sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SAUDADES, MEU CARO.SAUDADES!


Seu Emílio Atanásio – um ser humano que me honrou em tê-lo como sogro, certa vez, me fez ouvir um cd com músicas interpretadas por Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. Duas vozes belíssimas e dois seres humanos de uma beleza ímpar. Seu Emílio, por várias vezes, fez referências aos filmes que os dois estrelaram juntos. Há umas duas ou três semanas atrás, comprei na DVD Cine Show, na Galeria do Othon Palace Hotel, em BH, um dvd com o filme “ A princesa do Eldorado “ ( The girl of the golden west), de 1938, dirigido por Robert Z. Leonard, roteiro de Isabel Dwan e Boyce Degaw. O filme é estrelado por Nelson e Jeanette, com a participação de Walter Pidgeon(ótimo), Leo Carrillo e Buddy Ebsen. História de amor da melhor qualidade, narrada entre o drama e o musical.

Chorei, hoje, as lágrimas de saudade que não soube chorar quando seu Emílio se foi para algum cinema no céu. Chorei por ele não ter assistido (ou talvez o tenha e eu não seja tão perspicaz) ao meu lado com toda essa tecnologia que ele não pode desfrutar(mas que desfrutou da que existia enquanto esteve por aqui).Chorei pelo enredo. Aliás, costumo chorar até quando leio bula de remédio.

Saudades, meu caro Seu Emílio.

AO GOSTO DO COMPRADOR?

Como ele diz em todo palanque , nunca país como este, patatipatata. E nunca mesmo! Enquanto ouço o grupo TANGHETTO e seu eletrotango, vou “navegando” por estes mares virtuais e, como não podia ser diferente, descubro pérolas como esta que está disponível no endereço http://blognatv.com/blog/2009/01/30/estrela-de-lost-leiloa-calcinhas-para-ajudar-criancas-brasileiras/

Estrela de Lost leiloa calcinhas para ajudar crianças brasileiras
Postado por: Gisele Ramos em Lost

Sim, é isso mesmo que você acabou de ler. Evangeline Lilly, a Kate de Lost, está promovendo um leilão no E-Bay, onde ela oferece peças de sua coleção de lingerie inspirada no Brasil chamada R* Favela Brazilian. O valor arrecadado será revertido para a entidade Task Brasil, dedicada a ajudar crianças e adolescentes em situação de risco do país. No vídeo abaixo, que faz parte da página do leilão, Evie fala mais da coleção e também um pouco sobre a Task Brasil. Hey, vale a pena comprar uma calcinha, né?

Para quem não sabe, deixe a TASK se apresentar (vide http://www.taskbrasil.org.uk/index.cfm?contentid=58:


BEM-VINDO

A Task Brasil Trust é uma organização não governamental (ONG), fundada em 1992, estabelecida na Inglaterra, sem fins lucrativos. Funciona em um pequeno escritório em Londres, supervisionando os projetos implementados no Brasil, todos voltados para o benefício e o apoio às vidas e às necessidades de crianças, adolescentes grávidas e jovens de rua do Brasil.
Em 1997, a Task Brasil recebeu uma generosa doação do guitarrista inglês Jimmy Page, da legendária banda de rock Led Zeppelin. Ele teve a oportunidade de testemunhar a situação de risco das crianças de rua quando esteve no Rio de Janeiro, se apresentando com seu antigo companheiro do Led Zeppelin, Robert Plant. Nessa ocasião, ocorreu um distúrbio grave na favela próxima ao hotel onde Jimmy ficou hospedado, deixando-o muito impressionado. Graças à doação de Jimmy Page, foi possível iniciar os trabalhos da Task Brasil no Brasil e adquirir uma propriedade no Rio de Janeiro, chamada posteriormente de Casa Jimmy, em sua homenagem.
A Casa Jimmy tem a função de servir como um local seguro e feliz para cerca de 25 crianças e adolescentes grávidas com seus bebes, de rua. A Task Brasil opera 5 projetos (Casa Jimmy, Casa Charlotte, Casa Jimena, Forest House e Casa Roger Turner) em regime de acolhida e um de abordagem de rua.
Conheça mais sobre os projetos da Task Brasil Trust e sobre a Casa Jimmy. Descubra como participar como voluntário, como patrocinar uma criança ou faça uma doação online.
Contate-nos
Organizamos grupos de Ecotourismo –Aventura em Agricultura Orgânica." Ecotour - The Organic Farming Experience" que acontecem três vezes por ano, (abril/junho/outubro) com um itinerário fantatico e divertido. Ou, em janeiro e agosto somente Farming Experience com estadia no sitio. O jornalista, Euan Fergson da seção de Turismo do jornal inglês The Observer participou de um desses grupos em março de 2004 e escreveu uma reportagem sobre sua experiência. Para mais informações, clique no link
Ecotour - The Organic Farming Experience
Com a sua ajuda, poderemos garantir que essas crianças tenham um teto, recebam amor, tenhamacesso a educacão, saúde e esportes dentre outros. Acima de tudo, tenham as oportunidades que merecem ".

É aquele negócio: cada um dá o que tem, cada um recebe (ou compra) o que quer. Resta saber se a peça é zero bala, se é usada , mas vem lavada e perfumada ou(tem gente que gosta, uai! ) vem usada e o comprador lava quando quiser.

HORA DO ALMOÇO

Menu

Banquete de picanha e pizza caseira.
Mãe ainda assa empadinhas com o mesmo molho de hoje.
Não entendia de culinária mas meu estômago é de festa e crença em Natal.
Mãe ainda cozinha o mesmo molho mas não faz a mesma massa.
Não é mais da massa.
É dos “vicentinhos” e das hipocrisias da Igreja.
Continuo acreditando em Natal.
Também aprendi que sou alma pequena.
Minha insignificância vale a pena.

REFLEXÕES SOBRE ALGUMA COISA

Se houver um plano de sequestro das mentes mais brilhantes do país, boa parte de Brasília está salva.

TERAPIA TECNOLÓGICA 1

É quando o seu computador dá pau e você se recorda, com saudade e resignação, do tempo em que você é que fazia isso. Sem o menor constrangimento.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PARA LER NA REDE

Vale a pena ler os escritos do Zé Sana e do Cleber Camargo no www.defatoonline.com.br e os do Fernando Silva e Armando Bello no www.viacomercial.com.br Aliás, Armando Bello - eleito o homem mais bonito de Belo Horizonte, nos anos 70, faz um colunismo social de primeira linha. Bem ao gosto de quem quer um texto engajado e independente.

