espetacular, que realizou em sua metamorfose milionária e sinistra o estatuto autoritário da técnica, do dinheiro e da mercadoria sobre o corpo humano e sobre as relações do sentido das coisas, acabou por virar, e revelar, o pesadelo americano e, se todos os seus consumidores contribuíram com seu gozo diante da degradação do jovem ídolo, no fim das contas Jackson simplesmente não poderia ser preso pela América, como deveria ter sido, quando passou a "devorar" criancinhas como em um conto de fadas bizarro, que vem do real”, reflete Ab´Saber.

Para que se possa entender melhor toda essa instabilidade, esse conflito pelos quais Michael Jackson tanto transitou como produziu para realizar o seu moonwalk , Agamben diz que “ os filólogos não cansam de ficar surpreendidos com o dúplice e contraditório significado que o verbo profanare parece ter em latim: por um lado, tornar profano, por outro – em acepção atestada só em poucos casos – sacrificar. Trata-se de uma ambiguidade que parece inerente ao vocabulário do sagrado como tal: o adjetivo sacer , com um contra-senso que Freud já havia percebido, significaria tanto “augusto,consagrado aos deuses”, como “maldito, excluído da comunidade”.

A ambiguidade, que aqui está em jogo, não se deve apenas a um equívoco, mas é, por assim dizer, constitutiva da operação profanatória(ou daquela, inversa, da consagração). Enquanto se referem a um mesmo objeto que deve passar do profano ao sagrado e do sagrado ao profano, tais operações devem prestar contas, cada vez, a algo parecido com um resíduo de profanidade em toda coisa consagrada e a uma sobra de sacralidade presente em todo objeto profanado”. E prossegue: “Veja-se o termo sacer. Ele designa aquilo que, através do ato solene da sacratio ou da devotio (com que o comandante consagra sua vida aos deuses do inferno para assegurar a vitória), foi entregue aos deuses, pertence exclusivamente a eles. Contudo, na expressão homo sacer , o adjetivo parece designar um indivíduo que, tendo sido excluído da comunidade, pode ser morto impunemente mas não pode ser sacrificado aos deuses. O que aconteceu de fato, nesse caso? Um homem sagrado, ou seja, pertencente aos deuses, sobreviveu ao rito que o separou dos homens e continua levando uma existência aparentemente profana entre eles.

No mundo profano, é inerente ao seu corpo um resíduo irredutível de sacralidade, que o subtrai ao comércio normal com seus semelhantes e o expõe à possibilidade da morte violenta, que o devolve aos deuses aos quais realmente pertence; considerado, porém, na esfera divina, ele não pode ser sacrificado e é excluído do culto, pois sua vida já é propriedade dos deuses e, mesmo assim, enquanto sobrevive, por assim dizer, a si mesmo, ela introduz um resto incongruente de profanidade no âmbito do sagrado. Sagrado e profano representam, pois, na máquina do sacrifício, um sistema de dois pólos, no qual um significante flutuante transita de um âmbito para outro sem deixar de se referir ao mesmo objeto. Mas é precisamente desse modo que a máquina pode assegurar a partilha do uso entre os humanos e os divinos e pode devolver eventualmente aos homens o que havia sido consagrado aos deuses. Daí nasce a promiscuidade entre as duas operações no sacrifício romano , na qual uma parte da própria vítima consagrada acaba profanada por contágio e consumida pelos homens, enquanto outra é entregue aos deuses”.

Daí, no mundo contemporâneo onde Michael Jackson se fez/foi feito, esta promiscuidade dilui-se por vários “altares”, em cultos e rituais celebrados por diversos “sacerdotes e congregações midiáticas”. Ora, o homem profano/profanado se oferecia/era oferecido em sacrifício para retomar sua condição de sagrado. Ora, por ser sagrado, retornava/era retornado ao sacrifício da profanação para uma nova relação com o mundo dos comuns. Fênix da hipermodernidade, o menino Jackson aprendeu a “morrer” e “ressurgir dos mortos” e assim o fez por muito tempo. Foi um protótipo de um Quasímodo em busca de uma porta de saída para um Narciso que ele pressupunha existir dentro de si. Nessa obsessão pela possibilidade de reconstruir-se numa nova imagem, apaixonou-se por uma miragem e através dele , acreditou-se forte o bastante. Se essa frenética tentativa tenha sido tão criticada e ridicularizada, foi também incentivada. A fome da transformação foi alimentada e esta, ao contrário da de Narciso, em sendo saciada, foi o bastante para Michael. Viveu o entorpecimento de uma imagem imaginada. E ao mesmo tempo que se auto-devorava, foi devorado: “Todos sabemos, e Michael Jackson teve a loucura (ou a sanidade?) de deixar isto explícito, que aquela criança linda que entrou para a indústria do espetáculo aos cinco anos de idade, com voz de "castrato" e o soul de Marvin Gaye, é que foi devorada pelo verdadeiro monstro do nosso tempo. Mas o seu próprio desejo também criou esse monstro” avalia Ab´Saber.

Quais as razões que sustentam, então, essa conivência mórbida, essa cumplicidade mercantil que, superficializada num culto a idolatria e na sacralização de um mortal, quando o ser/objeto desse ritual lhes escapa ao controle e é sacrificado por sua própria vontade de não o ser? Por sua vontade de “ressurgir” dos mortos ao terceiro sinal e entre eles viver, “eternamente”, como um deus?

Recorrendo ao estudo de Agamben, “nessa perspectiva, tornam-se talvez mais compreensíveis o cuidado obsessivo e a implacável seriedade de que, na religião cristã, deviam dar mostras teólogos, pontífices e imperadores, a fim de garantirem, na medida do possível, a coerência e a inteligibilidade da noção de transubstanciação no sacrifício da missa, e das noções de encarnação e omousia no dogma trinitário. Ali estava em jogo nada menos que a sobrevivência de um sistema religioso que havia envolvido o próprio Deus como vítima do sacrifício e, desse modo, havia introduzido nele a separação que, no paganismo, tinha a ver apenas com as coisas humanas. Tratava-se,portanto, de resistir, através da contemporânea presença de suas naturezas numa única pessoa, ou numa só vítima, à confusão entre divino e humano que ameaçava paralisar a máquina sacrifical do cristianismo. A doutrina da encarnação garantia que a natureza divina e a humana estivessem presentes sem ambiguidade na mesma pessoa, assim como a transubstanciação garantia que as espécies do pão e do vinho se transformassem, sem resíduos, no corpo do Cristo. Acontece assim que, no cristianismo, com a entrada de Deus como vítima do sacrifício e com a forte presença de tendências messiânicas que colocaram em crise a distinção entre o sagrado e o profano, a máquina religiosa parece alcançar um ponto limítrofe ou uma zona de indecibilidade, em que a esfera divina está sempre prestes a colapsar na esfera humana, e o homem já transpassa sempre para o divino”.

