quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PARA ASSISTIR 1

Criança
http://www.youtube.com/watch?v=73-kaDAmjB8

RATOS SUL-AMERICANOS




Sei lá quando foi. Ratões-do-banhado, ou caxinguis, foram importados da América do Sul para a Louisianna, nos Estados Unidos. O motivo? Abastecer a indústria de peles e enfeitar vitrines e pescoços desses outros animais com mania de grandeza.

Acontece que  se a mania não diminuiu, o consumo de produtos com pele desses roedores sul-americanos, sim. Então, como eles não podem receber receber o green card – e muito menos fazer parte daquele coral que diz yes,we can , a rataria foi solta – ah, essa tão encantada democracia estadunidense! – pelos pântanos dos EUA.

Sabe como rato é, liberdade, ratinhas sem maiores compromissos, água à vontade.Livres e libertinos. De lovely pets se transformaram em inimigo público. Hoje, órgãos ambientais pagam caçadores para exterminarem os roedores.

Legal é que, agora, os estilistas estão vendendo a pele dos ratões – hay que endurecerse pero sin perder la ternura – como casacos de pele “eticamente e ambientalmente corretos” diz o noticiário. Segundo a modelo Paige Morgan “eles não são eletrocutados, não são torturados ou criados em gaiolas, viveram vidas felizes ao natural nos pântanos. Não é o mesmo que criá-los pelas peles”.

No segmento de mercado que comercializa peles, a explicação indica que a procura pelos casacos com pele de caxingui é mais uma questão econômica do que ética. Talvez em virtude da explosão dos preços dos casacos de vison. É que os visons deixaram de ser a marca de Manhattan e agora satisfazem os prazeres consumistas da elite chinesa.

Grudinho, um conhecido lá da roça, se coçou todo com vontade de ir à caça de ratões-do-banhado. Diz que a farofa com a carne do bicho é “pra lá de boa,sô!”. E dá a receita: “Limpa uns seis, corta como se fosse um capadinho. Frita na gordura de porco com alho socado e uns dois grãozinhos de pimenta-do-reino, acrescenta cebola, pimentão, coentro,ovo caipira,  pimenta-cumari ( que ele chama de pimenta-de-passarinho) e farinha de mandioca”.

Vai que a receita cai nas graças da culinária asiática…


A foto de ilustração está em www.arteiro010150.blogspot.com

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SÁBADOS




Sábado à tarde, vou assistir o dvd de um show ao vivo do KC and The Sunshine Band. Sem muitas referências tanto no encarte quanto na apresentação, parece que a mesma aconteceu em Viña del Mar, Chile, em 2009. O ano também é por minha conta, uma vez que Harry Wayne Casey, o “KC” diz, entre uma música e outra que está com 58 anos. Como ele nasceu em 1951…

Ficha técnica de lado, penso em ligar para o Reginaldo – um amigo, um irmão e também dono da banca de jornal onde preciosidades como esse dvd  sempre aparecem e satisfazem os nossos gostos – e dizer, vou assistir agora.

Meu sábado segue dançando. Shake your bootyBoogie ShoesI’m your boogie manKeep it coming loveGive it upThat’s the way(I like it) , Get Down Tonight… Segunda metade dos anos 1970, primeira dos anos 1980. John Travolta, Bee Gees, luzes, discoteca. A vida , o dancing day.
Especial é “KC” cantando Please don´t go :
Babe, I love you so
I, I want you to know
That I’m gonna miss your love
The minute you walk out that door

Please don’t go, don’t go
Don’t go away
Please don’t go, don’t go
I’m begging you to stay.

If you live at least in my lifetime
I’ve had one dream come true
I was blessed to be loved
By someone as wonderful as you

Hey hey hey!

So, please don’t go, don’t go
Don’t go away, hey, hey, hey!

I need your love
I’m down on my knees
I’m begging you please, please, please!
Don’t go! Don’t you hear me baby?
Don’t you leave me now?
Oh! No! No! Don’t go!
Please, don’t go.
I want your love
Babe, I, I, I love you so!