TERAPIA TECNOLÓGICA

É quando a gente deposita toda a confiança no nosso celular para que ele toque e alguém fale conosco, mas o único sinal que ele emite é para avisar que a bateria está fraca.

ÚLTIMA CENA


Transcrevo e-mail recebido. Conheci o Barros, ainda quando trabalhava na Fundação João Pinheiro. Depois cruzamos pela TV Horizonte. Amante do cinema, da sala de aula, fé consolidada. Bom exemplo de gente.

NOTA OFICIAL DA UNIVERSO PRODUÇÃO - MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES PROFESSOR JOSÉ TAVARES DE BARROSO

Brasil perde um dos mais importantes profissionais do audiovisual brasileiro – o professor José Tavares de Barros - querido amigo, colaborador, companheiro de várias jornadas e edições da Mostra de Cinema de Tiradentes e grande incentivador da criação da CineOP - Mostra de Ouro Preto.


O Professor Barros carregava na veia e na alma o cinema brasileiro.Compartilhava o seu conhecimento.Multiplicava ações, trocas, experiências, informações.Na Mostra Tiradentes tinha cadeira cativa nos debatesNa CineOP participou da sua idealização.


O Professor Barros ajudou a escrever e faz parte da história do cinema no Brasil e ficará eternizado nas mentes e corações de todos nós, brasileiros, que tivemos o privilégio de desfrutar deste grande colaborador, pesquisador, pensador, realizador, enfim... deste grande homem e profissional que hoje nos fez silenciar com sua partida.


Ao Professor Barros, nossa eterna gratidão.O céu ficará mais estrelado com a sua presença.E projetará na memória e registros mundo afora a sua trajetória - singular e histórica -com propósitos e idealizações com seriedade e dedicação.


Obrigada José Tavares de Barros por fazer parte das nossas realizações.


Raquel Hallak

Diretora da Universo ProduçãoCoordenadora da Mostra Tiradentes

ESPESSO COMO TIJOLO


Thick As A Brick , Espesso Como Um Tijolo, expressão popular para designar uma pessoa com dificuldades para assimilação. Um cabeça dura.

Ouvi este álbum do Jethro Tull, pela primeira vez, em vinil, creio que na casa de um amigo de ginásio, o David(por onde andará ele?) e na companhia do Ênio, do Adir e não me lembro mais quem. Tinha lá os meus 16,17 anos. Ainda guardávamos os resquícios da conquista do tri-campeonato de futebol e promovíamos audições intermináveis do que rolava de melhor “naqueles old times”: Jethro Tull, Pink Floyd, Mutantes, Juca Chaves, Chico, Rolling Stones, Beatles, Caetano. Audições regadas a batida, caipirinha, cerveja e, para os mais tradicionalistas, um tapa e outro num back homeopático.

De repente, hoje, resolvo promover uma nova audição – mas sem os amigos, sem álcool(que consumiu muito de mim,tempos atrás), sem a cannabis, só com o sozinho e a solidão (estes ultimamente se auto-convidam sem a menor cerimônia e , aos poucos vão tomando conta da casa: não faça isso, não ligue para aquilo, se esqueça de fulano, espere que sicrano aparece, seu dinheiro vai chegar, só tem isso pra comer, aqui não se bebe nada).

Só não quero ser “espesso como um tijolo”. E você?

Bom, segue a tradução da letra. Goteinei ni .

Tradução - Thick as a Brick - Jethro Tull
Composição de Ian Anderson
Disponível em http://whiplash.net/materias/traducoes/004854-jethrotull.html

ESPESSO COMO UM TIJOLO
Traduzido por Igor N. Vieira Publicado em 12/01/05
Colaboração: Márcio Ribeiro e Fernando P. Silva

PARTE UM:

Realmente não me importo se você ficar de fora dessa (1)
Minhas palavras, um sussurro - sua surdez, um grito
Eu posso fazer você sentir mas não posso fazê-lo pensar
Seu esperma está na sarjeta, seu amor está no ralo
Então vocês cavalgam pelos campos
E fazem todos os seus negócios animalescos
E seus sábios não sabem como é se sentir
Ser Espesso como um Tijolo (2)

E as virtudes (como) castelos de areia são todas varridas
Na destruição da maré, o entrevero moral
O elástico toque de recolher anuncia o fim da peça
Enquanto a última onda revela o caminho da última moda
Porém seus sapatos novos estão gastos nos calcanhares
E seu bronzeado descasca rapidamente
E seus sábios não sabem como é se sentir
Ser Espesso como um Tijolo
E o amor que eu sinto está tão distante
Eu sou um sonho ruim que acabo de ter hoje
E você balança sua cabeça
E diz que isto é uma pena
Rebobina-me de volta aos anos
E os tempos da minha juventude
Puxe o laço e as cortinas negras
E tampe toda a verdade
Rebobina-me de volta às eras distantes
Deixem que cantem a canção
Veja lá! Um filho nasceu
E decretamos que ele está apto a lutar
Há cravos em seus ombros
E ali ele se mija à noite
Nós faremos dele um homem
O colocaremos no comércio
O ensinaremos a jogar Monopólio (3)
E como cantar na chuva
O Poeta e o pintor
Projetam sombras na água
Enquanto o sol incide na infantaria
Retornando do mar
O fazedor e o pensador: sem tolerância um com o outro
Enquanto a fraca luz ilumina a crença do mercenário
A lareira caseira acesa, a chaleira quase fervendo
Mas o senhor da casa está distante
Os cavalos cavalgam forte
Sua respiração quente se condensa
Na afiada e gélida manhã do dia
E o poeta ergue sua pena
Enquanto o soldado embainha sua espada
E o caçula da família
Se move com autoridade
Construindo castelos junto ao mar
Ele desafia a maré tardia
A arrastar todos eles para longe
O gado tranqüilamente pastando na grama
Perto da beira do rio
Onde as águas da montanha se aglomerando
Movem-se em direção ao mar
O construtor dos castelos
Renova o antigo propósito
E contempla a menina ordenhadora
Cuja oferta é sua necessidade
Os jovens adultos da casa
Saíram todos para prestar serviço militar
E não são esperados por um ano
O jovem e inocente mestre
Pensamentos movendo-se cada vez mais rápidos
Formaram o plano
Para transformar o homem que aparenta ser
E o poeta embainha sua pena
Enquanto o soldado ergue sua espada
E o mais velho da família
Move-se com autoridade
Vindo do além-mar
Ele desafia o filho
Que o pôs pra correr
O que você faz quando o velho parte?
Você quer ser ele?
E o seu id canta a canção
Você quer libertá-lo?
Ninguém para ajudá-lo a juntar o vapor (necessário)
E o redemoinho o tira de seu curso