Assim, Michael Jackson decidiu enfrentar/confrontar o deus dos deuses e entronizar-se como mais um ser sagrado entre os ídolos/santos cultuados pelos mortais. Ídolo, rei do universo do show bussiness, foi incensado e celebrado nos templos de uma religião monetária, lucrativa, comercial. Por isso, “Michael Jackson foi muito mais que um menino-problema que não aceitava a cor, a idade e a sexualidade que Deus lhe deu. Foi o maior artista pop do mundo”, afirma João Paulo. Na sua “caminhada por este mundo”, “ o maior ídolo pós-Beatles queria mudar os indivíduos, de preferência em direção ao prazer de viver”, completa o jornalista. Ainda que ele mesmo, provavelmente, não tenha experimentado desse prazer (incluindo as relações com o pai), como o Cristo que veio pregar o “amai-vos uns aos outros” e não foi amado por muitos, desamparado pelo Pai e crucificado por isso.

Benjamin, conforme relata Agamben, ao escrever sobre O capitalismo como religião, procura demonstrar que ele não reproduz tão somente a conversão da fé protestante em doutrina filosófica, conforme reflete Weber, “mas ele próprio é, essencialmente, um fenômeno religioso, que se desenvolve de modo parasitário a partir do cristianismo”. Desse modo “o culto capitalista não está voltado para a redenção ou para a expiação de uma culpa, mas para a própria culpa.Precisamente porque tende com todas as suas forças não para a redenção, mas para a culpa, não para a esperança, mas para o desespero, o capitalismo como religião não tem em vista a transformação do mundo, mas a destruição do mesmo”, explica Giorgio.

A partir da leitura dos escritos de Benjamin, Agamben sugere que “ poderíamos dizer então que o capitalismo, levando ao extremo uma tendência já presente no cristianismo, generaliza e absolutiza, em todo âmbito, a estrutura da separação que define a religião”. Segundo suas observações, “onde o sacrifício marcava a passagem do profano ao sagrado e do sagrado ao profano, está agora um único, multiforme e incessante processo de separação, que investe toda coisa, todo lugar, toda atividade humana para dividi-la por si mesma e é totalmente indiferente à cisão sagrado/profano, divino/humano”. Isso significa, então, que “na sua forma extrema, a religião capitalista realiza a pura forma da separação, sem mais nada a separar. Uma profanação absoluta e sem resíduos coincide agora com uma consagração vazia e integral. E como, na mercadoria, a separação faz parte da própria forma do objeto, que se distingue em valor de uso e valor de troca e se transforma em fetiche inapreensível, assim agora tudo o que é feito, produzido e vivido – também o corpo humano, também a sexualidade, também a linguagem – acaba sendo dividido por si mesmo e deslocado para uma esfera separada que já não define nenhuma divisão substancial e na qual todo uso se torna duravelmente impossível”.

Na interpretação do estudioso de Benjamin, “essa esfera é o consumo. Se, conforme foi sugerido, denominamos a fase extrema do capitalismo que estamos vivendo como espetáculo, na qual todas as coisas são exibidas na sua separação de si mesmas, então espetáculo e consumo são as duas faces de uma única impossibilidade de usar. O que não pode ser usado acaba, como tal, entregue ao consumo ou à exibição espetacular. Mas isso significa que se tornou impossível profanar (ou, pelo menos, exige procedimentos especiais). Se profanar significa restituir ao uso comum o que havia sido separado na esfera do sagrado, a religião capitalista, na sua fase extrema está voltada para a criação de algo absolutamente improfanável”.

domingo, 27 de junho de 2010

MICHAEL JACKSON 2

FOTO:brunovelasco.files.wordpress.com/2009/07/mich.

O jogo do profano em nome da sagrada eternidade

Giorgio Agambem recupera da Roma antiga e faz um estudo sobre o significado de profanar e de sagrado: “Os juristas romanos sabiam perfeitamente o que significa “profanar”. Sagradas ou religiosas era as coisas que de algum modo pertenciam aos deuses. Como tais, elas eram subtraídas ao livre uso e ao comércio dos homens, não podiam ser vendidas nem dadas como fiança, nem cedidas em usufruto ou gravadas de servidão. Sacrílego era todo ato que violasse ou transgredisse esta sua especial indisponibilidade, que as reservava exclusivamente aos deuses celestes (nesse caso eram denominadas propriamente “sagradas”) ou infernais(nesse caso eram simplesmente chamadas “religiosas”).E se consagrar(sacrare) era o termo que designava a saída das coisas da esfera do direito humano, profanar, por sua vez, significava restituí-las ao livre uso dos homens. “Profano” podia escrever o grande jurista Trebácio – “em sentido próprio denomina-se aquilo que, de sagrado ou religioso que era, é devolvido ao uso e à propriedade dos homens. E “puro” era o lugar que havia sido desvinculado da sua destinação aos deuses dos mortos e já não era “nem sagrado, nem santo, nem religioso, liberado de todos os nomes desse gênero”.

Nesta perspectiva, o astro da música pop fez a trajetória inversa, profanando seu corpo para se afastar do convívio dos homens, do uso comum deles e se tornar um “deus”. Assim, só ele poderia, então, ir e vir nessa relação entre o profano e o sagrado. Só ele poderia fazer-se uma “religião”, determinar seus cultos e rituais, decidir em descer ou subir aos céus, independente se ao terceiro ou trigésimo dia.

Tales Ab'Sáber entende que “Michael Jackson representou outro modo de viver e de morrer no universo tanático dionisíaco do pop. Ele é um artista positivo, da afirmação do que existe, e da realização total desse próprio espaço social e histórico em seu corpo. Em primeiro lugar, tudo já foi dito sobre ele, e tocar outra vez no sistema explícito de suas formas e de seu dilema é simplesmente confirmar um clichê, uma reiteração do espetacular”. Michael se fez uma religião e dessa forma garantiu a continuidade de sua mutação física, do seu enclausuramento e dos seus mistérios através de continuados sacrifícios. Garantia que recebeu o aval da mídia – mesmo nos momentos mais delicados da vida pessoal do astro – que, junto com os palcos, foi também um altar de Jackson.

