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terça-feira, 6 de março de 2012

COMPANHEIRAS

MANHÃ DE DOMINGO

domingo, 4 de março de 2012

HISTÓRIA

HISTÓRIA *

A Maternidade Odete Valadares comemorou 56 anos. A Maternidade foi fundada em 24 de março de 1955.Uma faixa, “sem muito glamour”, colocada na entrada diz que eu, nós fazemos parte da história dela. Eu, com certeza, pois nasci na “casa de parto”, como era conhecida, em 12 de setembro de 1956, às nove horas da manhã.

Mamãe estava na feira comprando chuchu para refogar com carne moída. Eu, um apaixonado por esta mistura acompanhada de arroz e feijão inteiro,  resolvi participar do almoço. Agora, do lado de fora da sua barriga. Sem comprar o chuchu, levaram minha mãe bem depressa.
12 de setembro é o dia em que também nasceu Juscelino Kubitscheck . Exatamente às nove horas, o pessoal do 12º. Regimento de Infantaria do Exército, situado próximo, dava uma salva de tiros de canhão em homenagem ao então presidente da República.

Não conheci Juscelino mas sua morte me emocionou muito. A salva de tiros pode explicar esta minha instabilidade emocional, minhas explosões, o volume sempre alto da voz, o entendimento de que a vida pode ser comemorada todos os dias.

Meus pais, aos 78 anos (papai nasceu em abril e mamãe em agosto de 1933), gostarão de relembrar isto numa próxima conversa entre nós. Papai, com perda quase total da audição, não escutará mais as salvas de canhão. Mamãe, na cama depois de um AVC, não refoga mais chuchu com carne moída.

Meus filhos foram comemorados com mais ou menos festas. Uma das filhas, demorei dias ( talvez meses,não me recordo agora) para conhecer e carregar no colo. Outra filha, passaram-se anos ( 10, eu creio) para que eu pudesse vê-la e abraçá-la. Ainda falando das filhas, tem a que eu gostava de “engolir” o pezinho. Dos dois filhos, o mais velho, ( para quem eu não soube dar, por pura falta de preparo, o amor como deveria) por causa da indecisão médica, quase morreu. O caçula ( que no seu perfil nas redes sociais escreve que tem “19 anos de experiência em Terra”) ensaia as novas viagens do ser humano.

Os netos chegam.Samuel,Gabriel e Isabela. Se eu não demorar muito, não adiar muito, posso  passar com eles em frente ao prédio da Maternidade Odete Valadares e contar esta história. Pode ser que eles me perguntem como é que a gente nasce.

Bem, cegonha era coisa do meu tempo. Creio que isto me auxilie.

Fotografia de acervo

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

FRAGMENTOS(1)

FRAGMENTOS  1

Aqui a gente vivia a normalidade, a mansidão de acompanhar as sombras das nuvens enquanto elas passeavam por estes céus invertidos, recoloridos. Paz purinha. Eternidade bebida em golezinhos. Entristecia se houvesse qualquer aceleração, qualquer mexida desajeitada, reinvenção do sossego.
A última novidade era a Coroaci barriguda, esperando bebê novo para somar seis, porque aqui a filharada se conta pela rama. Modo mais fácil não tem. Punhadinhos de mão cheia, no mínimo, em cada casa. Não importa se tem reboco, se é de pau a pique, se é de palmeira ou de sapé. Abraço de mãe basta. Ainda não inventaram casa melhor.

Eustáquio Periquito troçava com a quantidade de crianças que nasciam, todo ano, por aqui. Dizia que se cada um fosse transportado pela cegonha, este lugar teria um cheiro insuportável de penas. Sem falar no tapete de titica a cobrir o chão. Tião Preto aprovava a ideia.

- Pego a Barulhenta, azeito a bichinha e espanto essa galinhada espichada que ocês chamam de cegonha!
- Mas o senhor dava conta de matar tantas assim ?!

Tião Preto mira no fundo dos olhos do perguntador, assuntando se a interrogação é de espanto ou de chacota. O interlocutor pasma com as profundezas do olhar miúdo do Tião Preto. Entre os dois olhares o tempo congelado é barreira intransponível para qualquer filho de Deus vivente de sacrifícios e de dores por estas bandas. Nesse congelamento, quem piscar esfarela, vira caco de vidro d’água.

O caçador não desiste, espremendo o outro com as mãos do seu próprio medo. Medo de que a “Barulhenta” possa não funcionar contra as cegonhas e venha saciar sua sede de carnificina em cima daquele escanifrado caco de gente, vento revestido de taquarinhas de ossos e carne rasinha.

Do livro “Grigri”, inédito.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

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