MAIS TARDE
Eu vim da classe alta
Para corrigir seus modos podres
Meu pai era um homem de poder
A quem todos obedeciam
Então, venham todos, seus criminosos!
Eu tenho que pôr vocês na linha
Assim como fiz com o meu velho(com)
Vinte anos de atraso
Seu pão e água estão esfriando
Seu cabelo é curto e impecável
Eu julgarei todos vocês e terei toda certeza
De que ninguém me julgará
Você encolhe seus dedões do pé de brincadeira
Enquanto sorri a todos
Você depara com os olhares fixos
Você não está ciente
Que suas tarefas ainda não acabaram
E você ri da forma mais cruel
Enquanto nos diz o que não devemos ser
Mas como é que se espera de nós enxergar
Para onde deveríamos correr?
Eu o vejo arrastando os pés pelo tribunal
Com seus anéis nos dedos
Suas pequenas costeletas felpudas
E seus sapatos com fivelas de prata
Jogando por um caso difícil
Você segue o exemplo do ídolo dos quadrinhos
Que lhe permite burlar as regras
Então! Vamos lá, heróis da infância!
Não vão se levantar das páginas
De seus quadrinhos, seus super velhacos
E nos mostrar o caminho?
Bem! Façam seus testamentos
Não vão se unir ao seu governo local?
Teremos o Super-Homem para presidente
Que Robin salve o dia
Você faz a sua aposta no número um
E dá sempre ele
As outras crianças já desistiram
E o colocaram em primeiro na fila
Então finalmente você se pergunta
O quão grande você é
E conquista seu lugar em um mundo mais sábio
De grandes automóveis(E você se pergunta a quem recorrer....)
Então! Onde diabos estava Biggles
Quando você precisou dele sábado passado?
E onde estão todos os desportistas
Que sempre o incentivaram?
Eles estão todos descansando na Cornualha
Escrevendo suas memórias
Para uma edição em brochura do Manual dos Escoteiros

(1) Sit this one out = 'sentando nessa do lado de fora'. Expressão idiomática para dar a vez ou pedir descanso durante um evento. A expressão vem das danças de salão quando alguém vai sentar enquanto a música esta rolando. O equivalente ao nosso, 'ficar de fora dessa.'

(2) Thick As A Brick = Espesso Como Um Tijolo, expressão popular para designar uma pessoa com dificuldades para assimilação. Um cabeça dura.

(3) Teach him to play Monopoly (O ensinaremos a jogar Monopólio) = Dupla associação, primeiramente ao jogo de tabuleiro que no Brasil é conhecido pelo nome de 'Banco Imobiliário'. Segundo, pelo chamado 'jogo de monopólio na vida real', que trata-se da compra e venda de imóveis e ações.

PARTE DOIS:

Veja só! Um homem nasceu
E decretamos que ele é apto para a paz
Há um peso retirado de seus ombros
Com a descoberta de sua doença
Iremos tomar a criança dele, submetê-la à prova
Ensiná-la a ser um homem sábio, como enganar os outros

CITAÇÃO
Estaremos nivelando pela média
Em detrimento ao excepcional
Deus é uma responsabilidade esmagadora
Andamos pela ala da maternidade
E vimos 218 bebês vestindo náilon
Diz aqui que os gatos
Estão sendo aprimorados, aprimorados?

MAIS TARDE
No esplendor dos suaves halos matinais
Eu assumo meu posto com o senhor das colinas
E os soldados de olhos azuis
De pé estão levemente descorados
Em pequenas filas organizadas
Ostentando babados de lona
Com suas sungas beliscando
Eles descansam da posição de sentido
Enquanto fazem fila para sanduíches
Na cantina da repartição
Dizendo, “como vai sua vovó?”
E o bom e velho Ernie
Ele arrumou uma nota de dez
Ganha como prêmio de um abono
As lendas escritas no antigo hino tribal
Jazem embaladas no chamado da gaivota
E todas as promessas que eles fizeram
Estão enterradas embaixo da queda do sádico
O poeta e o sábio ficam atrás da arma
E sinalizam para o raiar da aurora, acendem o sol
Você acredita no dia?
O Amanhecer da Criação dos Reis começou
Suave Vênus donzela solitária
Traz aquele que não envelhece
Você acredita no dia?
O herói decadente retornou para a noite
E totalmente prenhe pelo dia
Os sábios endossam a visão do poeta
Você acredita no dia?Acredita?
Acredite no dia!
Deixe-me contar-te as histórias de sua vida
Do seu amor e o corte da faca
Da opressão incansável, da sabedoria instilada
Do desejo de matar ou ser morto
Deixe-me cantar sobre os perdedores estiradosN
a rua enquanto o último ônibus passa
As calçadas estão vazias
Nas sarjetas escorre o vermelho
Enquanto o tolo brinda seu deus no céu
Então vide vós, jovens
Que estais construindo castelos!
Marcai gentilmente a época do ano
E unam suas vozes em um coro infernal
Marquem a natureza precisa de seu medo
Deixe-me ajudá-los a juntar os seus mortos
Enquanto os pecados do pai são alimentados
Com o sangue dos tolos
E os pensamentos dos sábios
E do tacho debaixo de sua cama
Deixe-me dá-lo um presente em forma de canção
Enquanto o sábio peida e se retira
Enquanto o tolo com a ampulheta
Tem suas esperanças frustradas
E o verso infantil continua a serpentear
Então vide vós, jovens
Que estais construindo castelos!
Marcai gentilmente a época do ano
E unam suas vozes em um coro infernal
Marquem a natureza precisa de seu medo
Vejam! Os relâmpagos de verão
Lançam seus raios sobre vocês
E a hora do juízo final se aproxima
Você seria o tolo em pé, de armadura
Ou o homem mais sábio que corre sem ela?
Então! Vamos lá, heróis da infância!
Não vão se levantar das páginas
De seus quadrinhos, seus super vilões
E nos mostrar o caminho?
Bem! Façam seus testamentos
Não vão se unir ao seu governo local?
Teremos o Super-Homem para presidente
Que Robin salve o dia
Então! Onde diabos estava Biggles
Quando você precisou dele sábado passado?
E onde estão todos os desportistas
Que sempre o incentivaram?
Eles estão todos descansando na Cornualha
Escrevendo suas memórias
Para uma edição em brochura do Manual dos Escoteiros
É CLARO
Então vocês cavalgam pelos campos
E fazem seus negócios bestiais
E seus sábios não sabem como é se sentir
Ao ser Espesso como um Tijolo