Pode até parecer bobinha, melosa. Porém, em algum instante a gente já se ajoelhou ou se curvou para alguma coisa ou alguém pedindo, por favor, que não fosse embora. KC and Sunshine Band neste sábado que anoitece mexe com minhas lembranças.

Foi em um sábado à noite que a minha juventude se foi. Embalada e embalada para não mais voltar. Não dava pra dizer please don’t go .

A foto de ilustração está em www.citapense.blogspot.com

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

UMA BACTÉRIA EM NOSSA MESA*




Todas as vezes que tentamos responder a pergunta o que é  a vida? esquecemos de acrescentar que é uma vaidade humana. Agora, com a descoberta de uma bactéria que vive num lago da Califórnia – onde as condições são mais inóspitas para o ser humano do que as disputas de poder entre PMDB e PT – que se alimenta de arsênio, praticamente não tem fósforo no organismo ( o fósforo é um elemento químico indispensável para a vida), cutuca essa nossa soberba.

Arsênio e arsênico são a mesma coisa, antes de mais nada . Os compostos de arsênio foram venenos comuns usados por assassinos e suicidas por questões passionais,psicológicas, coisa e tal.Os assassinatos e suicídios continuaram ocorrendo pelo uso do elemento químico como pesticida, antes da era dos compostos orgânicos.

Mesmo com seu uso reduzido, a contaminação por arsênio ainda constitui um problema ambiental em algumas regiões do planeta. Além dos pesticidas tem a mineração, fundição (ouro, chumbo, cobre e níquel), produção de ferro e aço, combustão de carvão. A lixiviação de minas abandonadas  de ouro, colabora para a  poluição por arsênio dos sistemas aquáticos. Conseqüência: câncer de pele e fígado, morte.

Considerando que é uma bobagem – principalmente a partir dessa descoberta – acreditar que só é possível a vida se houver uma mistura de carbono, hidrogênio, nitrogênio,oxigênio, fósforo e enxofre, devemos nos preparar para conviver , à mesa, com os novos seres envenenados.

Com certeza, temos uma lista de pessoas contaminadas até a alma de egoísmo, prepotência, arrogância, pedantismo, corrupção,bestialidade. Aquelas gentes que deixam a bílis escorrer pelo canto da boca; que secam pimenteira . Que nos abraçam, nos desejam sorte, felicidade e, na primeira oportunidade, nos empurram para dentro das águas do lago Mono para um encontro com os parentes da GFAJ-1, nome de batismo da “nova ET”.

Assim, parece que “não estamos mais sozinhos” e, quem sabe?, melhor acompanhados.

A foto de ilustração está em ateuligente.blogspot.com

terça-feira, 23 de agosto de 2011

GASTAR O LATIM




Ao anotar algumas reflexões sobre minhas amizades, meus amigos e a importância de vocês na minha vida me deparei com uma frase em latim “Amicus Plato, sed magis amica veritas” . Dizem que está frase, atribuída a Aristóteles em uma biografia apócrifa, não é verdadeira. Então, nada a ver com o filósofo. “Sou amigo de Platão, mas minha maior amiga é a verdade”, diz a sentença.

Frases e expresssões em latim, quando menos se espera – ou mais se espera – aparecem no nosso cotidiano. Angina, que se traduz em aperto, opressão, obstrução. Apesar do vocábulo ser um termo latino da medicina podia ser também da economia, da minha, por exemplo: tô numa angina danada!

Nietzsche em seu livro Ecce Homo afirma que amor fati é a fórmula para o crescimento do homem. Amor do destino…Amor lembra outra citação, de Caius Sollius Sidonius Apollinaris:  Animae duae,animus unus”. Claro, como podem duas almas não convergirem para um único espírito, um só pensamento? Será?
Vai que se estabelece a discórdia, cada cabeça uma sentença, uma delas opta por um porre espetacular.