“Pode se definir como religião aquilo que subtrai coisas, lugares, animais ou pessoas ao uso comum e as transfere para uma esfera separada”, afirma Agamben . Contudo, na percepção do filósofo também existe a religião sem a necessidade da separação e que esta última “contém ou conserva em si um núcleo genuinamente religioso”. Segundo ele, “o dispositivo que realiza e regula a separação é o sacrifício: através de uma série de rituais minuciosos, diferenciados segundo a variedade das culturas, e que Hubert e Mauss inventariaram pacientemente, ele estabelece, em todo o caso, a passagem de algo do profano para o sagrado, da esfera humana para a divina. É essencial o corte que separa as duas esferas, o limiar que a vítima deve atravessar, não importando se num sentido ou noutro. O que foi separado ritualmente pode ser restituído, mediante o rito, à esfera profana”.

O artista soube – talvez nem sempre de modo intencional – transitar pelos dois universos. Ora, envolto pelo sagrado, “desaparecia” e somente sabia-se que estava “entre nós” através de notas e “fofocas”. Ora, “ressuscitava” e circulava pelo mundo “pagão”, “sacrificando-se” e experimentando a convivência com os homens e o prazer de se deixar profanar. Diz Agamben que “ uma das formas mais simples de profanação ocorre através de contato(contagione) no mesmo sacrifício que realiza e regula a passagem da vítima da esfera humana para a divina. Uma parte dela(as entranhas, fígado, o coração, a vesícula biliar, os pulmões) está reservada aos deuses, enquanto o restante pode ser consumido pelos homens. Basta que os participantes do rito toquem essas carnes para que se tornem profanas e possam ser simplesmente comidas. Há um contágio profano, um tocar que desencanta e devolve ao uso aquilo que o sagrado havia separado e petrificado”.

As “carnes mortas” de Jackson não foram liberadas para o toque e, por vingança, os homens famintos de consumi-la então profanam a morte do ídolo ao acreditarem na possibilidade de ele não estar morto. Fica ele, assim, “a vagar” , como um castigo.

Para o jornalista e crítico, João Paulo, Michael “ como Elvis Presley e John Lennon, criou um novo padrão, que inspira e continuará inspirando artistas e fãs em todo o mundo.Talvez, por isso, tenha sido difícil aceitar a notícia de que o artista morreu do coração. Exatamente por causa do coração. O maior artista pop do mundo deu vida a uma obra genial, em sua inteligência intuitiva para fusões e diálogos, mas sobretudo pela emoção. Seus dramas pessoais pareciam ampliar seu engenho e arte, como se arte surgisse para apaziguar a alma”. Ao comunicar suas opiniões, o texto do jornalista sugere um chamamento de leitores-fãs . Eliseo Verón aponta que “ é a posição de enunciação pedagógica que define o enunciado e o destinatário como desiguais:o primeiro mostra, explica,aconselha; o segundo olha, compreende, tira proveito. A posição de enunciação “distanciada” e não-pedagógica induz uma certa simetria entre o enunciador e o destinatário: o primeiro, mostrando uma maneira de ver as coisas, convida o destinatário a adotar o mesmo ponto de vista ou, pelo menos, a apreciar a maneira de mostrar tanto quanto o que é mostrado”.

Devido a uma inconsistente etimologia, de acordo com Agamben, a palavra religio, não provem de religare( o que liga e une o humano e o divino), mas de relegere, “que indica a atitude de escrúpulo e de atenção que deve caracterizar as relações com os deuses, a inquieta hesitação(o “reler”) perante as formas e as fórmulas – que se devem observar a fim de respeitar a separação entre o sagrado e o profano”. Religio “não é o que une homens e deuses, mas aquilo que cuida para que se mantenham distintos”. Por isso, no seu entendimento , a descrença e o desdém não são obstáculos com relação ao divino, “ mas a “negligência”, uma atitude livre e “distraída” – ou seja, desvinculada da religio das normas – diante das coisas e do seu uso, diante das formas da separação e do seu significado. Profanar significa abrir a possibilidade de uma forma especial de negligência, que ignora a separação, ou melhor, faz dela um uso particular”. Portanto, “ele não morreu” ou “tenha sido difícil aceitar a notícia de que o artista morreu do coração”, escreve João Paulo.

Jackson jogava, tal como “jogam os deuses”. A passagem do sagrado ao profano pode acontecer também por meio de um uso (ou melhor, de um reuso) totalmente incongruente do sagrado. Trata-se do jogo. Sabe-se que as esferas do sagrado e do jogo estão estreitamente vinculadas. A maioria dos jogos que conhecemos deriva de antigas cerimônias sacras, de rituais e de práticas divinatórias que outrora pertenciam à esfera religiosa em sentido amplo.

“Ao analisar a relação entre jogo e rito”, relata Agamben, “Emile Benevistes mostrou que o jogo não só provêm da esfera do sagrado, mas também de algum modo, representa a sua inversão. A potência do ato sagrado – escreve ele – reside na conjunção do mito que narra a história com o rito que a reproduz e a põe em cena. O jogo quebra essa unidade como ludus ou jogo de ação, faz desaparecer o mito e conserva o rito; como jocus ou jogo de palavras, ele cancela o rito e deixa sobreviver o mito, “se o sagrado pode ser definido através da unidade consubstancial entre o mito e o rito, poderíamos dizer que há jogo quando apenas metade da operação sagrada é realizada, traduzindo só mito em palavras e só o rito em ações” .

Aqui então se vê expresso que esse “jogo” desobriga e desloca as pessoas do campo do sagrado. Contudo, o sagrado não desaparece no todo. Infere Agamben que “o uso a que o sagrado é devolvido é um uso especial que não coincide com o consumo utilitarista. (...)É comum, tanto nesses casos como na profanação do sagrado, a passagem de uma religio , que já é percebida como falsa ou opressora para a negligência como vera religio”.

