quinta-feira, 31 de maio de 2012

DESCOBRIMENTOS


DESCOBRIMENTOS 

 Pelas minhas contas a mocinha e mamãe parou de estudar há sete, oito anos. Neste período, adoeceu gravemente, recuperou-se maravilhosamente, engravidou, é mãe, passou por duas experiências afetivas e, atualmente, trabalha perto de casa.

Tantas vezes ela reafirmou que não queria saber mais de sala de aula, escola. Queria roça, interior, sítio, galinha pra tratar. Como “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” -  ou acaba – ela resolveu que precisava dar “um gás” na “mesma lerda vida”.
Inscrição para vestibular, cursinho intensivo no final de semana.

Sábado, de noite, ligo para ter notícias, saber como é que foi. Assim como quem não quer nada(mas que torcia para que ela estivesse feliz e satisfeita). Então a menina e mãe respondeu que estava chocada. “Como é que a gente deixa a vida passar assim”, ela me perguntou e, de imediato eu pensei no que estou fazendo com a vida.

Espantada e muito feliz, ela dizia que é um absurdo a gente se contentar só em comer,beber,dormir e trabalhar. Em viver o básico, basicamente. Na sala de aula, lotada com mais de cem pessoas, ela disse que redescobriu um mundo dinâmico, vivo, efervescente e instigante.

A menina e mãe estava de volta ao presente. Redescobrindo sua própria dinâmica, sua efervescência. Ela retoma “a boa nova” de si mesma.

domingo, 27 de maio de 2012

ACRE


ACRE


ACRE


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Peixes


sábado, 12 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

SINAIS


SINAIS 

Ele chega em casa e, ao abrir a porta e entrar, tropeça num par de tênis. Sobre a mesa, uma sacola com lenços umedecidos “suave fragrância”.

Dia puxado, muitas pendências exigindo soluções rápidas. O dia de amanhã vai obrigá-lo a levantar muito cedo. Por isso, empurra o par de tênis e as meias para debaixo da mesa e deixa os lenços umedecidos no mesmo lugar.

No quarto onde guarda  suas roupas, outro par de tênis no chão, mas sem meias. Uma camiseta sobre a mesa, a gaveta do armário aberta  com peças de roupas enfiadas à força querendo ‘fugir’.

Nada disso o incomoda. Ele respira fundo, senta-se à mesa, come um sanduíche. E ri.Afinal de contas, a responsável por aquela confusão vai voltar. Nem que seja para pegar suas coisas e deixar outras. E estes sinais da presença dela fazem muito bem para ele.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FRAGMENTOS 4



Registrei o nome e olhar daquela menina dentro da minha vida. Ela era maior do que a tela do cine Estrela pois que eu via através de seus olhos um mundo que eu nunca imaginei que existia. Desandei a pastorear o meu amor sempre para perto dela. Se fosse o caso até aprenderia a costurar.
-         O Japão fica longe?
-         Fica. Meu pai diz que quando é dia aqui, é noite lá. Então deve ficar muito longe mesmo!
-         Eu já ouvi contar que se a gente furar um buraco em linha reta e atravessar a barriga da Terra, a gente chega ao Japão!
-         Acho que não…
-         Por que ?!
-         Ora, a Terra não roda em volta dela mesma ?!
-         Roda ?!
-         Claro que roda! Você não aprendeu na escola?!
-         É que no dia que a Dona Albertina deu essa aula, eu tava com dor de barriga e minha mãe mandou um bilhete pra ela avisando…
-         Ah…
-         Mas o que é que tem a Terra rodar? É só ir fazendo o furo no rumo da rodada dela!
-         Tá! Mas onde fica a barriga da Terra?!
-         Uai, um pouco pra baixo do coração dela, né!
-         É?! Então, tá! Me aponta o coração da Terra…
Eu peguei um pedaço de pau e risquei um círculo em volta dela.
-         Fica aqui! Encosta o ouvido e escuta…
Ela deitou o ouvido dentro do círculo. Eu também. Sussurrando, ela perguntou como eu podia saber que o coração da Terra estava ali.
-         Se eu fosse a Terra, eu deixava você pisar no meu coração.
Em silêncio, desenhamos carinhos dentro daquele círculo enquanto um outro, do qual a gente jamais teria idéia do tamanho, rodava em volta de si mesmo. Em silêncio, ouvíamos a vida vivendo dentro do mundo.

(Do livro ” A menina de olhinhos rasgados – Ed. Dimensão)

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