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A VIAGEM DO ELEFANTE E O FIM DE TODOS NÓS

A viagem do elefante, o mais novo livro de José Saramago - Cia das Letras, 256 págs. - consegue reunir o bom humor, a ironia, o sarcasmo, a história e a efemeridade do ser humano, dos seus títulos, das suas vaidades de caráter e de matéria. Saramago, que esteve muito doente e que dedica o livro à sua mulher, Pilar, " que não deixou que eu morresse", de algum modo, usa o périplo do mamífero - que na vida "real" abandona o grupo para morrer sozinho - para sinalizar a compreensão de seu próprio fim. O livro tem um tom de confissões antes de partir. E ele afirma que o melhor, na vida, é ser romancista,ficcionista,mentiroso.

Assim como os elefantes, nós também nos recolhemos quando o sentido de ir embora é mais forte do que as rotas que traçamos para a nossa vida, aqui. Ao contrário de buscarmos refúgio em uma caverna, ou lugar distante, voltamos ao profundo de nós mesmos para compreender a ruína de tudo aquilo que pensavámos ter construído. E percebemos que tudo se resume a doses homeopáticas de ilusão que ingerimos para fugir da verdeira razão das coisas:o fim.

Desmoronam-se os laços afetivos, as casas, as famílias, os irmãos, os amigos. Saimos para morrer dentro da nossa própria solidão, num colóquio sombrio com o silêncio.

Somos elefantes de vaidades. Mas não deixamos marfim como lembrança de nós.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

É AMARGO MAS NECESSÁRIO

O SILÊNCIO DOS AMANTES - Lya Luft - Editora Record - 159 págs. Um nó na garganta que se instala logo ao final do primeiro conto e que só vai ser engolido na última frase do último texto. Mas é simplesmente humano, no que de humano os nossos sentimentos guardam. Dói,muito. Infelizmente somos todos também personagens de seus textos.

CARNAVAL NO VALE, VALE


Itamarandiba, ao contrário do que diz a melodia, anda bem viva e preparada para receber quem gosta de carnaval ou quer passar a festa de momo longe dos grandes centros. Cidade do Vale do Jequitinhonha – região que não precisa de piedade e sim de oportunidades – a 430 quilômetros de Belo Horizonte (próxima de Minas Novas, terra do meu querido Dr.Geraldo, Dona Conceição, Adão e onde nasceu Dom Serafim Fernandes de Araújo ), Itamarandiba é conhecida pelas suas construções históricas, belezas naturais e povo de grande acolhida.

Neste ano, Ita promove o Carnaval Solidário 2009 – Itamarandiba de mãos dadas com a alegria. Muitas atrações, bandas profissionais, blocos caricatos e as duchas em praça pública para refrescar os foliões. Imperdível.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

POESIA PARA UMA TARDE CHUVOSA


Roça


Benedito vem descendo a rua
segurando um burro
que segura o leite dentro da carroça
que parece noiva enlouquecida
fugindo do altar.

O negro vem contando pedras
e o burro fincando os passos.
As latas dão-se as mãos
e a noiva encarroçada, sem dizer nada,
deixa seu véu, em trapos, pela rua.

Na serra
um solzinho de estio põe as mãozinhas
nos cumes
e debruça o corpo quente na terra.
Manhã circula. O dia é uma notícia...
de ontem.

RESERVA DE MERCADO

Amigo meu, apreciador de uma boa cerveja, me avisa das mudanças no mercado consumidor americano com relação ao referido produto, a partir de hoje: só bavária ou brahma.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PARA COLECIONADORES

Nada melhor do que sair por aí em busca de um bom filme, um bom livro, cd ou vinil. Em uma dessas minhas “buscas” encontrei no Rei do Lanche(dos meus amigos Sebastião e Maíra), na rodoviária de Itabira, Minas Gerais, o dvd com o filme “Donzoko” (Ralé, em português). O roteiro é de Akira Kurosawa e Hideo Oguni. A direção é de Kurosawa. Belíssimo.

A produção é de 1957. Tem 137 minutos, com uma bela fotografia em p&b de Kasuo Yamasaki. Trata-se de uma tragicomédia. Mais tragédia do que risos. É uma adaptação da obra Maxim Gorky, escritor russo que, segundo historiadores, tanto abraçou a causa de Lênin, quanto a tirania de Stalin. Na adaptação o cenário sai da Rússia imperial, passando para o período Edo japonês.

O filme mostra o cotidiano de estranhos hóspedes numa pequena e paupérrima pensão. Ali, desfilam diversos tipos de gente, como um ex-samurai (Minoru Chiaki), um ator (Kamatari Fujiwara – uma espetacular interpretação) e um jogador (Koji Mitsu), enquanto, paralelamente, forma-se um intrincado triângulo amoroso envolvendo a proprietária Osugi (Isuzu Yamada), sua irmã Okayo (Kyoko Kagawa) e o ladrão Sutekichi (Toshiro Mifune, o ator preferido de Kurosawa), que deseja a ambas. O elenco conta ainda com a participação de Ganjiro Nakamura, Akemi Negishi, Nijiko Kiyokawa, Eijirô Tono, Haruo Tanaka, Eiko Miyoshi e Bokuzen Hidari

Um pouco sobre Akira Kurosawa

Kurosawa nasceu em 23 de março de 1910 na cidade de Tókio, no Japão. É um dos maiores e mais brilhantes diretores da história do cinema. Mas iniciou sua vida no cinema como pintor, fazendo story-boards em quadros de grande escala.