Nesse jogo profano/sagrado ao qual Michael se submeteu, mas que também ditou as regras, seus fãs, como se numa hipnose da sociedade do espetáculo, assumiram uma cumplicidade com a metamorfose do ídolo, embalados pelas canções e pelo frenesi anatômico de um ser em estado de êxtase nos palcos e clipes. “Sua atuação total dos anos 1980 e 90”, analisa Ab'Sáber, “seu espetáculo total, incluindo aí o próprio corpo, a ponto de virar uma coisa de si próprio, sinalizou mesmo a época de mudança do modo de orientar a subjetividade frente ao crescente poder do mercado e o falimentar valor da política: do humanismo do sujeito sonhador ao fetichismo e exibicionismo do psiquismo atuador, que busca se identificar com o poder crescente e total da coisa na cultura, a ação visível da própria forma mercadoria sobre os homens”(...) “Desde "Thriller" Jackson tornou-se o efeito especial por excelência, a imagem técnica da própria indústria atuando sem parar, encarnada”.

QUEM AMA ANDA AO LADO DO BEM AMADO


sábado, 26 de junho de 2010

MICHAEL JACKSON 1

FOTO:criandoacasos.files.wordpress.com/2009/06/mic..

A maioria dos habitantes deste planeta, de alguma maneira, deixou que a morte de Michael Jackson passe pela sua vida.Comigo não foi diferente. Agora, um ano depois da morte dele, o que resta?

Bem, eu anotei umas coisas e as reuni num escrito. A primeira parte vem, a seguir.

POR QUE NÃO DEIXARAM MICHAEL JACKSON MORRER:
o profano e o sagrado na celebração do capitalismo

O poeta Cleber Camargo diz que “ a gente jaz e acontece”. Diversas interpretações podem ser extraídas desse poema-frase, dessa frase poesia, ou poefrase ou fraesia. Uma, contudo, parece nos revelar que ao morrer, por mais banal,violento ou exótico que o ato em si possa ser, precisamos da morte para que os sobreviventes lembrem-se de que estivemos vivos. Morrer é um reclame da vida. E os que ainda permanecem por aqui transformam os velórios, ou os crematórios , em verdadeiros orkuts mórbidos, segundo Alessandro Cerri. Quer dizer, pessoas que há muito não se viam, reencontram-se “aos pés do defunto” e aproveitam para trocar mazelas, ampliar biografias e ajustar futuros compromissos que, de modo geral, jamais serão cumpridos. Aqui, a falta de civilidade apontada por Senett se apresenta através de relações sociais pautadas em sentimentos exclusivamente voltados para o que é pessoal , particular, íntimo.Afinal de contas, a vida é uma correria só. Isso, no comum, no cotidiano de nós, anônimos.

Se assim o é no anonimato, no mundo das celebridades, no star systems de Edgar Morin, viver e morrer constituem-se em um só movimento. Parcialmente, a personalidade, o modo de expressar, a imagem e a mercadoria se sobrepõem e de forma única agem na sociedade do espetáculo. Aqui, a celebridade, o ídolo, além de reproduzirem as genéticas do fetiche e do poder, respondem por eles. E para nós, os anônimos, explica Morin, sua vida privada é pública, sua vida pública é publicitária, sua vida na tela é surreal, sua vida real é mítica. Por isso, o selvagem adora ídolos de pau e pedra;o homem civilizado, ídolos de carne e sangue, afirma Bernard Shaw.

Inegável o fascínio que as celebridades exercem sobre os humanos comuns. Carlos Eduardo Lins da Silva diz que são os atores, não as suas atitudes, quem são submetidos à aprovação ou censura na sociedade atual. Ao contrário de se querer inquirir sobre seus atos, são julgados os seus sentimentos sobre o que fizeram e suas consequências. Sennett explica que “o líder carismático moderno destrói qualquer distanciamento entre os seus próprios sentimentos e impulsos e aqueles de sua plateia e, desse modo, concentrando os seus seguidores nas motivações que são dele, desvia-os da possibilidade de que o meçam pelos seus atos”. E, ainda conforme Lins e Silva, retomando o pensamento de Senett , “a mídia eletrônica insufla esse ânimo coletivo que exige dos famosos um "strip-tease psíquico" público permanente (no caso de Michael Jackson, chega até o túmulo). E o faz porque a sociedade assim deseja”.

Michael Jackson jogou o jogo do sagrado e do profano. E isto vale para depois da sua morte. Agora, na perspectiva dos lucros que dela podem ser auferidos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SALVE SÂO JOÃO!

FOTO:www.claretiano.edu.br/.../imagens/saojoao.jpg

quarta-feira, 23 de junho de 2010

OS CARAS DE PAU



O programa, dirigido por Márcio Trigo, é muito divertido, de vez em quando ingênuo.
São “ O gordo e o magro” de um Rio de Janeiro “que passou em minha vida”. Marcius Melhem e Leandro Hassum – eita nomezinhos, hein?! – são muito engraçados e dão conta do recado com força e talento.

SÉRIE COPA 2010 - "QUANDO CHEGAR A MINHA VEZ"

SÉRIE COPA 2010 - LÁGRIMAS DE...COREANO

SÉRIE COPA 2010 - "PELADA" NEM CACHORRO AGUENTA

SÉRIE COPA 2010 - BRASIL, DE DENTES...E UNHAS

REVISTA PUCMINAS


Em circulação a “revista PUCMinas” que sucede o Jornal PUC Minas. Qualidade gráfica pela diagramação, tipologia, papel, impressão. Qualidade jornalística pela informação e pelos artigos. Com especial atenção para “Violência na escola particular”.

Entre os profissionais e professores mestres e doutores responsáveis pela empreitada, estão Mozahir Salomão Bruck e Mário Viggiano. O primeiro, como Secretário de Comunicação da Instituição. O segundo, como apoio à edição.

Como conheço os dois, e sei do talento e da competência de ambos, pode parecer tendencioso o comentário. Mas basta ter nas mãos a publicação e, principalmente, lê-la, para concordarem que realmente eles são bons nesse negócio.

A revista, apresenta Mozahir, “foi resultado de uma criteriosa discussão a respeito da nossa comunicação institucional e da necessidade permanente de qualificarmos e reinventarmos nossas práticas, para que consigamos acompanhar os avanços e mudanças de nossa Universidade e, claro, do mundo em que esta se insere”.

Ganham alunos, ex-alunos, colaboradores docentes e administrativos e a comunidade.

POEMA PARA SARAMAGO

FOTO:armonte.files.wordpress.com/2009/10/jose-sara...

