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domingo, 2 de maio de 2010

IR



ENCONTROS E DESPEDIDAS
(Milton Nascimento e Fernando Brant)


Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar

UM PEDAÇO



SONETO DA SEPARAÇÃO


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Vinícius de Moraes)

NO TEMPO EM QUE A FELICIDADE MORAVA AQUI


Registrei o nome e olhar daquela menina dentro da minha vida. Ela era maior do que a tela do cine Estrela pois que eu via através de seus olhos um mundo que eu nunca imaginei que existia. Desandei a pastorear o meu amor sempre para perto dela. Se fosse o caso até aprenderia a costurar.

- O Japão fica longe?

- Fica. Meu pai diz que quando é dia aqui, é noite lá. Então deve ficar muito longe mesmo!

- Eu já ouvi contar que se a gente furar um buraco em linha reta e atravessar a barriga da Terra, a gente chega ao Japão!

- Acho que não…

- Por quê ?!

- Ora, a Terra não roda em volta dela mesma ?!

- Roda ?!

- Claro que roda! Você não aprendeu na escola?!

- É que no dia que a Dona Albertina deu essa aula, eu tava com dor de barriga e minha mãe mandou um bilhete pra ela avisando…

- Ah…

- Mas o que é que tem a Terra rodar? É só ir fazendo o furo no rumo da rodada dela!

- Tá! Mas onde fica a barriga da Terra?!

- Uai, um pouco pra baixo do coração dela, né!

- É! Então, tá! Me aponta o coração da Terra…

Eu peguei um pedaço de pau e risquei um círculo em volta dela.

- Fica aqui! Encosta o ouvido e escuta…

Ela deitou o ouvido dentro do círculo. Eu também. Sussurrando, ela perguntou como eu podia saber que o coração da Terra estava ali.

- Se eu fosse a Terra, eu deixava você pisar no meu coração.

(do livro A MENINA DE OLHINHOS RASGADOS - Ed.Dimensão - BH)

40 ANOS



Deus criou o mundo. O mundo dividido entre água e terra. A terra e as águas também foram divididas e receberam nomes muito tempo depois.

Entre essas terras e águas, Deus juntou água/terra de uma forma especial: coisa de Deus mesmo! A terra, dura, árida, ensolarada, ventre um tanto instável – ora frutificando, ora seguindo o vento. A água, abundante na sua escassez. Fosse a que amaciava a terra hidratando suas entranhas de esperança e que eram chamadas de rios,ribeirões,córregos. Fosse a que vinha dos céus, de vez em quando, e que eram conhecidas como milagre quando derramavam parcimoniosas; ou como castigo, ao inundarem tudo.

Para amansar essa terra e dar-lhe razão e felicidade, Deus mandou que ela se povoasse de homens e mulheres fortes, cientes de suas obrigações, corajosos nos seus desafios, crentes nas suas devoções, talentosos nos seus afazeres,amantes do viver e do construir. Machadeiros,canoeiros,rezadeiras,mães e pais, boiadeiros,
comerciantes,garimpeiros,artesãos,artistas, cozinheiras...

Povoada essa terra e celebrada as suas águas, Deus presenteou as gentes delas com o dom de rezar, de benzer. E de cantar.

Daí que tantos, tantos passados depois, por essa terra a que se deu o nome de Vale do Jequitinhonha, surge um lugarzinho especial, Araçuaí. Lugar de um povo que está sempre à direita do Pai.

Um dia, apareceu por lá um franciscano holandês, Chico, que juntou um tanto dessas gentes - entre elas Lira Marques e seus versos em cerâmica - e suas cantorias. Esses foram batizados Coral. Coral Trovadores do Vale.

Agora são 40 anos. 40 tantos de coisas que esses Trovadores mostraram para o Brasil e o mundo através de seus cantares e seus batuques.

Salve, eterno povo de Deus!

terça-feira, 27 de abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

POR FALAR EM VIAGEM


Viajar. Provavelmente uma das maiores felicidades da jornalista,diretora e apresentadora, Luciana Katahira. Mal chegou da viagem Bolívia/Peru e se prepara para embarcar na primeira semana de maio para a Europa. A rota é Bélgica,Holanda,República Tcheca,Itália,Espanha. Como ela afirma no seu programa sobre Cuzco(Peru), viagens dão saudade dos parentes e dos amigos.
Com certeza, parentes e amigos também sentem saudade dela.
Mas todos querem que ela seja feliz em suas viagens.
Hasta la vista!

AS PESSOAS QUE NOS SEGUEM

Entre espelhos,
refletimos.
Pela luz,
seguimos.
Em qualquer sentido,
estamos sempre indo.
Descubro uma nova seguidora, Veridiana. Visito seu blog, o Estrela do Mar. Bom de navegar. Aí, resolvi me apropriar da foto acima, da eterna viajante Luciana Katahira. A foto é de sua viagem pela Bolívia e Peru. Apropriação para reforçar a certeza de que apenas viajamos.

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