Em 1936 tornou-se assistente de diretor. Sua estréia como diretor foi em 1941, no filme Uma. Na década de 40 experimentou vários gêneros em filmes como Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre e O Anjo Embriagado. Em 1950, com o filme Rashomon, conquistou o prêmio máximo do Festival de Veneza, revelando para o mundo ocidental o cinema do Oriente. Ainda na década de 50 um outro trabalho seu, Os Sete Samurais, viria ser considerado por diversas publicações uma das 100 maiores obras de todos os tempos.

Os anos 60 foram especialmente difíceis para Kurosawa. Frustrado com seu trabalho e estressado, chegou a tentar o suicídio no início da década de 70. No entanto sobreviveu e participou em 1975 em uma co-produção russa chamada Dersu Uzala. Em 1980, com a ajuda de Francis Ford Coppola e George Lucas, conclui o épico Kagemusha – A Sombra do Samurai.

Em 1985, dirigiu o filme Ran, sua segunda adaptação da obra de Shakespeare. Continuou seu trabalho até 1993, em filmes como Rapsódia em Agosto e Madadayo. Em 1990 recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra.

Muitos de seus filmes renderam adaptações para o cinema americano e europeu., como Sete Homens e Um Destino e Por Um Punhado de Dólares. O filme A Fortaleza Escondida, de 1958, foi a maior inspiração de George Lucas para a realização da saga Star Wars.

Foi considerado pela revista Entertainment Weekly como o 6º maior diretor de todos os tempos. Akira Kurosawa morreu aos 88 anos, em 06 de setembro de 1998, na cidade de Tókio.

::.. Filmografia - Diretor ..::
1993 - Madadayo (Madadayo)
1991 - Rapsódia em Agosto (Hachi-gatsu no kyôshikyoku)
1990 - Sonhos (Yume)
1985 - Ran (Ran)
1980 - Kagemusha - A Sombra do Samurai (Kagemusha)
1975 - Dersu Uzala (Dersu Uzala)
1970 - (Dodesukaden)
1965 - O Barba Ruiva (Akahige)
1963 - Céu e Inferno (Tengoku to Jigoku)
1962 - Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô)
1961 - Yojimbo - O Guarda-Costas (Yojimbo)
1960 - Homem Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodo Yoku Nemuru)
1958 - A Fortaleza Escondida (Kakushi Toride no San Akunin)
1957 - Ralé (Donzoko)
1957 - Trono Manchado de Sangue (Kumonosu Jo)
1955 - Anatomia do Medo (Ikimono no Kirodu)
1954 - Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai)
1952 - Viver (Ikiru)
1951 - Hakuchi - O Idiota (Hakuchi)
1950 - Rashomon (Rashomon)
1950 - O Escândalo (Shubun)
1949 - Cão Danado (Nora Inu)
1949 - Duelo Silencioso (Shizukanaru Ketto)
1948 - O Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi)
1947 - (Subarashiki Nichiyobi)
1946 - (Waga Seishun ni Kuinashi)
1946 - (Asu o Tsukuru Hitobito)
1945 - Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (Tora No o Wo Fumu Otokachi)
1945 - (Zoku Sugata Sanshiro)
1944 - (Ichiban Utusukushiku)
1943 - (Sugata Sanshiro)
1941 - (Uma)

A FOTOGRAFIA



Minha mãe, enquanto remendava uma roupa,dizia que o homem é o chefe, o marido é o senhor.Nossas atenções fixadas naquela vozinha mansa, indo e vindo feito o rádio na hora do Angelus. Minha mãe assemelhava-se ao antes de tudo. Limpa.

Nesse de vez em quando de conversa dava sinal de estar no mesmo tempo que nós. Era, na maioria do sempre, calada, mas gostava de ruídos. Vagamente pensava, num lá longe despalavreado. Costumava ter medo de escuro. Parece que só se fiava nos galos. Porque os galos, provavelmente, cantavam a canseira que ela andava sentindo das coisas.

Buscava refúgio nas orações. Ia sofrendo nos seus desencontros. Entardecia antes, nas profundezas de uma meditação inquieta. Sua vida era para dentro, como se não fosse. Vivia de si mesma, ingerindo seu interior.

Desapercebidamente foi mudando de casca e virou outra, e outra, e outra. Passou por nós. Nos remendos e no tricô talvez tenha escrito alguma coisa sobre ela. Mas ninguém, que eu saiba, teve paciência de ler.

A gente fica ouvindo nossa mãe e sua solidão. Entendendo a importância do homem, as precauções contra os sozinhos futuros. Cabia-nos submeter às suas intenções e ordens e retribuir com uma comidinha bem feita,uma roupa cada vez mais alva e cheirosa, e uma fertilidade de povoar a Terra.Para o homem o sacrifício, o esgotamento de nós.

Sobre as minhas intimidades aprendi a falar com os termos que minha mãe me disse. Por sinal, muito pouca coisa ela soube me ensinar. De qualquer forma, passados uns tempos, meu corpo e eu mesma conseguíamos esconder nossas debilidades. Ninguém notava. Às vezes, nem eu. Repetia minha mãe.

Toda noite ela pedia a Deus que fizesse felizes todos os seus filhos. Acendia vela, depositava flores e confiança aos pés de seus santos. Cuidava da casa carinhosamente, sua construção de vidro indestrutível. Não fazia mais conta de quantos anos tinha. Preocupação desnecessária. Que salvação, que prêmio pode alguém conseguir reunindo anos?Reunir o que já estava irremediavelmente perdido? Ela sabia que era uma subtração suicida, cujo resultado apontava sempre um resto, uma sobra da qual não sabia quanto mas que até amanhã já era muito.Contar a idade, ela dizia, mata mais depressa.

Olho o retrato de mamãe. Seus olhos na sombra. Encolhida na vergonha de se deixar fotografar.Vestida de preto. Em volta, plantas, pedras, muro, sol. Ela única. Externamente indivisível. Um riso ensaiado de todo dia. Olhar aéreo. Virginianamente sintonizada com as nuvens. Gasosa lembrança. Só.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O "SENHOR DO FUTURO"


De Steve Job, fundador da Apple, – e que luta contra um câncer no pâncreas - para formandos do qual ele foi patrono:

“O tempo de vocês está marcado, não o desperdicem vivendo a vida alheia”.

