domingo, 24 de maio de 2009

ONDE ESTÁ A FOTO DO MENINO?



FOTO: http://www.ouropreto.com.br/noticias/imagens_noticias/thumbnails/tizumba

Tem show na praça e de graça, hoje, 24/05. Com direito a anúncio no caderno Cultura do jornal Estado de Minas. Mas o anúncio não traz a foto do Tizumba e o Tambor Mineiro. E olha que pela diagramação, espaço até que tem. Com todo o respeito ao Jota Quest e a Takai, quem vai por fogo mesmo na praça da Estação, nesta tarde possívelmente fria de domingo, vai ser o Maurício e a tamborzada. Mas que ficou esquisito não ter a foto dele no anúncio, ficou!

O ENCANTADOR DE LEITORES

FOTO:www.idelberavelar.com/archives/literatura/

O caderno Magazine do jornal O Tempo , de hoje, 24 de maio de 2009, traz matéria de capa assinada pelo jornalista Júlio Assis, sobre o lançamento do livro “Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras”, de Ubiratan Machado, editado pela Ateliê Editorial. Notícia auspiciosa para quem gosta de livros, livrarias e livreiros.

Contudo, na continuação da reportagem, leio na página 3, sobre o falecimento(no dia 7 de abril) de Amadeu Rossi - que eu arrisco a chamar de “encantador de leitores” tamanho o seu amor pelos livros. Morreu um amante dos livros que abriu sua livraria, em 1948, na rua Tamoios, entre Guarani e Olegário Maciel.

Tive a oportunidade de ouvir dele momentos espetaculares de sua vida e de sua paixão pelos livros. Paixão essa que, com certeza, está agora na responsabilidade de seus filhos, Lourenço e Amadeu. Tive a honra de receber dele, como presente para o meu filho mais velho, um exemplar sobre a vida de Bethoven e para mim, um exemplar de um dos volumes de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust. Foi através de Seu Amadeu que eu pude ler A Cartuxa de Parma ou obter um exemplar de uma edição de 1950 e ...de A Fome, de Knut Hamsun, por exemplo. Felizmente, minha humilde biblioteca guarda a grandeza de livros adquiridos na Livraria Amadeu.

Seu Amadeu é uma dessas pessoas que confirmam Fernando Pessoa: não é uma alma pequena.

sábado, 23 de maio de 2009

EM JUNHO.AGUARDE!

FOTO:Luciana Katahira/Arquivo de viagem ARTE:LK COMUNICAÇÃO

Confirmada para junho(provavelmente dia 6) a estréia do programa CIDADE DA GENTE - Série especial Argentina, na TV Horizonte, canal 19. São cinco programas: Etapa Buenos Aires, Etapa Bariloche,Etapa El Calafate, Etapa Puerto Madryn e Etapa Ushuaia. A " passagem para o fim do mundo" é uma aventura emocionante que a jornalista e diretora, Luciana Katahira, fez até a patagônia argentina. Enfrentando os desafios e os mistérios de uma viagem solitária, o resultado do trabalho de Katahira é uma generosidade dos lugares visitados, e dela, para com todos nós.

ESTA É PARA O DR. SPOCK

FOTO: neonlimelight.com

Recebo um spam com o seguinte título: MAKE YOUR VOLCANO ERUPT MORE LAVA . Coisa que só o Doutor Spock pode explicar.

POESIA DE SÁBADO


ESCRITOS ANTIGOS PARA ASSUNTOS SEMPRE NOVOS

Negrito
Nos meus arquivos encontro esta crônica, escrita depois de uma conversa com meu filho caçula, em 2002. Sete anos depois, ainda que ele também esteja aprendendo incertezas, tudo me parece tão apropriado.
TELESCÓPIOS

Meu filho mais novo, o caçulinha, completa dez anos hoje. Ainda me lembro quando ele deu as caras por aqui depois de uma cesariana. Veio sujinho de sangue, embrulhado em panos limpos nos braços de uma enfermeira com ares e modos de mãe do mundo.

Hoje ele recebeu mais presentes e telefonemas do que imaginava. Mais tarde, só nós dois em convívio, assistismos um filme em vídeo, almoçamos um mexido de arroz, lingüiça, ovo e feijão. Até a sua hora de ir para a escola. De calça curta, que o sol tá brabo.

O calor em Belo Horizonte anda insuportável. Por mais que a meteorologia dê explicações, os seus equipamentos são tão precisos como a opinião de parentes sobre o sexo do nosso filho. Quer dizer: cinquenta por cento de chance de acerto e igual proporção de erro. E os que acertam juram de mãos postas que nunca erraram um palpite. Já os derrotados alegam que foram enganados por certas condições e características apresentadas pela futura mãe: tamanho e circunferência da barriga; apetite; irritabilidade; quantidade de pontapés e coisa e tal. A meteorologia bate o escanteio e corre para cabecear.

Nestes tempos de tanta modernidade, dos inúmeros avanços científicos, parece um contra-senso aceitar uma ciência cujas bases são o palpite e a previsão. Se os técnicos conhecessem o João da Areia ficariam espantados. Sem aparelho nenhum, o homem acerta mesmo! Se bem que nos últimos anos ele anda meio ressabiado com a vida e a natureza.