Depois de “chapado”, o bardo resolve declamar:“Meum est propositum in taberna mori”, verso  do poema Vagantenbeichte, de autoria de um “arquipoeta” – nome não identificado – e que teria sido escrito em Pavia lá pelo ano 1163. Quantos não têm o propósito, o destino de morrer numa taberna, principalmente por um amor não correspondido, por um relacionamento desfeito? Hein?

Porém, se passamos do amor à morte, uma frase contida no poema Regimen sanitatis Salernitanum confirma que “contra vim mortis non est medicamen in hortis” . E não há o que contestar: contra o poder da morte, não há remédio na horta. Mesmo!

Este bom e delicioso latim…

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A FRONTEIRA FINAL



No dia 2 de dezembro de 1960, “a nave cósmica soviética desintegrou-se” , publicou a Folha de São Paulo na capa de sua edição de 3 de dezembro, “nas camadas densas da atmosfera, depois de ter recebido ordem para regressar à Terra”. Segundo a notícia, “às primeiras horas de ontem o satélite soviético já havia silenciado”.

Aqueles eram os primeiros momentos de uma corrida espacial entre Estados Unidos e a URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas com desejos mais bélicos do que científicos ou poéticos, o que me leva a recordar LUNIK 9, de Gilberto Gil:
“Poetas,seresteiros, namorados, correi /É chegada a hora de escrever e cantar /Talvez as derradeiras noites de luar/ Momento histórico, simples resultado do desenvolvimento da ciência viva /Afirmação do homem normal, gradativa sobre o universo natural /Sei lá que mais/ Ah, sim! Os místicos também profetizando em tudo o fim do mundo /E em tudo o início dos tempos do além/ Em cada consciência, em todos os confins/ Da nova guerra ouvem-se os clarins /Guerra diferente das tradicionais, guerra de astronautas nos espaços siderais /E tudo isso em meio às discussões, muitos palpites, mil opiniões /Um fato só já existe que ninguém pode negar, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, já! /E lá se foi o homem conquistar os mundos lá se foi /Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi /Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão: /A lua foi alcançada afinal, muito bem, confesso que estou contente também /A mim me resta disso tudo uma tristeza só /Talvez não tenha mais luar pra clarear minha canção/ O que será do verso sem luar? /O que será do mar, da flor, do violão? /Tenho pensado tanto, mas nem sei/ Poetas, seresteiros, namorados, correi /É chegada a hora de escrever e cantar/ Talvez as derradeiras noites de luar”.

Mas, de volta ao factual, a informação prossegue dizendo que “segundo a Rádio de Moscou, os dois cães que viajavam no aparelho suportaram bem as acelerações da partida e a fase de não gravidade”. Ou seja, dentro da cápsula estavam dois cães. E a notícia termina assim: ‘ “O contato por rádio com a nave funcionou durante todo o voo e permitiu verificar que as condições normais de vida se mantiveram na cabine, no que se refere à composição do ar e à sua temperatura”, informou a rádio’.

Aqui do meu lado dorme um sono solto a minha amada Lady, uma cadela da raça Labrador que é minha confidente, ouvinte da leitura dos meus escritos, de música e sócia na hora do lanche e almoço. Por isso não posso perguntar a ela quem é que recebeu a ordem para regressar à Terra. Não posso discutir com ela sobre quem teria avaliado o comportamento dos dois cãostronautas durante a partida e na fase de não gravidade para garantir que eles “suportaram bem”. Além disso, como é que “ o contato por rádio com a nave funcionou durante todo o voo? Num diálogo, o controle de Terra dizia “Космический аппарат, обмен! Ответ космического корабля” e os passageiros respondiam “au,au” ?

Por último, ao citar que “permitiu verificar que as condições normais de vida se mantiveram na cabine, no que se refere à composição do ar e à sua temperatura”, eu fico pensando que isso não atesta que a condição dos vivos os estivessem mantidos como vivos.

Sei que tem um tom de galhofa, de brincadeira. Mas pensemos: eu comento com a Lady sobre esse negócio de “fronteira final” ou deixo que ela durma o sono de quem nem uivar para a lua, uiva?

*A cadela na foto de ilustração é a Laika e está em www.tedstrong.com

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