"I LOVE IT"

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Com o advento do dvd, os fãs daquelas séries antigas da tv – Túnel do tempo, Terra de gigantes, Bonanza, National Kid, Lassie, Jornada nas estrelas, O homem do rifle, Perdidos no espaço, A feiticeira, Jeanne é um gênio, entre outras – nadam de braçada em virtude da disponibilidade de adquiri-las, quase sempre a preços bem convidativos. Como faço parte desse grupo de “apaixonados” – e, claro, saudosistas – estou , agora, assistindo ao GET SMART – AGENTE 86 na versão em português. Um mix de James Bond e Inspetor Closeau, com humor de primeira qualidade capaz de envolver tanto a CIA e o FBI quanto a sociedade americana e o presidente da república.

Na linha de frente Don Adams, no papel de Maxwell Smart, Bárbara Feldon, como a agente 99 e Edward Platt (lembram-se de A leste do Éden?), como o chefe da agência de espionagem CONTROLE, sempre combatendo os agentes da KAOS.

O dvd número 5 da segunda temporada – dvd de “extras” – traz um trecho da comemoração dos 75 anos de Don. Este, depois dos discursos dos velhos (literalmente) amigos, faz um agradecimento e diz que, no seu enterro ele não quer flores, rituais, nem muita gente. Quer apenas os amigos para atender ao seu último pedido: “depois de morto, me tragam de volta à vida”.

Adams morreu nos Estados Unidos, em 25 de setembro de 2005, aos 82 anos. E a ironia de sua piada dos 75 anos ainda é, irresistivelmente, bela.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

NOTÍCIAS QUE ALEGRAM A ALMA DA GENTE

Recebo de meu amigo e parceiro, Renato Motha, uma notícia sobre o cd ROSAS PARA JOÃO no qual, com muita honra, está incluída uma composição - TREM DE FERRO , cuja letra é de minha autoria:

Eu, Renato e César
por por Luiz Lins (Cultura Campinas) em 25 de Novembro de 2008 à 1:54 am
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Semanas atrás, como sempre faço anualmente, soltei minha lista dos melhores trabalhos que ouvi na MPB durante o ano. Sem maiores pretensões mas procurando ser rigoroso, mesmo porque não tenho nenhum compromisso a não ser com meu paladar musical, comentei que o ano não havia sido dos melhores até porque o mercado discográfico não está lá essas coisas, como todos sabem.Mas fiz questão de frisar que mesmo trôpega a música brasileira, como só ela sabe ser, nos oferece ”vez em quando” momentos que de tão sublimes nascem eternos e para sempre na memória. Artistas, canções e trabalhos avessos aos imediatismos, aos estilos e aos formadores de opinião.Entre os projetos destacados, considerei “Rosas para João” como o melhor disco do ano. Um cd dedicado e inspirado na obra de Guimarães Rosa poderia ser um risco monumental resultando num trabalho pretensioso e regionalizado ao extremo perdendo a dimensão mágica, mítica e universal da prosa “guimarânica“.Mas o que vem de um mestre da escrita teve a sorte e a felicidade de cair nas mãos de um novo mestre da canção brasileira: Renato Motha, mineiro escondido lá nas Gerais mas já descoberto nos ínumeros festivais de música espalhados pelo país e apreciado por uma seleta trupe de fâs brasileiros e internacionais.Renato teceu o fio da canções como quem faz uma roupa delicada mas incrustada de pedras preciosas e rica em detalhes e texturas. Vozes ( a dele e de sua companheira Patrícia Lobato) acompanhada por uma intrumentação acústica captada com esmero no estúdio Via Sonora fez desse seu último trabalho um momento único.Com um pouco de silêncio e uma audição atenta essa magia “reacontece” (como bem poderia ter dito Guimarães..) com todos que o escutarem.E para minha surpresa, achei que estava sozinho nesse rompante enlouquecido de admiração extrema (risos).Mal sabia eu que, alguém mais, compartilhava de impressões bem semelhantes… Vejam:
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A ROMANTICA AVENTURA DE PROCURAR LIVROS

Para quem já viveu ou está vivendo a tensão de escrever uma tese(seja de graduação, mestrado,doutorado, pós-doc, não importa), sabe da importância de uma boa pesquisa bibliográfica e de um bom referencial teórico. A internet abre um universo espetacular de consulta. As bibliotecas também dão suporte mas, para quem leva a tarefa a sério e gosta de livros, nada melhor do que tê-los(os livros) ao lado, a qualquer hora.

Contudo, nem sempre os títulos estão disponíveis. A maioria está esgotada e sem previsão de relançamento. A alternativa imediata é a cópia xerox(uma péssima,ilegal e desrespeitosa alternativa). A outra, mais romântica, é sair procurando pelos sebos e livrarias “perdidos” por este país.

Passei pela experiência através do site http://www.estantevirtual.com.br/. Como o meu caro recém nomeado livreiro, William , da William Livros(Livreiro é diferente de vendedor. Ele tem paixão por livros, tem respeito por você, está sempre pronto a oferecer alternativas e , de modo geral, sabe alguma coisa do tema, do título ou do autor que procuramos.E liga para você falando de lançamentos.)

Na minha última lista, dois títulos “esgotados”, informou a Simone, colaboradora do William. Via estantevirtual os localizei. Um aqui mesmo em Belo Horizonte, na Livraria Horizonte. Fiz contato por telefone, com atendimento simpático. A Cleane, que me atendeu, separou o exemplar que eu vou buscar daqui a pouco, ao preço de 16 reais. O segundo, encontrei no Sebo264, em São Paulo. Segui as instruções de compra virtual e, como mineiro não perde o trem e desconfia até da sua própria certeza, me adiantei à perfomance da rede e busquei a concretização do negócio via telefone. Mais uma vez, atendimento fino, de primeira,(do Ed e do Bruno) como se eu fosse um José Mindlin. Terminada a conversa, ao voltar ao computador, lá estava, no meu endereço eletrônico todas as informações e procedimentos seguintes ao pedido.