ENTRE O SAL E O AMARGO

Toma tua nau, herético navegador.
Remai palavras por esses mares,
ora muito antes navegados,
sem nunca dantes adernados
por tuas ateias digressões.

Vai-te entre o sal e o amargo
afogar cavacos entre ondas.
Enfeita tuas chagas
com o vermelho dos cravos:
tuas mãos escreveram tantas dores,
atrevimento cobrado com a cruz.

Ai, Portugal em fado e enfado
chora não a morte;
chora a vida tua exilada,
teus ires e vires de pavilhão não hasteado
a tremular não glória do país que representa
mas a liberdade que ao povo intenta.

terça-feira, 22 de junho de 2010

FOI DESONESTO...MAS ELES APROVAM

O gol de Luís Fabiano contra a Costa do Marfim foi ilegal. Ele fez falta no primeiro lance e ajeitou a bola com a mão. No segundo, novamente com o braço(que o Neto afirmou que era ombro), ao dar um chapéu no seu marcador, ajustou a tal de jabulani e fez o gol.

Tudo bem, dizem os entendidos, que isso faz parte do futebol. Mas com as câmeras mostrando diversas vezes as jogadas – e ainda aquela cara do juiz francês numa mistura de desonestidade e favorecimento “ao mundo hostil da América” – é péssimo saber que aceitamos e...comemoramos.

A sensação que se tem é de que assistimos mais um estupro na nossa tão combalida dignidade e...ainda beijamos o estuprador depois.

O Brasil ganhou. Claro! De 2 a 1 .

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DE VOLTA

A jornalista Luciana Katahira está de volta à Belo Horizonte, depois de 46 dias na Europa. França, Bélgica,Holanda,República Tcheca, Itália e Espanha foram os países visitados por Luciana Katahira. Dessa aventura, a jornalista deverá produzir 3 programas para uma série especial "Europa" para o programa CIDADE DA GENTE, da Tv Horizonte,canal 19UHF. Welcome, Katahira!

TALENTOS NA TELA

Indiscutíveis as competências e os talentos de Fernando Tibúrcio e Flávia Moreira, da equipe de jornalistas e apresentadores da Rede Minas de Televisão, canal 9 VHF. Tibúrcio, apaixonado por cinema, dá um show com o seu “Cinematógrafo”. Bom humor, texto fácil, ambiente de informalidade e pura emoção. Nesta semana, ele apresenta o Agenda. Imperdível.

Flávia Moreira, na semana passada, apresentou o Agenda, dentro de um rodízio que a Rede está realizando no programa. Rosto de uma beleza drummondiana, com muita personalidade na frente das câmeras , Flávia precisa de mais espaço dentro da grade de programas.

domingo, 20 de junho de 2010

O GALÃ DO FANADO

FOTO:www.cartapolis.com.br/.../Image/MuriloB.jpg

Murilo Badaró foi candidato a governador de Minas. Fez campanha usando um trem de ferro e dizendo que percorria todo o Estado. Este foi o Murilo que conheci pela primeira vez.

O Murilo que conheci pela segunda vez era presidente da Academia Mineira de Letras. Cheguei até ele graças a um diretor da Imprensa oficial, filho do também acadêmico Vivaldi Moreira . Queria rodar o meu segundo curta-metragem e o prédio antigo da Academia – outrora residência da família Borges da Costa – era a locação perfeita.

Hora marcada, lá fui ao encontro do presidente. Homem alto, de físico forte, face um tanto autoritária mas sem qualquer sinal de prepotência ou enfado. Afinal de contas eu acabara de dirigir um documentário sobre o ex-presidente da Casa ,Vivaldi, falecido não havia muito tempo.

Expliquei, numa sinopse um tanto quanto comedida, como seria o curta. Uma atriz, Luciana Katahira, e eu como câmera, diretor de fotografia e diretor de cena. Badaró autorizou e então comentou da possibilidade de atuar num filme. Se não me engano, referiu-se a uma tentativa anterior não concretizada. Não tenho certeza.

O experiente político, agora escritor, tinha um tipo interessante para um papel. Voz firme, olhar determinado. Uma espécie de Orson Welles do Vale do Jequitinhonha. Ou, com mais precisão, de Minas Novas e das águas do rio Fanado. Creio que pensamos em alguma coisa de lembranças, reminiscências narradas por um fazendeiro. Talvez outro argumento.

O importante é que ele se mostrou interessado e entusiasmado com a ideia.

Rodei o meu filme. Conquistei prêmios. Fiz meus agradecimentos para ele nos créditos finais. Mas o Murilo Badaró não assistiu pelo simples fato de que, até hoje, não lhe enviei uma cópia. Logo agora que ele resolveu embarcar no seu trem mineiro e rodar Minas pelas ferrovias do céu. Com aquele jeitão de coronel de cara feia e coração de artista.

Se vale como consolo, Seu Murilo, o senhor levava jeito para o cinema.Também.

A CÚMPLICE COMPANHIA



O que nos leva a escolher pessoas para nos acompanhar pelos caminhos que imaginamos iremos trilhar por um tanto de anos? Um tanto que, ao final, não serão o bastante, e que nos tomarão, na maioria das vezes, sem aviso.

De que esse acompanhante nos nutre? Acredito que não somos loucos para escolher parceiros de jornada que sejam absolutamente distantes dos nossos sonhos de viagem. Mas também não queremos aquelas vaquinhas de presépio que se movem de acordo com a nossa vontade.

Acredito que acompanhar é um jogo de partilha, de pontos de equilíbrios distintos e cambiáveis. Um jogo que não é competição. Antes, uma troca. Pois viver é uma constante relação de trocas. Uma permuta de sentidos. A vida são percepções. Trocar sentidos é como um mágico e seu público. Ele faz o truque, nós acreditamos que é possível. Viver é um truque de possíveis.

A nossa companhia deve ser cúmplice dos nossos truques. Seu olhar nos incita a sermos mais brilhantes na ilusão que construímos. Seu sorriso é a confirmação de que somos ilusionistas de nós mesmos. Tudo se resume ao conteúdo de uma cartola. Ou de um beijo.

Companhias que vão e vem desarticulam esta harmonia regente da magia que é respirar fundo e segurar firme a mão que nos guiará. Não se consegue caminhar com o vai e o vem, esse último às vezes muito lento, de um timoreiro deslumbrado com o azul do mar e sem mirar as estrelas.

