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domingo, 21 de fevereiro de 2010

GENTE


Parabéns Joel Santana pela emocionante entrevista concedida ao programa Globo Esporte da Rede Globo de Televisão exibido neste domingo, 21/02/2010 e pelas declarações tão pertinentes sobre o ser humano, a personalidade pública e as trajetórias de vida. Tenha certeza de que o senhor acaba de entrar para a minha seleção de “sangues bons”. Vão também os cumprimentos para a equipe do programa pelo talento na condução da matéria sobre o treinador.

O HAITI

De Eduardo Almeida Reis, na coluna “Tiro e Queda” do caderno Gerais do jornal Estado de Minas, edição de domingo – 21/02/2010:

“Não fosse o terremoto, o Haiti continuaria com um palácio bonito e 150 mil pessoas a mais, um prédio da ONU e as tropas do Jobim tentando botar ordem naquela miséri a extrema. Não é de espantar que uma haitiana de 84 anos sobreviva dez dias sob os escombros de uma casa. Muito mais difícil foi sobreviver 84 anos em seu país”.

ESSA TAL DE FELICIDADE


Escreve Luiz Fernando Veríssimo, no caderno Plural, do jornal Hoje em Dia, edição de domingo -21/02/2010:

“O que é felicidade ?

Felicidade é quando o último canapé da bandeja sobra para você.
É quando você sacode a lata – e ainda tem cerveja!
É encontrar vaga no estacionamento depois de uma volta só.
É o dentista telefonar para desmarcar a hora.
E, ao contrário do que você sempre pensou, felicidade não é viver uma grande paixão, é ter alguém para coçar as suas costas”.

AS "PARTÍCULAS DE DEUS"

FOTO: http://ohermenauta.files.wordpress.com/2008/03/lhc.jpg

Esta “máquina” aí em cima é o Colisor de Hádrons. Está a cem metros de profundidade, na fronteira entre Suíça e França. Dois feixes de prótons, vindos de direções opostas, viajando a 99,99% da velocidade da luz num túnel de 27 quilômetros que gira 11 mil 245 voltas por segundo, vão se chocar. De acordo com os cientistas, dessa colisão poderão surgir os bósons de Higgs ou “as partículas de Deus”. Quer dizer, a experiência pretende reproduzir o big ben, o instante primeiro da criação do Universo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

AS VIAGENS DOS FILHOS

Escreve David Gilmour, em “O clube do filme”, Editora Intrínseca,RJ:

“Lembro minha última entrevista com David Cronenberg, durante a qual comentei, com um pouco de melancolia, que educar filhos era uma sequência de despedidas, um adeus após outro – às fraldas, aos agasalhos de neve, depois às próprias crianças. ‘Eles passam a vida partindo’, eu falei, e Cronenberg, que também tem filhos adultos, me interrompeu: ‘Sim, mas será que eles realmente partem?’”

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O "MENINO JESUS" DO SÉCULO 21

FOTO: RECORTE DA CAPA DA REVISTA VEJA EDIÇÃO 2149 – ANO 43 – No.4


Quantos braços abertos já vimos ou vemos, diariamente? São atletas comemorando, pessoas num encontro ou reencontro, ídolos circunstanciais num palco, corpos abertos para o vento e o sol e, claro, os do Cristo, abertos para a benção e para o sacrifício em favor de nós.

Contudo, nenhum desses braços abertos guardam mais força, mais esperança na vida, mais certeza de vitória do que os braços abertos do menino haitiano resgatado dos escombros dias depois do terremoto que matou mais de 100 mil pessoas em Porto Príncipe, capital do Haiti.

Affonso Romano de Sant’Anna reflete que “embora muitos pereçam, a ruína nos dá lições de vidas.Pois desabam os casamentos , os negócios,a saúde e os regimes, mas não se sabe onde nem por que milagre surgem forças propiciando o resgate e nos livrando do total aniquilamento”.

Este menino, que ao ser “puxado” de volta ao mundo, abriu os braços para os olhares do mundo. Ele mesmo vendo o mundo com um brilho particular nos olhos: o brilho daqueles que, mesmo por maiores que possam ser as adversidades, são capazes, fortes para vencê-las.

Se outros braços abertos não fazem mais efeitos entre nós “humgoístas” – essa nova espécie que povoa o planeta – os do pequeno haitiano gritam “estou vivo,estou vivo”.

O menino não vai para o palco com o Bono, não vai dançar com a Madona e conhecer o seu Jesus fashion , não será beijado pela Carla Bruni e nem se submeterá ao toque de recolher da Hillary Clinton ou aos ciúmes dos militares brasileiros quanto a presença americana em Porto Príncipe. Muito menos será convidado para um jantar a bordo dos gigantescos navios de turismo que estão ancorados em praias haitianas não alcançadas pelo abalo sísmico.

É provável que, neste momento ele esteja comendo uma bolacha de argila debaixo de alguma tenda armada na Cité Soleil. Situação que não é consequência apenas do terremoto da natureza, mas, principalmente, pelos vários terremotos dos homens das grandes potências, das grandes economias que, agora, diante das câmeras, encenam o espetáculo da solidariedade. Se olharem no fundo dos olhos do pequeno haitiano, vão descobrir quem, verdadeiramente, está “debaixo dos escombros”. E que os braços abertos do menino são a oportunidade que lhes é dada para escapar do total aniquilamento.O menino que eu chamo de “meu Menino Jesus”.

Retomando Affonso, ele nos fala, diretamente: “ Amigo,amiga, terremotos, dentro e fora de nós, hão de sempre ocorrer. A ruína, além da morte, nos dá lições de vida”.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

MINHAS RAZÕES DE VIVER

Meus dois netos são as grandes razões da minha vida, agora, depois dos cinquenta anos. Evidente que existem outras grandes razões. Algumas guardadas em absoluto sigilo, quase segredo de morte, outras que eu mesmo me encarrego de divulgar, de reforçar. Quase como se estivesse dizendo para mim mesmo que se as pessoas não se interessam pelas minhas razões de viver, eu me interesso. Assim repito todos os dias a minha lista.

Os netos, contudo, trazem algo de especial, de instigante. São como laboratórios por onde entram as minhas certezas e saem apenas emoção e amor. Não é possível amar os netos com certezas e regras. Sempre que a gente faz isso, dói no peito aquela dúvida se fizemos o certo com nossos filhos.Netos, penso eu, são nossos filhos reeditados e disponibilizados para que possamos rever uma enormidade de conceitos e preconceitos e descobrirmos que devíamos ter filhos depois dos cinquenta anos. Me parece o tempo ideal para tê-los só para amá-los, de maneira simples, de mão estendida, com olhar protetor e contemplativo. Creio que isso se deve ao fato de que, depois que a gente vira avô é que a gente vê a vida. Ingênua, ainda, ela então se apresenta como tudo aquilo que é bom. Aquilo que para nós, os avós, já se foi.

Então, me lembrei de Gonzaguinha e sua linda “De volta ao começo”.

E o menino com o brilho do sol
Na menina dos olhos
Sorri e estende a mão
Entregando o seu coração
E eu entrego o meu coração

E eu entro na roda
E canto as antigas cantigas
De amigo irmão
As canções de amanhecer
Lumiar a escuridão

E é como se eu despertasse de um sonho
Que não me deixou viver
E a vida explodisse em meu peito
Com as cores que eu não sonhei
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse

Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo

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