Me senti o próprio José Mindlin, tamanha a qualidade do tratamento e a eficiência dos processos. O livro de São Paulo chega dentro de 48 horas.

sábado, 10 de janeiro de 2009

É PRECISO PENSAR

A polêmica do momento na terra de Drummond é o cancelamento do carnaval. Entre prós e contras, aproveitam para misturar sentimentos e ressentimentos muito, muito particulares. Incluem nomes, ameaças. Isso sem falar no tal do “fogo amigo”. Sem comentar o que diria Drummond dos erros linguísticos (sem trema, conforme decisão dos “filólogos”, muito bem lembrada pelo jornalista Fernando Silva no seu artigo “A “filologada” que hifenizou a vida da população”- vide www.viacomercial.com.br ) cometidos tanto na gramática quanto na ortografia nos comentários enviados para a Defatoonline(vide www.defatoonline.com.br ) , segue um escrito do poeta Carlos. Em tempos onde os especialistas, cientistas, fofoqueiros e ressentidos não encontram soluções para os seus próprios problemas, que tal a intromissão da poesia?

A Verdade
(Carlos Drummond de Andrade)
www.aindamelhor.com/poesia/poesias04-carlos-drummond.php

A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

PARA UM EXAME MAIS PROFUNDO

Recebo, via internet, mais uma edição do Jornal Mural do Hospital Nossa Senhora das Dores, de Itabira, MG, sob a responsabilidade da jornalista Pauline Campos. O periódico faz um balanço das atividades de 2008(cujo sucesso – basta ler o informativo ou fazer uma visita - tem muito da participação de Silvério Bragança e da diretoria) e traz, na sua capa, a relação de cursos oferecidos aos colaboradores nas áreas de saúde e administração (um total de 100 cursos). O que chama a atenção é o fato de que no curso “Precauções de isolamento” foram feitas 65 inscrições e apenas 7 presentes e no curso “Sensibilização para o acolhimento e atendimento ao paciente e familiar” dos 65 inscritos apenas 4 estiveram presentes. Ou seja, 6%.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

ANTES QUE A NOSSA HORA CHEGUE


Elizabeth KÜBLER-ROSS, em A roda da vida. Memórias do viver e do morrer – Editora Sextante, afirma que a morte é apenas a transição para uma forma de vida diferente, o estágio final da evolução terrena.

Em amplitudes diferentes, todos nós somos impactados, abalados e até entramos em estado de choque quando nos deparamos com o momento da morte. Momento este que não é só o da morte em si, mas também o de seus rituais. Ainda que existam sentimentos em relação ao outro que foi, o que mais nos incomoda é o fato de depararmos com a sensação de impermanência de nós mesmos. Isto ocorre quando invertemos as posições nos colocando no lugar desse outro.

Norbert ELIAS escreve em A solidão dos moribundos, da Edittora Jorge, que “a morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas”. “ A morte nos destrói sem nos atingir” , afirma André COMTE-SPONVILLE, no seu livro Bom dia, angústia, editado pela Martins Fontes. Já a francesa Simone de BEAUVOIR reflete, em Uma morte bem suave – Editora Nova Fronteira, que ao presenciarmos o sepultamento de alguém “assistimos ao ensaio geral do nosso próprio enterro”. José Carlos RODRIGUES diz que os ritos de morte são importantes pois eles “comunicam, assimilam e expulsam o impacto que provoca o fantasma do aniquilamento”(em O Tabu da Morte-Editora Achiamé). “A visão de uma pessoa moribunda”, aponta Norbert Elias, “ abala as fantasias que as pessoas constroem como uma muralha contra a idéia de sua própria morte”.

O que nos interessa com tudo isso é que devemos admitir a ambivalência de nossos sentimentos com relação à morte do outro. Se por um lado, nos abalamos e não aceitamos a morte dos que nos são caros e queridos, somos indiferentes quanto a morte distante, aos que morrem mas nos são desconhecidos na perspectiva da afeição. E, por incrível que pareça, costumamos acreditar que ela não nos alcançará.Daí, a enormidade de atos falhos, de egoísmos, de espoliações, de submissões e outros deslizes que cometemos ao longo da vida.

Por isso, é fundamental assistir o documentário NÓS QUE AQUI ESTAMOS, POR VÓS ESPERAMOS, um filme de Marcelo Masagão. Ganhador de 17 prêmios. É uma das mais belas sínteses da efemeridade humana tendo como pano de fundo um instante da vida que conhecemos como século XX.

AVISAR NÃO DÓI


Esta citação serve para todos os cidadãos que assumiram, ou ocupam, cargos públicos. E para todos nós. É do escritor e jornalista austríaco Karl Kraus(*1874-1936+).

“ O segredo do demagogo é parecer tão tolo quanto sua platéia, de maneira que estas pessoas possam se achar tão espertas quanto ele”

PANIS ET CIRCENSES

Foi costume no Império Romano a prática do panis et circenses todas as vezes que o senado e/ou a população, se mostra(vam) insatisfeito(s) com os atos do imperador. Lutas até a morte entre gladiadores davam o tom da festa na arena. Cabia ao imperador decidir pela morte ou não do derrotado. E ele o fazia, a partir da manifestação da massa presente. Sempre que a decisão era a de mandar o infeliz para o céu ou para o inferno, o imperador abaixava o polegar estendido da mão direita, em sinal negativo. E olhava firme para os senadores,(como se dissesse, “cuidado que o próximo pode ser um de vocês”) sentados à sua esquerda, geralmente, conforme determinava o protocolo cerimonial da época. Em situação contrária, se a decisão era a de dar uma sobrevida ao coitado(que, dependendo do grau dos ferimentos, ia direto para o restaurante leonino-nada a ver com o Bar do Leão, em Itabira, Minas Gerais, que tem o melhor tira-gosto da cidade), o imperador mantinha o polegar para cima e o povão alcançava o êxtase.

Essa escrita toda é para comentar uma decisão que o prefeito João Izael (que não tem nada de imperador romano) deve tomar : o cancelamento do carnaval oficial em Itabira.
A tática do “pão e circo” usada no Império Romano servia para distrair o povo, para ludibriá-lo, para acalmá-lo de algumas (algumas?!) contrariedades ou insatisfações fossem por causa de atitudes do governo, fossem por determinações do imperador. Ou por um fato externo para o qual o senhor romano pretendia dar uma de Pilatos.

Seria um contra-senso fazer festa em meio ao momento socioeconômico por que passa o município de Itabira, em virtude do comportamento da Vale de interromper sua produção, demitir muitos, colocar em férias outros muitos e entregar o problema para a prefeitura que é, depois da mineradora, o maior empregador municipal.