Acompanhantes são mais que amigos. São extensões de nós. E nós, complemento deles.
Acompanhantes se amam em cada passo que dão juntos. Mesmo que eventualmente, eu disse eventualmente, se desviem um pouco.

O segredo da vida é de revelação imediata. Acompanhantes são aqueles que estão conosco agora. Nunca amanhã.

sábado, 19 de junho de 2010

O DIA DO JUÍZO FINAL

FOTO: oaleph2008.blogspot.com/2008/10/jos-saramago-...

Haverá algum cerimonial para sua chegada, ainda que rápida, protocolar, se pensarmos que lá a justiça é plena, mas pode existir um certo , digamos, ranço?

Como se vai para lá, se antes deixou de ser carne e tornou-se pó? Pó, não. Cinza. Será possível que ela, depois de espalhada pela terra em que ele nasceu, seja reunida e o reconstrua? Mas ele gostará de retornar da cinza e ser em cinza? Como uma Fênix incompleta de recheios.

Na sua bagagem – se é que se leva bagagem para o Juízo Final – palavras. Não apenas palavras. Palavras repalavreadas pelo seu talento, pela sua ironia, pelo seu ateísmo fervoroso ( pode isto ocorrer?), pela sua paixão pelo mundo e pelas pessoas do mundo e pelas letras do mundo e pela Pilar de seu mundo.

Quem mais foi capaz de discutir Deus com Deus do que ele? De fazer uma leitura inventiva, corajosa, cômica e tão deliciosamente apropriada das histórias bíblicas e suas mirabolantes fantasias em busca de se consolidar uma fé? Ou um temor?

Agora “levantado do chão”, José Saramago guarda consigo os esboços de outras tantas palavras reunidas para tantas outras histórias de uma bíblia muito particular, rara. Obra que, em cinza, escapa ao Index de uma Igreja em descrédito.

Imagino Saramago perante Pedro. Quer dizer, São Pedro. Inquire o porteiro do céu:

- Escrevestes com sinceridade tudo aquilo contra o Pai?

O navegador português da nau das letras retira seus óculos, limpando-os com um lenço. A seguir, acerta o nó de sua gravata e pergunta ao pescador:

- E tu, negaste o Filho por convicção ou por combinação com o Pai?

E sorri aquele sorriso tênue como um suspiro de luz. E procura a mão de sua amada. E não sente mais qualquer vazio.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

OBRIGADO, SENHOR SARAMAGO

José Saramago deixou as terras daqui para ir muito além mar. Se houver um juízo final, terá um bom embate com os seres de lá. Se não, ficará no ar, como as velas
de um barco que navega pela liberdade de navegar.

Obrigado ao senhor por disponibilizar tantos escritos espetaculares. Passei bons momentos junto com eles. E assim continuarei a fazê-lo com os títulos restantes que ainda falta-me ler.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

POR ONDE ANDA LUCIANA?

"Onde anda você, onde andam seus olhos que a gente não vê", perguntam Toquinho e Vinicius. Lançando mão da poesia dos dois para perguntar, ao que parece Luciana Katahira está, hoje, em Barcelona, na Espanha. E depois segue para Madrid, última escala de sua viagem pela Europa. Que assim seja!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

COPA DO MUNDO 2010 - A TRAGÉDIA ANÔNIMA


Copa do Mundo. Jogam Japão e Camarões no campo de Bloemfontein. Um joguinho sem grandes pretensões. Tão sossegado que a câmera enquadrou o passarinho , aí em cima , comendo tranquilamente na lateral do campo. Singela, bucólica imagem da relação entre homem e os demais seres vivos habitantes deste planeta(e não necessariamente jogadores de futebol ou comentaristas esportivos ou sopradores de vuvuzelas).

Jogo vai, jogo vem e o passarinho parece que resolveu entrar na partida. Mas, pelo visto, não avisou a ninguém, entrou sem autorização e...Bom, isso ninguém mostrou, nem comentou. O passarinho apenas morreu no gramado, pisado por um desses grandes atletas do futebol mundial.





domingo, 13 de junho de 2010

SALVE SANTO ANTÔNIO

IMAGEM: suerdamedeiros.zip.net/arch2007-06-10_2007-06...

“Conhecido como santo casamenteiro, Santo Antônio tem milhares de devotos espalhados pelo Brasil e também em Portugal.

Normalmente, sua figura é representada carregando o menino Jesus em seus braços. Muitas mocinhas afoitas para encontrar um marido retiram o bebê dos braços do santo e prometem devolvê-lo depois de alcançarem seu pedido. Outras jovens colocam a imagem de cabeça para baixo e dizem que só mudam de posição quando Santo Antônio descolar um marido para elas. Essas simpatias geralmente são feitas na madrugada do dia 13.

Mas nem só de casamento vive o santo. Ele também é conhecido por ajudar as pessoas a encontrarem objetos. Em uma reza conhecida como "os responsos", o santo é invocado para achar coisas perdidas. Numa outra cerimônia, conhecida como trezena, os fiéis entoam cânticos, soltam fogos, e celebram comes e bebes e uma fogueira com o formato de um quadrado. Essa festança acontece de 1° a 13 de junho.

Ainda há um outro costume que é muito praticado pela Igreja e pelos fiéis. Todo o dia 13 de junho, as igrejas distribuem aos pobres os famosos pãezinhos de Santo Antônio. A tradição diz que esse alimento deve ser guardado dentro de uma lata de mantimento, para a garantia de que não faltará comida durante todo o ano”.
(Do site www.educaterra.terra.com.br/educacao/.../06/.../001.htm)

sábado, 12 de junho de 2010

SHOW DE BOLA

FOTO: yukitori.wordpress.com/.../

Início de Copa do Mundo, o mundo do futebol ferve, o Brasil quase todo entra no “feito bolha” ou no “efeito bola”.

Fora dos campos, na minha opinião, grandes espetáculos de comunicação tem sido apresentados por Tostão, Neto e Luciano do Vale.

O primeiro, um dos grandes gênios do futebol mundial de todos os tempos, – autor do passe contorcionado para que Pelé fizesse o único gol brasileiro contra a Inglaterra, em 1970 – Tostão, transferiu para a crônica impressa todo o seu talento. O seu texto, “As origens” publicado na caderno especial 1 da Copa do Mundo, pela Folha de São Paulo em sua edição de domingo, 6 de junho, é um primor, seja de conhecimento, seja de romantismo, seja de uma poesia tão distante da maioria dos escritos e dos corações de tantos que são responsáveis por esses espaços nos jornais e revistas.