Por outro lado, acabo de ler uma notícia de que o telescópio Hubble, engenho humano que orbita a quinhentos e sessenta quilômetros da Terra, está prestes a nos explicar a origem do Universo. De acordo com a estimativa da NASA ( não vou cair na tentação do sinônimo cético), lá para 2010, o invento de doze mil e quinhentos quilos vai dizer como tudo começou há quinze bilhões de anos. Nele está um equipamento que, se instalado em Washington é capaz de localizar dois pirilampos, a dois metros de distância um do outro, em algum jardim de Tóquio.

Imagino os físicos, matemáticos, biólogos, astrofísicos e toda a seleção científica mundial se deparando com um par de mãos a segurar uma caixa de fósforos e uma bomba(daquelas que na minha infância eram chamadas de “garrafinha”). Já pensou se o começo de tudo foi um traque no céu?

Gostaria de saber ao Luiz Ernesto sua opinião a respeito. Até que isto ocorra, vou ao terreiro e olho para o alto: chove ou não chove?

O aniversariante aparece e se manifesta intrigado com o meu cientificismo de depois do almoço. Quer saber como a gente descobre se vai chover ou não apenas olhando para cima. Nestas horas não me recordo de nenhum psicólogo ou pedagogo disponível para discutir questão tão relevante com um menino de dez anos.

Achismo é a ciência da moda. Todo mundo acha alguma coisa. Até mesmo quando temos certeza, dizemos eu acho. É o maior nariz de cera do diálogo esquivo da Humanidade.

Dez anos e meu filho me pergunta aquilo que, eu acho, nunca perguntei ao meu pai. Talvez porque naquela época – alguns dez anos atrás – a palavra ou o silêncio dele sempre foram verdades indiscutíveis. Não tínhamos idéia de como seriam as coisas nem através de um binóculo !

O mundo ficou grande. Meu filho é uma destas grandezas. Atento ao que está à sua volta, não demora muito e será capaz de me trazer inacreditáveis certezas. Em 2010 haverá de comemorar seus dezoito anos lendo a história do princípio de tudo. Quem sabe, até rindo das histórias que eu lhe contei.

Mas será meu filho, como são os outros quatro irmãos que ele tem, dos quais duas ainda não conhece. Por enquanto escondo dele as aventuras do meu telescópio particular. Será um ser humano questionando a vida vivendo-a.

Ao meu lado, sentado à escada da varanda de sua casa, quer saber de mim se vai chover. Respondo que não. Ele se vai em busca de novos conhecimentos.

Agora que a chuva cai, meu palpite na enxurrada, gostaria de estar ao seu lado para explicar as incertezas do homem. Melhor não. Prefiro que o meu olhar de pai apaixonado seja dois pirilampos a vigiá-lo. Tomara que o telescópio dele esteja em reparo.

POVO QUE TEM HISTÓRIA, CONTA!


A Câmara Municipal de Itabira promove, neste 27 de maio próximo, a exibição e o lançamento do vídeo ONTEM, UM PRESENTE PARA O AMANHÃ. Avô passeia com sua neta pela cidade e conta partes da história política,social,econômica e cultural do município e mostra como são importantes a Câmara de Vereadores e a participação de todos para o desenvolvimento de uma cidade. Bela peça!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FAZENDO SUCESSO NO JAPÃO

Estamos de volta da nossa viagem ao Japão, o que já se tornou pra nós algo inesquecível. Foram 21 dias muito intensos, um livro pra contar, às vezes, parecia que estávamos mesmo em outro planeta. É incrível a riqueza e diversidade daquele lugar, sua cultura, o jeito de ser das pessoas, de maneira geral contidas, mas muito gentis, corretas e absolutamente refinadas.

Tivemos lotação esgotada em todas as nossas apresentações, em duas delas tivemos que fazer sessão dupla, e ao melhor estilo japonês, com som, luzes e tudo mais, perfeitos! Ficamos muito impressionados e surpresos com o público que temos por lá, pra vc ter uma idéia, fomos comprar discos na Tower Records de Tóquio, a maior do mundo, com 7 andares, e no setor de MPB haviam apenas dois stands individuais, um do Caetano, e outro nosso, com dizeres de bem-vindos ao Japão.

Tudo isso graças ao excelente trabalho do nosso produtor, Yoshihiro Narita. Ele é sensível e impecável, cuidadoso com cada detalhe, e realmente tem sido um grande parceiro e responsável pela disseminação do nosso e de vários outros trabalhos de música brasileira no seu país.

Foi muito bom sentir de perto, a receptividade e o amor dos japoneses pela boa música brasileira, e o quanto ela está presente entre eles. No blog do site dele (Yoshi), tem algumas fotos das nossas apresentações. www.nrt.jp

Bem, agora já estamos por aqui na nossa boa e velha rotina: obra, aulas, projetos...

Um forte abraço pra vc, dos amigos,Renato e Patricia .

sábado, 9 de maio de 2009

PELA INTERNET

TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca.. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

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