Nada contra o carnaval, ainda que não goste. Cada um pode comemorar do seu modo. Mas depois de toda a mobilização desencadeada por João Izael, que na primeira hora tomou decisões administrativas firmes e corajosas para seu segundo mandato e chamou para si a liderança de um movimento pró-Itabira em relação à postura da Vale, seria paradoxal ressuscitar a prática romana, promovendo uma festa de 3,4 dias às custas do dinheiro público. Aliás, como vem alertando desde o início, Izael sabe que vai ter uma redução brusca no seu orçamento em função dos procedimentos da mineradora.

Ao que parece, essa decisão do prefeito conta com o apoio do seu secretário de Esportes, Geraldo Martins da Costa, o Lado. Se assim é, o secretário começa com o pé direito a sua gestão.

Ao contrário de panis et circenses , João vai suscitare in arma o povo itabirano para vencer esse instante de dificuldade. E aí, sim, comemorar.

* o circenses com “i” quer dizer dar jogos no circo, promover jogos no circo; circenses com “e” significa solenidade em que eram inaugurados os jogos de circo. (Cfe. Dicionário Latino-Português, de F.R.Saraiva dos Santos, Ed.Livraria Garnier – pág.219).

POESIA SEMPRE

AUSÊNCIA

Hei de levantar a vasta vida
que ainda agora é teu espelho:
cada manhã hei de reconstituí-la.
Desde que te afastaste,
quantos lugares se tornaram vãos
e sem sentido, iguais a luzes no dia.
Tardes que foram nicho de tua imagem,
músicas em que sempre me aguardavas,
palavras daquele tempo,
eu terei que quebrá-las com minhas mãos.
Em que ribanceira esconderei minha alma
para que não veja tua ausência
que como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitiva e desapiedada?
Tua ausência me rodeia
como a corda à garganta.
O mar no qual se afunda.

(Jorge Luis Borges, do livro FERVOR DE BUENOS AIRES)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

ESSA TAL DE HIPERMODERNIDADE

Vivemos o que o sociólogo francês Gilles Lipovetksy, em seu livro Os Tempos Hipermodernos, chama de hipermodernidade - ou uma segunda revolução moderna que tem início nos anos 1990. Para Lipovetksy, é um instante produzido pela ascensão irresistível e incontrolável do império do excesso, do imediato. É o tempo de um individualismo paradoxal, do instável e do dual. O frívolo esconde uma profunda emoção repleta de ansiedades e angústias.

Segundo o francês, vivemos um momento onde a comercialização dos modos de vida não encontra mais resistências estruturais, culturais ou ideológicas, e onde as esferas da vida social e individual são reorganizadas em função da lógica do consumo.

No hipermoderno grassa o hiperconsumo. Um comportamento que absorve a vida social cujas regras se baseiam em normas, procedimentos e funções individuais. Tudo dentro de uma lógica que é emotiva e hedonista. Que proclama qual as peculiaridades das relações que pretendemos estabelecer com nossos afetos, com os nossos bens materiais, com as outras pessoas, e com a nossa vida.

Assim, o hiperconsumo se faz evidente através da busca de emoções e de prazer(a qualquer preço), no cálculo utilitarista das relações sociais e de trabalho(a qualquer custo), na superficialidade e frivolidade da expressão dos afetos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

SE EU FOSSE VOCÊ

Se eu fosse você eu assistiria SE EU FOSSE VOCÊ 2. Mesmo não sendo, eu assisti. É ótimo. Boa diversão, roteiro simples e afinadinho. Diálogos versáteis. Elenco quase perfeito, com exceção de Isabelle Drummond que ficou um pouco distante do que exigia sua personagem. O som, é o som, nota 10. E som no cinema nacional sempre foi, digamos, uma...tragédia!
Tony Ramos, gostem ou não os puristas e os bichos grilos, interpreta com competência e muito humor o personagem Cláudio/Cláudio e o personagem Cláudio que “incorpora”a mulher, Helena.
Defeito: bem, tem um corte brusco, de Cláudio se barbeando( e sendo convidado para um jogo de futebol) para ele já no banco de reservas. Talvez uma cena de transição com uma fala curta do personagem resolvesse).

Eis uma comédia leve, brasileira, com embalagem para o mercado internacional.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

ADEUS MARCO ANTÔNIO FRANÇA

Na sexta-feira, 2 de janeiro de 2009, trocou de espaçonave o locutor Marco Antônio França, uma das grandes vozes do rádio brasileiro, com passagem pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro e Itatiaia, de Belo Horizonte. Trabalhamos na Tv Horizonte quando ele era produtor do programa Voz da Comunidade. Me omiti em visitá-lo, mesmo sabendo que ele sempre perguntava por mim e se manifestava feliz sobre a possibilidade de ir vê-lo. Perdão, Marco Antônio. A gente nunca acredita que no agora é que está toda a nossa eternidade.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

QUEM DIRIA, HEIN CHICO SCIENCE?!

Manchete de primeira página, em letras vermelhas, do jornal Estado de Minas de hoje, 02 de janeiro de 2009:DA POSSE AO CAOS. Ela remete para a matéria da posse de Márcio Lacerda como prefeito de Belo Horizonte e a sua imediata visita aos locais destruídos pelo temporal da noite de 31 de dezembro de 2008. A manchete brinca, nessa insuspeitável leveza de fazer trocadilho, com o título da música "Da Lama ao Caos" , de Chico Science e o Nação Zumbi. A posse, a lama e o caos em Belo Horizonte não podem envolver, nem de longe, o poeta maranhense.

O "PÉ-DE-POMBA" DO EXPLOSIVO


João Izael é o sexagésimo prefeito de Itabira, Minas Gerais. Cidade famosa por Drummond,pela Vale e, agora, pela tal crise. João é o primeiro prefeito reeleito da história política da cidade. "Pé-de-pomba" era(Ou ainda é? José Sana ou Fernando Silva podem responder melhor.) um apelido que a elite pomposa itabirana dava àqueles que moravam nos bairros onde a poeira vermelha dominava. Explosivo era um bairro cuja alcunha já explica.

Sem qualquer trocadilho, penso que o homem que conhece seus pés é responsável pela estrada que escolhe para caminhar. Até aqui, João continua caminhando.

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