Os dois últimos parágrafos servem como exemplo do que estou dizendo:

“O esquema tático hoje mais utilizado é o da simetria, com dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias e dois atacantes. Mais ainda, os técnicos preferem um zagueiro rebatedor e outro clássico;um volante habilidoso e outro brucutu; um lateral que apóia mais e outro que marca mais; um meia organizador e outro mais agressivo; um atacante mais leve e que joga pelos lados e outro, centroavante,finalizador. Tudo simétrico.

Como não dá para ter mais de um jogador no gol, o goleiro ficou sozinho, isolado. Deve ser por isso que os goleiros são mais individualistas, exibicionistas e esquisitos. Sentem falta do outro”.

Já o jogador Neto, caipirão, cheio de manha, conhecedor do bem e do mal, do bom e do ruim do futebol, dá um show particular com sua ironia, sarcasmo e senso de humor, bem ao gosto de quem não quer ouvir especialista e sim a confirmação de pontos de vista de torcedor. O seu “é brincadeira” virou jargão de tudo o que está acontecendo mas a gente não consegue acreditar que está.

Nesta Copa, durante a transmissão do jogo Argentina x Nigéria , o Neto não escondeu sua emoção de: estar numa Copa do Mundo (e agradeceu a Rede Bandeirantes);de estar ao lado de grandes nomes do futebol mundial, agora narradores e/ou comentaristas(agradeceu por isso e confessou que correu – ( e parece que vai correr ainda mais) atrás dessas personalidades para “tirar uma foto com eles” . E disse estar muito feliz pois todos posaram ao seu lado.

Daí, vem a relação do Neto com o Luciano do Vale, - para mim o melhor locutor esportivo da televisão - cidadão que um dia vi no aeroporto de Guarulhos enquanto aguardava uma conexão para Recife/Campina Grande. Profissional sem afetação, sem aquele “sabe quem eu sou”. Se problemas existem entre os dois, no instante em que estão trabalhando, dão uma verdadeira aula de compatibilidade, de harmonia e respeito. Evidente que muitas vezes Luciano do Vale segura o riso diante das “gracinhas” espontâneas do Neto. Por exemplo: Luciano, nos dez últimos minutos do jogo, apontou o cansaço do time argentino e o ex-jogador do Guarani de Campinas completou: “ Muito sexo, né, Luciano?!” referindo-se às declarações do técnico do time de “los hermanos” sobre sexo na concentração.

Por essas e outras é que ainda gosto de futebol.

SÉRIE "REFLEXOS" - 2


SÉRIE "REFLEXOS" - 1


SÉRIE "REFLEXOS"


DIA DOS NAMORADOS

FOTO:www.meredy.com/vinbw/stills

Dia dos Namorados, baú de lembranças cinematográficas e o still de um filme delicioso (The Apartment) – “Se meu apartamento falasse”(1960) – dirigido por Billy Wilder, com Jack Lemmon e Shirley McLaine. Bud Baxter (Lemmon) , apaixonadíssimo por Fran (McLaine) usa uma raquete de tênis como escorredor de macarrão.

Pra completar essa “inspirada” manhã de sol e frio por aqui, a letra de “Fico assim sem você “, que a Adriana Calcanhoto canta de um jeitinho muito particular!

Gli amanti di tutto il mondo, l'amore, perché l'amore è l'illusione più bella della vita!

Fico Assim Sem Você
Composição: Cacá Moraes / Abdullah


Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você!
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você!
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante nem mil alto-falantes vão poder falar por mim!
Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você!
Circo sem palhaço
Namoro sem abraço
Sou eu assim sem você!
Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço que falta no meu coração...
(Refrão)
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê?
Por quê?
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você!
Carro sem a estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você!
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante nem mil alto-falantes vão poder falar por mim!
(Refrão)
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo!!
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo!
Por que? nenenhê !!
Por quê? iê... iê....
Eu não existo longe de você
E a solidão é meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo!!
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê?
Por quê?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SOZINHO


quarta-feira, 9 de junho de 2010

AQUILO QUE SE DESEJA

FOTO:myweb.wvnet.edu/.../lp-2001/images/ehrmann.jpg

Desiderata quer dizer "aquilo que se deseja". A Desiderata a seguir foi escrita pelo poeta e advogado Max Ehrmann.Que ela seja o desejo de todos nós.

DESIDERATA

Max Ehrmann*

Viva tranquilamente, por entre a pressa e os ruídos, e lembre-se de quanta paz há no silêncio. Tanto quanto possível, sem se render, esteja em bons termos com as pessoas.

Diga sua verdade calma e claramente, e ouça os outros, mesmo os mais medíocres e ignorantes – eles também têm a sua história.

Evite as pessoas espalhafatosas e agressivas, pois essas são um insulto ao espírito. Não se compare com os outros, para não se tornar vaidoso ou amargo, e saiba: sempre haverá pessoas melhores e piores que você. Desfrute tanto de suas realizações quanto de seus planos.

Cultive seu trabalho, mesmo que ele seja humilde; esse é um bem real, frente às variações da sorte. Seja cauteloso em seus negócios, pois o mundo é cheio de armadilhas. Mas não deixe que isso o torne cego para a virtude, que está sempre presente; muitas pessoas lutam por ideais nobres e, por toda a parte, a vida é sempre exemplo de heroísmo.

Seja sempre você mesmo. E sobretudo nunca finja afeição. Nem seja cínico em relação ao amor, pois, apesar de toda a aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva.

Aceite serenamente os ensinamentos do passar dos anos, renunciando suavemente àquilo que pertence à juventude. Fortaleça seu espírito para que ele possa protegê-lo diante de uma súbita infelicidade. Não antecipe sofrimentos pois muitos temores são apenas fruto do cansaço e da solidão. Mesmo seguindo uma disciplina rigorosa, seja leniente consigo.

Você é filho do Universo, tanto quanto as árvores e as estrelas; e tem o direito de estar aqui. E mesmo que isso não seja muito claro para você, não tenha dúvida de que o Universo segue na direção certa.

Portanto, esteja em paz com DEUS, não importa a maneira como você O concebe, e sejam quais forem as suas lutas e aspirações, na terrível confusão que é a vida, fique em paz com sua alma.

Pois, apesar de toda a falsidade e sonhos desfeitos, este ainda é um lindo mundo. Seja cauteloso. Lute para ser feliz.

O PODER DA SÍNTESE


Dias atrás, participei de uma reunião de criação. Em volta de uma mesa rústica, publicitários e jornalistas e um produto para ser trabalhado, aprimorado. Pura instigação. Conversa provocativa.

Que nada, tudo forçado a ser síntese, sumário, resumo. Emoção monossilábica. Ânsia de falar engolida às pressas, disfarçadamente. O mundo moderno não admite essas coisas do coração.

Estamos treinados para a síntese de nós mesmos. Trocamos as palavras por objetos. Indígenas urbanos com vergonha de ficar nus na frente um do outro e despejando quinquilharias como sinal de paz, amizade e...

Celulares, notebook, chave do carro ou da moto, bolsa ou mochila de grife, agendas de couro, canetas são os primeiros sinais de aproximação. Se não temos pelo menos um desses objetos corremos o risco da rejeição.

Vencido esse primeiro protocolo, o segundo é o de comunicar o que somos, o que fazemos, o que temos. Eu sou isso, eu sou formado em, eu falo o idoma tal, já viajei pelo ... Por fim, meu nome é...

Durante a reunião, uma espécie de regente da objetividade lançava mão dos “então podemos”, “quer dizer que”, “concluimos ...” “devemos” e o fatídico “ ao trabalho”. Sem contar os constantes olhares trocados com o mostrador do relógio, ou o apertar das tecladas do celular, ou os gestos gentilmente impeditivos da fala de outrem.

Não sabemos mais conversar sobre emoções, introduzi-las nos nossos diálogos, nas nossas relações. Temos vergonha do brilho do olhar, do vermelho da face, do suor das mãos, do abraço solidário, do aplauso, do beijo. Não somos mais sentido. Somos sintéticos.

Ao trabalho, então.

A ILUSÃO DE VIVER

FOTO:borboletragens.blogspot.com/2008_02_01_archiv...

A leitura é um dos meus maiores prazeres. Agora dividida com a paixão pelos dois netos, Samuel e Gabriel. Tantas histórias li e reli. Nos livros das inúmeras bibliotecas as quais tive e tenho acesso. Nos livros presenteados por meus pais, Seu Wantuil e Dona Filinha, pela minha avó, Dona Lica, pela Tia Lourdinha. E por amigos, por amores, pela amada. Nos livros que estão por todos os cantos da casa onde moro com minha Lady, uma cadela da raça Labrador.

Reinações de Narizinho, Três escoteiros no rio Paraguai, As Brumas de Avalon, coisas sobre Woody Allen, escritos de Lya Luft, José Saramago, os clássicos, Vila dos Confins, Chapadão do Bugre, A menina morta, ...Tantos, todos os dias e por todos os dias que espero sejam autorizados a vir.

Esse possível vir me remete para a ilusão do viver. Vamos morrendo todos os dias. Cada minuto vivido corresponde a um minuto mais perto do fim. Portanto, sem pessimismo, nada melhor do que iludir-se e...viver.

Assim me parece ter sido o sentimento de uma menina, personagem de uma das tantas histórias que li. Neste caso, uma história de um livro que minha mãe comprou, creio, nas Lojas Americanas, lá se vão alguns muitos anos.

Pobre, a protagonista - e primogênita – na véspera de Natal sai pelas ruas geladas de sua cidade para vender caixas de fósforos coloridos. Esses fósforos que costumamos usar nas festas juninas. Vender essas caixas e levar algum dinheiro para amenizar, pelo menos por uma noite, a fome de sua mãe, viúva , e seus irmãos, é a grande tarefa da menina.

Contudo, ninguém se interessa pelos fósforos e muito menos pela criança. O frio aperta, volta a nevar. Por mais paradoxal que seja, a personagem descobre que vai morrer congelada se não tomar uma providência. E toma. Não vai embora para casa. Acredita que venderá algumas caixas. Ao mesmo tempo, começa a riscar um fósforo de cada vez na expectativa de aquecer o corpinho frágil.

A cada fósforo riscado, a noite gelada recolhe-se momentaneamente no abraço de luz ora verde, ora vermelha, ora azul. que tentar aquecer a menina. Mas, no instante seguinte, o frio escuro retorna, implacável. O rostinho da pobre criaturinha, a cada brilho, é um flash de esperança que, com a volta da noite, nubla-se de angústia.

Ela queima fósforo após fósforo e as respectivas caixas vazias. Por fim, o último fósforo, a última caixa e o frio sacando-lhe a vida.

Vivemos a ilusão da vida com as caixas de fósforo que recebemos. Primeiro, deixamos que sejam queimados por terceiros. Depois acreditamos que podemos queimá-los sozinhos. A seguir, os queimamos apenas para nós. Quando descobrimos que poderíamos fazê-los mais coletivamente, dividir com alguém, costuma ser tarde.

Na noite do egoísmo, do consumismo exacerbado, na falta de comunicação, no desamor, na usura e na ganância, no cerceamento da liberdade, na eliminação da palavra nossos fósforos se vão. E não é possível guardá-los pois a ilusão de viver não pode ser para amanhã. A vida não pode ser guardada para uso posterior.

A vida é a chama colorida de cada fósforo. O máximo que podemos fazer é direcionar a sua luz ou aceitar a escuridão que intermedia o próximo acender. Se esse houver.

domingo, 6 de junho de 2010

DE VOLTA NA ESTRADA


Depois de 28 dias na Bélgica, através do Intercâmbio de Grupo de Estudos da Fundação Rotária do Rotary International para jovens profissionais – com direito, nas poucas horas de folga, a show do Eric Clapton em Antuérpia e um final de semana em Paris – em que foi selecionada entre 64 candidatos para ser um dos quatro membros desse grupo, Luciana Katahira partiu, hoje, 06 de junho, para Amsterdan, Holanda.

Ela inicia sua viagem pela Europa que vai se transformar numa série para o Programa Cidade da Gente, exibido pela TV Horizonte, canal 19UHF e canal 22 a cabo.
Serão aproximadamente 20 dias numa rota que, depois de Amsterdan, segue para a República Tcheca (Praga), Itália(Roma e Veneza) e Espanha(Madrid e Barcelona). Daí ela retorna para Bruxelas(Bélgica) e embarca para o Brasil.

Have a good trip for you, lady in the world!

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